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Durigan pede cautela na promulgação de PEC dos agentes de saúde por temor de impacto bilionário nas contas públicas

Ministro da Fazenda solicita que Congresso adie promulgação da proposta para calcular custos da aposentadoria especial

Por Gazeta do Paraná

Durigan pede cautela na promulgação de PEC dos agentes de saúde por temor de impacto bilionário nas contas públicas Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, pediu nesta quarta-feira (15) ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que adie a promulgação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria regras especiais de aposentadoria para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias. A principal preocupação do governo federal é o impacto fiscal da medida, que pode chegar a até R$ 30 bilhões ao longo da próxima década.

A PEC foi aprovada pelo Senado na terça-feira (14) e agora depende apenas da promulgação pelo Congresso Nacional para entrar em vigor. Antes disso, porém, o Ministério da Fazenda defende que União, estados e municípios tenham tempo para avaliar os custos da nova regra previdenciária.

Após reunião com Alcolumbre, Durigan afirmou que solicitou cautela na condução do processo. Segundo ele, é necessário dimensionar os efeitos financeiros da proposta, que não afetará apenas os cofres da União, mas também os orçamentos estaduais e municipais.

"O pedido foi para que o presidente Alcolumbre avaliasse o melhor momento para a promulgação, permitindo que União, estados e municípios possam calcular o impacto da medida", afirmou o ministro.

Custo preocupa governo

De acordo com estimativas do Ministério da Previdência Social, a criação do novo regime previdenciário poderá gerar um custo entre R$ 27 bilhões e R$ 30 bilhões nos próximos dez anos. A equipe econômica avalia que a PEC cria despesas permanentes sem indicar uma fonte de financiamento, o que pode comprometer o equilíbrio das contas públicas.

Durigan revelou que já recebeu manifestações de preocupação de prefeitos e governadores sobre os efeitos da proposta. Segundo ele, dispositivos como a garantia de paridade e integralidade dos benefícios representam despesas adicionais que precisarão ser suportadas pelos entes federativos.

Na avaliação do ministro, conhecer previamente o impacto financeiro é fundamental para que estados e municípios possam se planejar e evitar dificuldades fiscais futuras.

Governo pode recorrer ao STF

A preocupação da Fazenda não é nova. Ainda antes da votação da PEC no Senado, Durigan já havia sinalizado que o governo poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso a proposta seja promulgada sem a indicação de uma fonte de compensação para o aumento das despesas previdenciárias.

O argumento é de que tanto a Constituição Federal quanto a Lei de Responsabilidade Fiscal exigem que toda criação de gasto permanente seja acompanhada da previsão de receitas capazes de financiá-lo.

O que muda

A PEC estabelece um regime previdenciário específico para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias, reconhecendo as condições diferenciadas de trabalho desses profissionais.

Entre as principais mudanças está a possibilidade de aposentadoria após 25 anos de efetivo exercício da função e de contribuição previdenciária, além da fixação de idade mínima de 57 anos para mulheres e 60 anos para homens. O texto também cria regras de transição, assegura paridade e integralidade dos benefícios e estende os direitos aos agentes indígenas de saúde e aos agentes indígenas de saneamento.

Atualmente, esses trabalhadores seguem as regras gerais da Previdência Social estabelecidas pela reforma de 2019. A aposentadoria especial depende da comprovação de exposição permanente a agentes nocivos e do cumprimento dos requisitos previstos na legislação.

Enquanto o Congresso se prepara para promulgar a emenda, o governo tenta ganhar tempo para mensurar seus efeitos fiscais e decidir se levará a discussão ao STF, numa tentativa de evitar que a nova regra entre em vigor sem uma solução para o financiamento dos custos adicionais.

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