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Itaipu Binacional investe US$ 670 milhões em plano de modernização tecnológica de 14 anos Créditos: Itaipu/Divulgação

Itaipu Binacional investe US$ 670 milhões em plano de modernização tecnológica de 14 anos

Hidrelétrica binacional atende 88% do consumo paraguaio e 7% da demanda brasileira; plano de atualização tecnológica de US$ 670 milhões prepara usina para as próximas décadas

A usina de Itaipu Binacional completou nesta terça-feira (5) 42 anos de operação contínua, consolidando-se como uma das maiores produtoras de energia do mundo. A data marca o início da geração da primeira unidade, em 1984, e chega acompanhada de um número histórico: mais de 3,1 bilhões de megawatts-hora (MWh) produzidos desde então, um recorde reconhecido pelo Guinness.

Administrada conjuntamente por Brasil e Paraguai, a hidrelétrica opera atualmente com 20 unidades geradoras e potência instalada de 14 mil megawatts (MW), capacidade atingida após a entrada das duas últimas máquinas, em 2006 e 2007. Ao longo dessas quatro décadas, Itaipu se consolidou como peça-chave para o abastecimento energético da região.

Em 2025, a usina gerou 72.879.287 MWh, volume suficiente para atender cerca de 7% da demanda brasileira e aproximadamente 88% do consumo do Paraguai. A taxa de disponibilidade das unidades geradoras chegou a 96,29% no período, índice superior à meta interna de 94%, o que evidencia a confiabilidade operacional do empreendimento.

O diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri, destaca que os números reforçam o papel estratégico da usina para os dois países. “Itaipu entrega uma energia limpa, de qualidade, com baixo custo e responsabilidade socioambiental. Isso tudo graças a uma equipe técnica altamente qualificada e comprometida com os resultados”, afirmou.

A trajetória de crescimento da produção energética demonstra a evolução da usina ao longo do tempo. Foram necessários 17 anos para que Itaipu alcançasse o primeiro bilhão de MWh, em junho de 2001, período marcado pela crise de racionamento no Brasil. O segundo bilhão foi atingido pouco mais de 11 anos depois, e o terceiro veio após mais 11 anos e sete meses. O maior pico anual ocorreu em 2016, quando a usina registrou 103,1 milhões de MWh gerados.

Nos últimos anos, o papel de Itaipu no sistema elétrico também passou por mudanças, acompanhando a transformação da matriz energética brasileira. A ampliação do uso de fontes renováveis intermitentes, como energia solar e eólica, alterou a dinâmica de geração e consumo, exigindo maior flexibilidade das hidrelétricas.

Nesse contexto, Itaipu tem assumido uma função estratégica no atendimento das chamadas rampas de carga, especialmente no fim do dia, quando a geração solar diminui e o consumo aumenta. Segundo o diretor técnico da usina, Renato Sacramento, essa capacidade funciona como um suporte essencial ao sistema. “Trata-se de uma característica comum às hidrelétricas, mas o porte de Itaipu amplia de forma relevante sua capacidade de apoiar o atendimento às rampas de carga, funcionando como uma espécie de bateria do sistema”, explicou.

Para manter os índices de desempenho e garantir a operação eficiente nas próximas décadas, a usina passa por um amplo processo de modernização. O plano de atualização tecnológica, iniciado em 2022, prevê investimentos de cerca de 670 milhões de dólares e deve se estender por 14 anos.

Entre as melhorias previstas estão a substituição de sistemas de controle e proteção das 20 unidades geradoras, modernização da subestação isolada a gás, atualização de serviços auxiliares e melhorias em estruturas como vertedouro e barragem. Também está incluída a modernização da Subestação da Margem Direita.

Equipamentos eletromecânicos de grande porte, como turbinas, rotores e estatores, não fazem parte dessa atualização, uma vez que ainda apresentam condições operacionais adequadas e longa vida útil.

De acordo com Renato Sacramento, o objetivo é preparar a usina para novos desafios energéticos. “O objetivo é simples: preservar os bons resultados e preparar Itaipu para os próximos desafios, com tecnologia de ponta, processos bem estruturados e segurança operacional”, afirmou.

Com mais de quatro décadas de operação contínua, Itaipu segue como um dos principais pilares da geração de energia limpa na América do Sul, combinando alta capacidade produtiva, confiabilidade e adaptação às novas demandas do setor elétrico.

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