Novo oficializa Romeu Zema como candidato à Presidência da República
Ex-governador de Minas Gerais é confirmado em convenção nacional do partido, ainda sem candidato a vice, e promete combate à corrupção, endurecimento na segurança pública e ampliação das privatizações
Créditos: Malu Vaz
O Partido Novo oficializou nesta segunda-feira (27) a candidatura do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, à Presidência da República nas eleições de 2026. A confirmação ocorreu durante a convenção nacional da legenda, realizada de forma virtual, com anúncio em Brasília pelo presidente nacional do partido, Eduardo Ribeiro. O candidato a vice-presidente ainda não foi definido e deverá ser anunciado até o dia 5 de agosto, prazo final para a formação das chapas.
Em seu primeiro discurso como candidato oficial, Zema afirmou que pretende se apresentar como uma alternativa ao atual cenário político brasileiro e disse reunir credenciais para disputar o Palácio do Planalto em razão da experiência adquirida durante os dois mandatos à frente do Governo de Minas Gerais. "Me considero com todas as credenciais, modéstia à parte, até mais do que os meus concorrentes", declarou durante a convenção.
Ao longo do pronunciamento, o ex-governador fez duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmando que o país não suporta mais "quatro anos de Lula e de PT". Também direcionou ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), criticando decisões da Corte e defendendo mudanças no modelo de escolha e atuação dos ministros.
Entre as propostas apresentadas para o Judiciário estão a criação de uma lista tríplice para indicação de ministros do STF, a exigência de idade mínima de 60 anos para ocupar uma cadeira na Corte e o fim das decisões monocráticas em assuntos que já tenham sido analisados pelo Congresso Nacional. Segundo Zema, essas medidas fortaleceriam a segurança jurídica e o equilíbrio entre os Poderes.
Na área da segurança pública, o candidato defendeu o endurecimento do combate ao crime organizado. Ele propôs enquadrar facções criminosas como organizações terroristas, ampliar o enfrentamento às organizações que atuam em regiões dominadas pelo tráfico e construir um presídio de segurança máxima em local remoto, "de preferência no meio da Amazônia", para concentrar lideranças criminosas.
Segundo Zema, esses presos deveriam permanecer encarcerados por longos períodos, reduzindo a capacidade de comando das facções de dentro do sistema prisional.
Na economia, o presidenciável voltou a defender a redução da participação do Estado em atividades econômicas e reafirmou a intenção de ampliar o programa de privatizações. Para ele, o poder público deve concentrar esforços em áreas consideradas essenciais, como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura, deixando a exploração de atividades econômicas para a iniciativa privada.
O candidato também criticou o atual modelo de distribuição das emendas parlamentares e afirmou que pretende governar sem recorrer ao chamado "toma lá, dá cá" para construir maioria no Congresso Nacional.
Durante o evento, o presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro, afirmou que a gestão de Romeu Zema em Minas Gerais demonstra a capacidade administrativa do candidato e disse que a legenda pretende apresentar esse modelo ao restante do país durante a campanha eleitoral.
Apesar da oficialização da candidatura, a composição da chapa presidencial segue em aberto. Questionado sobre o assunto, Zema informou que o partido mantém conversas com possíveis candidatos à vice-presidência, tanto do próprio Novo quanto de outras legendas, desde que atendam aos critérios estabelecidos pela sigla, como ficha limpa e alinhamento ao programa de governo.
Nos últimos dias, o ex-governador chegou a mencionar o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa como um dos nomes que considera qualificados para integrar a chapa, mas ressaltou que ainda não há definição e que qualquer escolha dependerá da aprovação do diretório nacional do partido.
Quem é Romeu Zema
Natural de Araxá (MG), Romeu Zema tem 61 anos, é administrador formado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e governou Minas Gerais entre 2019 e março deste ano, quando renunciou ao cargo para disputar a Presidência da República. Durante sua trajetória política, manteve proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro em disputas anteriores, mas busca apresentar sua candidatura como uma alternativa própria dentro do campo da direita para as eleições de 2026.
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