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Nelson Justus se despede da Alep após 36 anos e nove mandatos

Em discurso emotivo, parlamentar faz balanço de carreira, relembra aliados históricos e encerra trajetória de mais de três décadas na Assembleia Legislativa do Paraná

Por Gazeta do Paraná

Nelson Justus se despede da Alep após 36 anos e nove mandatos Créditos: Alep

A sessão desta terça-feira na Assembleia Legislativa do Paraná foi marcada por um momento incomum no plenário: a despedida de um dos deputados mais longevos da história recente do Legislativo estadual. Após 36 anos de atuação e nove mandatos consecutivos, Nelson Justus utilizou a tribuna para anunciar sua saída, em um discurso que misturou balanço político, agradecimentos e referências pessoais.

Logo na abertura, o parlamentar sinalizou o caráter definitivo da fala, em um dos trechos mais emblemáticos do pronunciamento:
“Senhor presidente, senhores deputados, eu faço uso desse microfone. Quero crer que pela última vez como deputado. Como dizia a poetisa, chegou a hora, não é? Eu comecei aqui com o meu grande líder, meu grande amigo, Aníbal Cury, e deixo a Assembleia com o seu neto, Alexandre Cury. Há quem, neste momento, rendo todas as homenagens para um homem de bem, correto, inteligente, trabalhador, humilde e, sobretudo, leal.”

Ao longo do discurso, Justus estabeleceu uma linha de continuidade política dentro da própria Assembleia, conectando sua trajetória à de Aníbal Khury e à atuação atual de Alexandre Curi. Em tom de defesa, também destacou o aliado:
“E que, por muitas vezes, passa por algumas injustiças que nós não gostamos de ver. Mas o meu amigo Alexandre Cury tem, sem dúvida nenhuma, um caminho muito grande pela frente e nós não precisamos estar aqui como deputado para ajudá-lo, Alexandre. É um privilégio tê-lo como meu amigo, assim como de toda a sua família.”

O deputado dedicou parte significativa da fala aos agradecimentos institucionais, reforçando a relação construída com servidores e equipes ao longo de mais de três décadas:
“Eu não podia, nesse momento, deixar de agradecer a todos os funcionários da Casa, a todos os meus assessores, a todas aquelas pessoas que, de uma maneira ou de outra, me ajudaram nesses 36 anos. Sem dúvida nenhuma, aqui é a minha segunda casa. Acho que passei mais tempo aqui do que na minha casa. Mas fiz muitos amigos. Esse, eu já disse, é o meu maior patrimônio.”

Em um dos trechos mais pessoais, Justus mencionou a família e a base que sustentou sua trajetória política, trazendo um tom mais íntimo à despedida:
“Quero agradecer a Deus por ter me dado essa oportunidade de conquistar esses amigos, esses companheiros. Inicialmente, tenho que agradecer a minha família. Feliz o homem que casa com uma mulher e vive com ela 53 anos, em plena harmonia, e que não fosse ela, não teria eu chegado onde cheguei e não teria os três filhos maravilhosos que tenho. Aliás, oxalá um deles esteja aqui no meu lugar com vocês o ano que vem.”

O parlamentar também fez questão de registrar que sua saída não ocorreria de forma silenciosa, reforçando o simbolismo do momento:
“Era um momento de que nós não falássemos nada hoje e eu atendi esse pedido, mas jamais poderia sair à francesa aqui dessa Casa, como se diz. Segunda-feira não está, cadê o Nelson Justus? Não está aqui, está lá em Guaratuba. Não, eu teria sim que agradecer, agradecer a vocês, agradecer a todos os governadores com que eu tive a honra de trabalhar.”

Na sequência, relembrou a convivência com diferentes gestões estaduais, citando nomes como José Richa, Jaime Lerner, Roberto Requião, Beto Richa e o atual governador Ratinho Júnior:
“Desde o José Richa, ao Alberto Requião, ao Jaime Lerner, ao Orlando Pessuti, ao João Elísio, ao Beto Richa e a esse extraordinário Ratinho, que não só foi um grande companheiro, é um grande companheiro, mas fez a ponte na minha cidade. Esse é o maior prêmio que esse humilde deputado poderia receber.”

O discurso avançou para um balanço direto da própria carreira, destacando os cargos ocupados e a longevidade política:
“A experiência de nove mandatos, quatro vezes secretário, três vezes presidente da Assembleia e por 16 dias governador do Estado, graças à benevolência do meu amigo Orlando Pessuti. Então, posso dizer que, ao fazer uma análise essa noite, eu digo: puxa vida, Nelson, Deus tem sido bom demais com você.”

Mesmo ao encerrar, o tom foi mais de continuidade do que de ruptura, com referências à convivência política fora do plenário:
“Quero dizer a vocês que deixo a Assembleia, mas as portas da minha casa, para quem é da turma do aperitivo de terça-feira e aqueles acostumados à minha churrasqueira lá em Guaratuba, continuam abertas. Muito obrigado a todos. Por mais que eu procure palavras bonitas para encerrar um discurso, eu não encontro nesse momento outras que não sejam: muito obrigado. Segue o baile e um abraço permanente a todos.”

Após a fala, o presidente da sessão suspendeu os trabalhos por cinco minutos para que os deputados cumprimentassem o colega. Mas antes disso, fez o registro institucional da despedida:
“Eu quero aqui publicamente agradecê-lo pelos bons serviços prestados ao Estado do Paraná. Nove mandatos consecutivos, ex-presidente dessa Casa, um deputado municipalista e um deputado que tem história na Assembleia Legislativa. Então, em nome da população do Paraná, agradecer muito ao deputado Nelson Justus.”

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp