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Justiça nomeia Suzane von Richthofen inventariante de herança milionária do tio

Condenada pelo assassinato dos pais, Suzane administrará o espólio sem poder vender bens; irmão Andreas acompanha o processo e mantém vida discreta longe da exposição pública

Por Gazeta do Paraná

Justiça nomeia Suzane von Richthofen inventariante de herança milionária do tio Créditos: Reprodução

O processo de inventário do tio milionário reabriu uma história que o Brasil conhece há mais de vinte anos e que parecia adormecida. A decisão judicial que colocou Suzane von Richthofen como inventariante do espólio trouxe de volta ao noticiário um sobrenome que, desde 2002, carrega peso simbólico próprio.

A função, em tese, é administrativa: organizar documentos, conservar bens, prestar contas, representar o espólio em juízo. Na prática, o cargo veio cercado de restrições severas. Suzane não pode vender imóveis, movimentar valores, transferir patrimônio ou utilizar recursos sem autorização judicial. Qualquer ato depende de aval do juiz. Administra, mas não dispõe. Responde, mas não decide sozinha.

A medida foi acompanhada de cautela. Pessoas próximas ao falecido relataram à Justiça suspeitas de retirada de objetos da residência antes do avanço do inventário. Uma empresária ligada ao círculo do empresário afirma que bens teriam sido levados da casa, o que acirrou a disputa e reforçou a necessidade de controle rigoroso sobre o espólio. O resultado é um inventário sob vigilância constante.

O episódio chama atenção não apenas pelo valor envolvido, mas pela coincidência incômoda: a mulher condenada por matar os pais em um crime motivado por herança volta a figurar no centro de outra partilha patrimonial.

 

O passado é incontornável

Em 31 de outubro de 2002, Suzane facilitou a entrada do namorado, Daniel Cravinhos, e do irmão dele, Cristian Cravinhos, na casa da família, no bairro Campo Belo, em São Paulo. Manfred e Marísia von Richthofen foram assassinados enquanto dormiam. O trio tentou simular um latrocínio. A encenação ruiu rapidamente. A investigação concluiu que o crime tinha como pano de fundo o desejo de liberdade para o relacionamento e o acesso ao patrimônio dos pais. A condenação ultrapassou 39 anos de prisão.

Depois de anos no regime fechado e semiaberto, Suzane progrediu para o regime aberto em 2023. Tentou reconstruir a rotina longe dos holofotes, estudou, buscou trabalho, formou família e teve um filho. Levava vida discreta até o inventário do tio recolocar seu nome nas manchetes.

 

O outro herdeiro

Mas essa história não envolve apenas ela. Há um outro herdeiro direto, que quase nunca aparece quando o caso ressurge: Andreas von Richthofen, o irmão mais novo.

Se Suzane retorna periodicamente ao noticiário, Andreas seguiu o caminho inverso. Tinha 15 anos quando os pais foram mortos. Dormia na mesma casa naquela noite. Em questão de dias, perdeu pai, mãe e, na prática, a própria irmã. Além do luto, enfrentou a exposição pública massiva de um caso que virou obsessão nacional. O sobrenome passou a ser manchete diária, e a adolescência virou espetáculo involuntário. Desde então, ele escolheu o silêncio.

Mudou de rotina, afastou-se da mídia, recusou entrevistas e construiu vida privada longe de qualquer associação pública ao caso. Não mantém presença pública, evita aparições e trabalha fora do radar. Pessoas próximas descrevem uma existência discreta, sem vínculos com o passado judicial da família.

No campo jurídico, Andreas também tomou medidas duras. Ele buscou impedir que Suzane tivesse acesso à herança dos pais assassinados. A Justiça reconheceu a indignidade sucessória, entendimento que afasta da partilha quem tenha participado do crime que causou a morte do autor da herança. Assim, ele se tornou o único sucessor do patrimônio do casal.

Esse histórico ajuda a explicar a tensão que ronda qualquer nova disputa envolvendo bens da família. O inventário do tio não é apenas uma formalidade burocrática. É mais um capítulo sensível para quem passou a vida tentando se desvincular do episódio de 2002. Andreas acompanha o processo, mas mantém a postura habitual: nenhuma declaração pública, nenhuma exposição, nenhuma tentativa de protagonismo.

O contraste entre os dois irmãos é evidente. Ela reaparece, ainda que involuntariamente, em processos judiciais que atraem atenção. Ele se afasta, preservando a própria história fora das manchetes.

Enquanto Suzane administra um espólio sob limitações judiciais, Andreas segue tentando algo mais simples e talvez mais difícil: viver sem que o passado o alcance a cada nova notícia.

Mesmo assim, sempre que a palavra “herança” volta a se cruzar com o sobrenome Richthofen, os dois nomes retornam juntos, ainda que um deles prefira, há mais de duas décadas, permanecer fora de cena.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp