Áudio expõe recusa de deputado do PSD em votação da Polícia Penal e sugere disputa por cargos nos bastidores
Fala de Artagão ao ser chamado por Hussein Bakri remete a mudanças em Guarapuava e cita nomes no centro de embate recente na segurança pública
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Alep
Um episódio ocorrido na última terça-feira durante a sessão da Assembleia Legislativa do Paraná revelou um momento de tensão na base governista. Um áudio captado por microfones abertos registrou a reação do deputado estadual Artagão Júnior (PSD) ao ser chamado para votar um projeto de lei relacionado à carreira da Polícia Penal.
Durante a condução da votação, o líder do governo, Hussein Bakri, fez o apelo nominal: “Polícia Penal, Artagão, se puder votar?”. Em vez de registrar o voto, o parlamentar respondeu com uma queixa política: “Depois daquilo que fizeram comigo lá em Guarapuava”.
Na sequência, ao ser questionado sobre o motivo, completou: “Tiraram meus caras e colocaram…”, com o restante da frase inaudível na gravação.
O áudio ainda registra que o deputado diz algo na sequência, mas o conteúdo não é compreensível. Logo depois, no entanto, ele menciona dois nomes: Hudson e Ananda.
As referências inserem o episódio em um contexto mais amplo. Hudson Teixeira e Ananda Chalegre estiveram recentemente no centro de um embate político na Assembleia, após declarações do deputado Renato Freitas sobre a estrutura da Polícia Penal e a condução de um caso envolvendo a morte de um preso após transferência.
As falas de Freitas resultaram em representação no Conselho de Ética e desdobramentos judiciais, trazendo à tona discussões sobre influência, nomeações e funcionamento interno do sistema prisional.
É nesse mesmo ambiente que a manifestação de Artagão ganha relevo. Ao associar sua insatisfação a mudanças ocorridas em Guarapuava e, na sequência, mencionar nomes que já estão no centro de disputas na área da segurança pública, o deputado conecta sua fala a um cenário mais amplo de rearranjos administrativos e disputas por espaço político — ainda que o áudio não permita identificar, de forma precisa, a relação direta entre esses elementos.
O projeto em votação trata da carreira da Polícia Penal e é considerado relevante pelo governo estadual por envolver a organização funcional da categoria. O mérito da proposta, no entanto, não foi questionado pelo parlamentar no momento da fala, o que reforça a leitura de que o episódio está mais ligado a questões políticas do que ao conteúdo legislativo.
O caso ocorre em meio a um momento de maior instabilidade na base do governador Ratinho Júnior. A indicação de Sandro Alex como pré-candidato à sucessão em 2026 ampliou resistências internas e evidenciou fissuras dentro do grupo governista.
Entre os sinais desse desgaste está a posição do deputado Moacyr Fadel, também do PSD, que já declarou que não pretende apoiar o nome indicado pelo governador e cogita não disputar a reeleição.
Ao mesmo tempo, a Assembleia passa por um rearranjo de forças, com a consolidação de dois blocos de oposição: o tradicional, formado por PT e PDT, e um novo eixo composto por PL e Novo, que reúne 14 parlamentares e busca ampliar espaço no debate legislativo.
Nesse cenário, a reação de Artagão, ainda que sem uma negativa formal de voto, funciona como um sinal político. Ao deslocar o debate do mérito do projeto para uma insatisfação com mudanças em sua base, o deputado expõe como decisões administrativas e disputas por indicação de cargos continuam sendo um fator determinante na sustentação — ou fragilização — da base do governo dentro da Assembleia.
Créditos: Redação
