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Almoço mais caro do país: prato feito chega a R$ 34,90 no Sul

Pesquisa aponta que a Região Sul tem o prato feito mais caro do país. Alta dos alimentos, combustíveis, mão de obra e logística explicam preços

Por Gazeta do Paraná

Almoço mais caro do país: prato feito chega a R$ 34,90 no Sul Créditos: Antonio Cruz/Agência Brasil

O tradicional prato feito, opção mais popular para quem almoça fora de casa, ficou significativamente mais caro em 2026 e a Região Sul lidera esse aumento. Dados do Índice Prato Feito (IPF), elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio de São Paulo (FAC-SP), mostram que o preço médio da refeição chegou a R$ 34,90 nos estados do Sul em junho, o maior valor entre todas as regiões brasileiras e acima da média nacional, que ficou em R$ 31,90.

O levantamento revela que o preço do prato feito subiu 7,2% em relação a janeiro, quando custava, em média, R$ 29,77, e avançou 5,4% na comparação com março. Na prática, um trabalhador que almoça fora durante os 20 dias úteis do mês desembolsa aproximadamente R$ 698 na Região Sul, quase R$ 60 a mais do que a média nacional, estimada em R$ 638.

Além de liderar o ranking nacional, o Sul aparece à frente até mesmo do Centro-Oeste, onde o prato feito custa, em média, R$ 34,45. Na sequência aparecem o Sudeste (R$ 31,99), Nordeste (R$ 30,00) e Norte (R$ 29,99), região que registra o menor valor do país. A diferença entre o Sul e o Norte chega a 16,4%.

Segundo a FAC-SP, diversos fatores ajudam a explicar essa disparidade regional. Custos mais elevados de aluguel de imóveis comerciais, mão de obra, transporte de mercadorias, logística e até o perfil de consumo da população influenciam diretamente o preço final cobrado pelos restaurantes. Em cidades de médio e grande porte do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, por exemplo, a elevação das despesas operacionais tem pressionado os estabelecimentos a reajustar os cardápios para manter a rentabilidade.

O economista Rodrigo Simões, responsável pelo estudo, afirma que a inflação dos alimentos foi apenas um dos componentes responsáveis pela alta. O aumento dos combustíveis, impulsionado pela instabilidade internacional e pela guerra no Oriente Médio, também elevou os custos de distribuição de produtos e do funcionamento dos restaurantes. Soma-se a isso o reajuste dos salários e demais despesas com pessoal.

Os próprios alimentos básicos que compõem o prato feito ficaram mais caros ao longo do primeiro semestre. Dados do IBGE mostram que tubérculos, raízes e legumes acumularam inflação de 67,71% no período. O feijão-carioca, ingrediente indispensável na mesa dos brasileiros, subiu 52,82%, enquanto hortaliças e verduras registraram alta de 13,91%. As carnes também ficaram mais caras, com aumento de 5,6%. Apenas o arroz apresentou leve queda nos preços, acumulando deflação de 0,51%.

A expectativa para os próximos meses ainda inspira cautela. Especialistas alertam que a formação do fenômeno El Niño poderá alterar o regime de chuvas em importantes regiões produtoras, afetando a oferta agrícola e pressionando novamente os preços dos alimentos. Além disso, a continuidade das tensões geopolíticas pode manter elevados os custos de combustíveis e fertilizantes, impactando toda a cadeia de produção e distribuição.

Diante desse cenário, a avaliação dos economistas é de que o prato feito ainda deve sofrer novos reajustes até o fim do ano. Para consumidores da Região Sul, onde o almoço já é o mais caro do país, a tendência representa um desafio adicional para o orçamento das famílias e dos trabalhadores que dependem diariamente das refeições servidas em restaurantes.

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