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Gleisi Hoffmann confirma articulação para acelerar fim da escala 6x1 na Câmara Créditos: Jefferson Rudy/Agência Senado

Gleisi Hoffmann confirma articulação para acelerar fim da escala 6x1 na Câmara

A ministra Gleisi Hoffmann afirmou nesta terça (31) que o governo federal negocia com a Câmara o regime de urgência para o projeto que encerra a escala 6x1

A ministra Gleisi Hoffmann afirmou nesta terça-feira, 31, que o governo federal deve dialogar com o presidente da Câmara, Hugo Motta, antes de decidir sobre o envio, em regime de urgência, do projeto que propõe o fim da escala 6×1.

De saída do Ministério das Relações Institucionais, Gleisi disse que a decisão ainda não foi tomada. Segundo ela, o tema será discutido em reunião do governo nos próximos dias. A ministra avaliou que há uma tendência de envio da proposta com urgência, mas ressaltou que não há definição oficial.

Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto defendem celeridade na tramitação. A intenção é avançar com o projeto até o dia 1º de maio, data em que o ministro Guilherme Boulos pretende realizar um evento voltado aos trabalhadores.

O governo também tem criticado o fato de a proposta ainda estar em análise na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

O presidente da comissão, Leur Lomanto, rebateu as críticas. Segundo ele, o colegiado tem seguido o cronograma previsto e considera necessário aprofundar o debate.

“Estamos cumprindo todos os compromissos de debater esse assunto. Foi uma deliberação do próprio plenário da CCJ, diante do impacto que esse projeto traz para o Brasil. Os membros da comissão querem ter a oportunidade de discutir e aprofundar o tema, que afeta tanto a classe trabalhadora quanto o setor produtivo”, afirmou.

comentários

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    Angelo Gabriel há 2 meses

    Carta aberta de um trabalhador brasileiro Eu tenho 23 anos. E por duas vezes precisei desistir do meu sonho de fazer uma faculdade. Não por falta de vontade. Não por preguiça. Não por falta de esforço. Mas por exaustão. Em 2024, meu corpo simplesmente não aguentou mais. Fui diagnosticado com síndrome de burnout após desenvolver uma paralisia facial causada por estresse extremo. No início, os médicos até suspeitaram de AVC. Depois dos exames, veio a resposta: meu corpo estava reagindo ao nível absurdo de estresse. Minha rotina era acordar às 04:20 da manhã, todos os dias. Trabalhava das 06:10 até às 14:30, de segunda a sábado. Depois vinha o deslocamento de uma hora e meia até chegar em casa por volta das 16:00 ou 16:30. Mas o dia ainda não tinha acabado. Às 19:00 eu precisava estar no instituto para estudar. As aulas terminavam às 22:30. Eu chegava em casa por volta de 23:10. Sem tempo para descansar. Sem tempo para viver. Às vezes, até sem tempo para comer direito. E assim, duas vezes, precisei trancar a faculdade para cuidar da minha saúde física e mental. Por muito tempo eu pensei que o problema era comigo. Que talvez eu não fosse forte o suficiente. Que talvez eu não fosse capaz. Mas depois entendi algo doloroso: o problema não era só meu. Existe um sistema que adoece trabalhadores. Que limita sonhos. Que prende milhões de pessoas em uma rotina onde viver, estudar e crescer parece um privilégio. Mesmo assim, eu não desisti. Meu sonho ainda é me formar na área de Tecnologia da Informação, trabalhando com desenvolvimento web, uma área pela qual sou apaixonado. Sou nascido em Coroatá, no Maranhão, e hoje moro em Uberlândia - MG, uma cidade que me deu oportunidades e onde continuo lutando por um futuro melhor. Eu conto minha história porque ela não é só minha. Ela é a realidade de milhões de jovens brasileiros que querem estudar, trabalhar e construir uma vida digna — mas encontram um sistema que muitas vezes os empurra para o esgotamento. Hoje, ao ver esse debate chegando em altos pilares, sinto algo que há muito tempo eu não sentia: esperança. Esperança de que trabalhar não precise significar adoecer. Esperança de que sonhar não seja um privilégio. Esperança de que nenhum jovem precise abandonar seus estudos porque simplesmente não há tempo para viver. Meu nome é Ângelo Gabriel. E essa é apenas uma entre milhões de histórias que precisam ser ouvidas.

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