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Ratinho Junior rifa Guto Silva após novas denúncias de corrupção Créditos: Geraldo Bubniak/AEN

Ratinho Junior rifa Guto Silva após novas denúncias de corrupção

Avanço de investigações sobre fraude em licitação e quebra de sigilo bancário implodem candidatura do ex-chefe da Casa Civil; Sandro Alex assume a dianteira no Palácio Iguaçu para 2026

O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), mudou a estratégia para a sucessão estadual após o nome de Guto Silva voltar a aparecer em uma investigação sobre supostas irregularidades em licitação. A avaliação passou a circular no Palácio Iguaçu e ganhou confirmação pública na segunda-feira (13), quando o governador optou por lançar o deputado federal Sandro Alex como pré-candidato ao governo.

A mudança ocorre em meio a novos desdobramentos do caso. Reportagem do jornal O Globo revelou que a Justiça do Paraná determinou a quebra de sigilo bancário do empresário Adolfo Jachinski Neto e da empresa EBTS. O inquérito apura suspeitas de fraude em licitação, pagamento de propina e desvio de recursos públicos, com foco na análise de movimentações financeiras e eventuais repasses a terceiros.

Nos diálogos reunidos pela investigação, Guto Silva é citado pelo empresário. Até o momento, o ex-secretário não foi denunciado nem condenado. Ainda assim, a volta do nome dele ao centro de um caso que envolve contratos públicos, suspeitas de irregularidades e menções a recursos de campanha passou a ser vista como fator de desgaste político em um momento decisivo para a sucessão estadual.

A decisão que autorizou a quebra de sigilo foi assinada pelo juiz Leandro Campos. No documento, o magistrado afirma que a medida é necessária para rastrear o fluxo financeiro e identificar possíveis destinatários dos valores investigados. O período analisado vai de abril de 2020 a fevereiro de 2021. A decisão também registra referências, nos diálogos, a integrantes da administração estadual da época, incluindo Guto, que ocupava o cargo de chefe da Casa Civil.

A apuração teve início em 2022, após a circulação de materiais relacionados a um pregão realizado em 2019 pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná. O processo tratava da compra de simuladores virtuais de tiro. Segundo a reportagem, o caso ganhou força a partir de um conflito societário entre empresários, que resultou na entrega de gravações às autoridades e levantou questionamentos sobre a lisura da licitação.

Um relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado do Paraná já havia apontado possíveis irregularidades no contrato. Entre os pontos destacados está a diferença de valores em comparação com aquisição semelhante feita no estado de Goiás. O documento indica custo de R$ 1,6 milhão naquele estado, contra R$ 3,8 milhões no Paraná, além da aplicação de multas a servidores envolvidos no processo.

Guto Silva nega qualquer ligação com o empresário e com a empresa investigada. Em nota, afirmou que as acusações são antigas, já foram esclarecidas em 2022 e que o processo licitatório foi conduzido pela Secretaria da Segurança Pública, sem participação da Casa Civil.

Além desse episódio, o nome do ex-secretário também aparece em outro caso que ganhou repercussão recente no Paraná. Áudios apresentados pela oposição na Assembleia Legislativa indicam diálogos entre ex-integrantes da Sanepar e aliados políticos, com menções a arrecadação de recursos entre funcionários para cobrir despesas de campanha eleitoral.

Nas gravações, há referências a figuras do governo estadual, incluindo Guto Silva, citado no contexto das conversas. O material menciona valores, prazos, formas de arrecadação e estratégias para movimentação de dinheiro, além de cuidados para evitar rastreamento das operações.

O conteúdo dos áudios ainda não resultou em decisão judicial e é tratado como elemento preliminar. Mesmo assim, a associação do nome de Guto a diferentes episódios, envolvendo licitações e possíveis arrecadações paralelas, ampliou a percepção de risco político em torno da pré-candidatura. Movimento semelhante ao que atingiu o próprio Ratinho Junior, principal nome do grupo, que passou a enfrentar desgaste após acusações sobre supostos repasses de R$ 24 milhões do Banco Master para empresas ligadas à sua família. O caso gerou turbulência nos bastidores e é citado por especialistas e pela oposição como um dos fatores que pesaram na decisão do governador de não disputar a Presidência da República em 2026.

Entenda por que Ratinho Junior desistiu da candidatura à Presidência:
• Crise e Recuo: Como as investigações sobre o Banco Master pesaram na desistência de Ratinho Jr. para 2026

No cenário eleitoral, o ex-secretário já apresentava desempenho limitado. Levantamento do instituto Paraná Pesquisas, divulgado em 13 de abril, apontou Guto com 3,6% em um cenário estimulado e 5,9% em outro. Na pesquisa AtlasIntel, publicada em 2 de abril, ele registrou 5,6% e 6,1% nos cenários em que foi testado.

A escolha de Sandro Alex foi interpretada nos bastidores como uma decisão pragmática do governador. A avaliação é de que o novo nome apresenta menor exposição a desgaste e maior potencial de crescimento eleitoral. A investigação não é apontada como único fator para a mudança, mas contribuiu para enfraquecer o espaço político de Guto dentro do grupo governista.

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