Sabatina expõe dificuldades de Sandro Alex para explicar problemas do governo Ratinho Junior
Candidato do PSD defende continuidade da gestão, mas foi cobrado sobre Copel, Sanepar, pedágios, segurança e projetos aprovados em regime de urgência
Créditos: Divulgação RPC TV
A sabatina de Sandro Alex, candidato do PSD ao Governo do Paraná escolhido por Ratinho Junior para sucedê-lo, expôs um dos principais desafios de sua campanha: defender a continuidade de uma gestão da qual fez parte e, ao mesmo tempo, explicar problemas que continuam afetando os paranaenses.
Durante a entrevista à RPC, Sandro foi questionado sobre Copel, Sanepar, pedágios, segurança pública e o uso frequente do regime de urgência na Assembleia Legislativa. Em vários momentos, porém, o candidato respondeu às cobranças apresentando investimentos e promessas para o futuro, sem explicar de forma objetiva por que determinados problemas permanecem depois de oito anos de governo.
O caso mais emblemático foi o da Copel. A empresa deixou de ter o Estado como acionista controlador após a privatização conduzida pelo governo Ratinho Junior. Na época, entre os argumentos apresentados para a mudança estava a necessidade de ampliar investimentos e melhorar a qualidade dos serviços.
Na sabatina, Sandro foi questionado sobre as reclamações de consumidores relacionadas a quedas de energia, demora no atendimento e dificuldades de fornecimento. A resposta foi centrada nos investimentos que ainda serão realizados, incluindo novas subestações e expansão da rede, ou seja, fugiu das explicações.
O candidato afirmou que o Paraná continua entre os maiores acionistas da companhia e que o Estado poderá cobrar o cumprimento do contrato. Mas não apresentou uma explicação clara para a pergunta central: se a privatização tinha como uma das justificativas a melhoria do serviço, por que os problemas continuam sendo relatados pelos consumidores?
SANEAMENTO TAMBÉM FICA PARA O FUTURO
A mesma dificuldade apareceu quando o assunto foi a Sanepar.
Sandro foi confrontado com problemas recentes de abastecimento e qualidade da água em municípios como Ponta Grossa, além de reclamações frequentes na Região Metropolitana de Curitiba e no Litoral.
O candidato destacou a previsão de R$ 13 bilhões em investimentos e prometeu alcançar a universalização do saneamento durante seu eventual mandato.
Mais uma vez, porém, a pergunta era sobre o presente. Sandro integra o grupo político que administra o Estado há oito anos e foi questionado por que problemas básicos de abastecimento ainda persistem.
A resposta foi novamente baseada na promessa de novos investimentos, sem uma avaliação mais contundente sobre as falhas acumuladas durante a atual gestão.
PEDÁGIO E UMA PROMESSA QUESTIONADA
Outro ponto de confronto foi o pedágio.
O plano de governo de Sandro prevê suspensão imediata da tarifa em trechos onde obras importantes estejam atrasadas. Durante a entrevista, entretanto, ele foi lembrado de que os contratos de concessão não estabelecem uma suspensão automática nessas situações.
Inicialmente, o candidato afirmou que pediria a suspensão da cobrança. Depois, reconheceu que os contratos preveem outros mecanismos, como multas e redução de tarifas.
Sandro passou então a defender a fiscalização rigorosa das concessionárias e afirmou que não permitirá atrasos nas obras.
URGÊNCIA NA ASSEMBLEIA
A entrevista também abordou a forma como projetos importantes foram aprovados durante o governo Ratinho Junior.
A crítica apresentada foi de que propostas de grande impacto, como a privatização da Copel, escolas cívico-militares, mudanças na gestão de hospitais e alterações tributárias, chegaram a ser votadas em regime de urgência, algumas vezes em primeira, segunda e terceira discussões no mesmo dia.
Questionado se manteria essa prática caso fosse eleito, Sandro defendeu a necessidade de dar velocidade à administração pública.
O argumento foi de que a burocracia atrapalha e que o Paraná precisa acompanhar a velocidade do setor privado. A resposta, entretanto, não indicou disposição para rever o excesso de urgência em projetos que envolvem patrimônio público, impostos e serviços essenciais.
SEGURANÇA TEM PROMESSAS PENDENTES
Na segurança pública, Sandro defendeu a ampliação do programa Olho Vivo, que utiliza câmeras e inteligência artificial.
O problema é que a licitação para aquisição de novos equipamentos está parada após apontamentos técnicos do Tribunal de Contas do Estado sobre questões relacionadas à vigilância e ao tratamento dos dados.
Questionado sobre como pretende ampliar o programa diante dessas falhas, Sandro afirmou que os problemas serão corrigidos.
Também foi cobrado sobre as câmeras corporais para policiais militares, promessa apresentada pelo governo anterior e que ainda não foi implantada em toda a corporação. O candidato afirmou que os equipamentos estão em fase de testes.
O PESO DA CONTINUIDADE
No fim da entrevista, Sandro reafirmou que pretende dar continuidade ao trabalho iniciado por Ratinho Junior. A estratégia é apresentar o atual governo como responsável pelo avanço econômico, pelas obras e pelos investimentos realizados no Paraná.
Mas a própria sabatina revelou o outro lado dessa escolha.
Ao assumir o discurso de continuidade, Sandro também assume o desafio de explicar por que problemas de energia, água, segurança e infraestrutura ainda fazem parte da rotina de muitos paranaenses.
A principal cobrança sobre o candidato, portanto, não está apenas no que ele promete fazer. Está no que precisa explicar sobre o que já foi feito — e sobre aquilo que o governo do qual fez parte não conseguiu resolver em oito anos.
Para um candidato que se apresenta como continuidade, esse é um dos principais pontos que deverão ser enfrentados durante a campanha.
Foto: Divulgação/ RPC
