Pressão de servidores domina sessão e governo promete pacote com data-base para votação imediata
Sob pressão de servidores em vigília na Alep, governo promete enviar pacote com data-base e carreira nesta terça, enquanto base e oposição selam acordo para votação rápida, sem obstrução
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Orlando Kissner
A sessão desta segunda-feira na Assembleia Legislativa do Paraná foi dominada pela pressão de servidores públicos estaduais e terminou com uma sinalização clara do governo Ratinho Junior: um pacote com data-base, progressões e medidas de carreira deve ser enviado já nesta terça-feira, com tramitação acelerada.
Desde o início dos trabalhos, a presença de sindicatos e categorias nas galerias transformou o plenário em extensão da mobilização que já vinha ocorrendo do lado de fora da Casa. Representantes da educação, saúde, segurança e universidades acompanharam a sessão enquanto deputados ampliavam a cobrança.
A deputada Luciana Rafagnin abriu o tom da pressão ao afirmar que o reajuste não pode ser tratado como concessão. “Nós não estamos aqui pedindo nenhum favor. Estamos cobrando um direito dos servidores”, disse. Em seguida, direcionou a crítica ao Executivo: “Infelizmente o governo Ratinho Junior tem um descaso total com os servidores do nosso estado”.
O discurso foi reforçado pelo deputado Professor Lemos, que detalhou a dimensão do problema e vinculou a pauta salarial a uma crise estrutural do funcionalismo. “A dívida que o Estado tem com os servidores passa de 40%. É preciso pagar o que deve”, afirmou. Ele ainda destacou o nível de mobilização: “Encontrei servidores acampados em frente à Assembleia, em vigília, esperando uma resposta”.
Lemos também apontou o risco de agravamento do conflito. “Os nossos colegas estão em estado de greve e isso pode evoluir caso o governo não tenha sensibilidade”, disse, ao relacionar a ausência de propostas concretas ao aumento da tensão.
Governo promete envio imediato
Diante da pressão crescente, o líder do governo, deputado Hussein Bakri, foi à tribuna para conter o desgaste e assumir um compromisso público.
“A senhora está equivocada ao dizer que o governo não vai mandar nada. Vai sim”, afirmou, respondendo diretamente à oposição. Em seguida, detalhou o conteúdo esperado. “O governo tem uma série de projetos que vão chegar aqui no tempo hábil. Um projeto que prevê uma data-base no limite do que o governo pode, substancial, prevê também promoção, progressão e outras medidas importantes”.
Bakri deixou claro que o envio ocorre sob pressão de prazo e contexto político. “Aquilo que for necessário ser cumprido dentro desse prazo será cumprido”, disse, em referência ao calendário pré-eleitoral.
Mais do que o conteúdo, o líder do governo antecipou o ritmo da tramitação. “Se for preciso, vamos fazer duas, três, quatro sessões extraordinárias. Nós não temos tempo para parar”, afirmou.
Ao final da sessão, a própria presidência confirmou a convocação de múltiplas sessões para esta terça-feira, com início no período da tarde e sem horário definido para encerramento.
Acordo entre base e oposição
O avanço do governo não ocorreu isoladamente. A pressão externa acabou produzindo um movimento interno incomum: um acordo tácito entre base e oposição para garantir a votação rápida dos projetos.
O líder da oposição, deputado Arilson Chiorato, afirmou que não haverá manobras para atrasar a tramitação, desde que o governo cumpra o compromisso.
“Vindo o projeto da data-base amanhã, nós não vamos pedir vista e não vamos atrasar o projeto. Vamos votar tudo numa sessão”, declarou.
Chiorato, no entanto, deixou claro que a pauta não se encerra no reajuste. “Tem outras questões: progressão, promoção, reestruturação de carreira. O servidor quer o seu direito, ponto”, disse.
A fala foi reconhecida pelo próprio líder do governo, que agradeceu publicamente a postura da oposição. “Se não houvesse essa boa vontade, talvez ficaria para outro dia e nós perderíamos isso. Existe esse consenso entre nós aqui”, afirmou Bakri.
Pressão expõe atraso
Apesar da tentativa do governo de apresentar o envio dos projetos como parte de um planejamento, a sessão escancarou o atraso na condução da pauta. Até aquele momento, nenhuma mensagem havia sido formalmente protocolada, o que alimentava críticas e ampliava a mobilização dos servidores.
A deputada Luciana Rafagnin sintetizou esse sentimento ao cobrar urgência. “Já estamos no final de março e esse projeto não chegou. Isso é uma falta de respeito com quem sustenta o Estado”, afirmou.
O resultado prático foi uma inversão de lógica: o governo, pressionado dentro e fora da Assembleia, foi levado a assumir publicamente um cronograma que agora passa a ser cobrado em tempo real.
Expectativa para terça-feira
Com a promessa de envio dos projetos e a articulação para votação acelerada, a sessão desta segunda-feira funcionou como um ponto de virada.
O foco agora se desloca para esta terça-feira, quando a Assembleia deve analisar, em sequência, as propostas do Executivo. A depender do conteúdo, o pacote pode tanto aliviar a tensão quanto aprofundar o embate com os servidores.
Nos corredores da Casa e nas galerias, a leitura já é clara: depois de semanas de espera, a pressão saiu das ruas, entrou no plenário e obrigou o governo a se mover.
Créditos: Redação
