Investigação apura instalação de câmeras sem documentação técnica completa no Programa Olho Vivo
Despacho aponta ausência de projetos executivos, ARTs, inventário patrimonial e documentos sobre ocupação de postes e outros bens públicos
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Sesp
Além de investigar o planejamento e a escolha da tecnologia do Programa Olho Vivo, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) também concentra esforços na forma como a estrutura física do sistema foi implantada. Despacho do conselheiro Fernando Augusto Mello Guimarães revela que permanecem pendentes documentos considerados essenciais para comprovar a regularidade da instalação das câmeras de videomonitoramento, levando o Tribunal a manter aberta a fase de instrução do processo.
Leia também:
TCE confirma investigação sobre contratação da Google no Programa Olho Vivo
Investigação do TCE confirma falta de estudos para escolha da tecnologia do Olho Vivo
Entre os pontos destacados pelo relator está a ausência de documentação que demonstre, de forma completa, como foi conduzida a implantação física do programa. Segundo o despacho, ainda precisam ser apresentados elementos que permitam verificar quem autorizou a instalação dos equipamentos, quais critérios técnicos orientaram a definição dos locais das câmeras e quais profissionais responderam tecnicamente pela execução dos serviços.
O Tribunal também registra que permanecem pendentes documentos como projetos executivos, Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs), registros de aquisição dos equipamentos e documentação patrimonial das câmeras instaladas. Para o relator, essas informações são indispensáveis para verificar a regularidade da implantação do sistema e a adequada gestão do patrimônio público.
Outro aspecto que permanece sob análise é a utilização de postes e outros bens públicos para instalação dos equipamentos. O despacho aponta que ainda será necessário esclarecer quais órgãos autorizaram essas ocupações, quais documentos respaldaram as instalações e se houve observância das exigências técnicas e administrativas aplicáveis a esse tipo de intervenção.
A decisão também menciona dúvidas sobre a localização dos equipamentos e sobre a existência de documentação que demonstre o planejamento da implantação em cada município. Segundo o relator, essas informações são relevantes para reconstruir todas as etapas de execução do projeto e verificar se a expansão da rede de monitoramento observou critérios técnicos previamente definidos.
Em outro trecho, o despacho registra que ainda não foram apresentados documentos suficientes para comprovar o inventário patrimonial dos equipamentos, sua origem, o registro de aquisição e demais informações relacionadas ao controle do patrimônio público. O Tribunal considera que essas lacunas documentais impedem, neste momento, uma conclusão definitiva sobre a regularidade da implantação física do Programa Olho Vivo.
Diante desse cenário, o conselheiro Fernando Augusto Mello Guimarães determinou a continuidade da instrução processual, com a realização de novas diligências e apresentação de documentação complementar. Entre as medidas adotadas está uma nova intimação do então superintendente-geral de Governança de Serviços e Dados, Leandro Victorino de Moura, para prestar esclarecimentos adicionais sobre pontos específicos da investigação. O despacho ressalta que a apuração permanece em fase de instrução e que ainda não há julgamento de mérito sobre a denúncia.
Créditos: Redação
