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Henry Borel: Defesa de Jairinho adia júri e juíza determina soltura imediata de Monique Medeiros

Após advogados de Dr. Jairinho abandonarem o Tribunal do Júri, juíza dissolve conselho de sentença e considera prisão de Monique "constrangimento ilegal". Novo julgamento foi marcado para maio

Henry Borel: Defesa de Jairinho adia júri e juíza determina soltura imediata de Monique Medeiros Créditos: CNN/Reprodução

A Justiça do Rio de Janeiro determinou, nesta segunda-feira (23), a soltura de Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel. A decisão foi tomada após o adiamento do julgamento do caso, provocado pela saída da defesa do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, do plenário do Tribunal do Júri.

A juíza responsável pelo caso entendeu que Monique e sua defesa estavam presentes e preparadas para o julgamento e não tiveram responsabilidade pelo adiamento. Com isso, considerou que a manutenção da prisão configuraria constrangimento ilegal por excesso de prazo.

Na decisão, a magistrada autorizou a expedição de alvará de soltura para Monique. Já a prisão preventiva de Dr. Jairinho foi mantida. A juíza também classificou a atitude da defesa do ex-parlamentar como “protelatória e atentatória contra a dignidade da justiça”.

O julgamento estava previsto para começar nesta segunda-feira no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, mas foi interrompido antes mesmo da fase de oitivas.

O adiamento ocorreu após a defesa de Jairinho alegar falta de acesso completo às provas do processo. Segundo os advogados, documentos e dados solicitados desde agosto de 2025 não foram integralmente disponibilizados.

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Um dos defensores, Rodrigo Faucz, afirmou que não havia condições de continuidade do julgamento. “A defesa solicitou essas provas no dia 12 de agosto de 2025. A juíza mandou nos entregar. Recebemos apenas informações parciais. Querem colocar a opinião pública, mais uma vez, contrária. Isso é um absurdo”, declarou.

Após o indeferimento do pedido de adiamento pela juíza Elizabeth Machado Louro, os advogados abandonaram o plenário. Com isso, o Conselho de Sentença foi dissolvido e o julgamento remarcado para o dia 25 de maio.

A defesa de Monique Medeiros se posicionou contra o adiamento e defendia a continuidade do julgamento.

O caso envolve a morte de Henry Borel, de 4 anos, ocorrida na madrugada de 8 de março de 2021, em um apartamento na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, onde a criança morava com a mãe e o padrasto.

Na época, o menino chegou a ser levado a um hospital particular, e o casal alegou que ele teria sofrido um acidente doméstico. No entanto, o laudo do Instituto Médico-Legal apontou que Henry apresentava 23 lesões pelo corpo, com hemorragia interna e laceração hepática como causas da morte.

As investigações da Polícia Civil indicaram que a criança era vítima de agressões frequentes. De acordo com o inquérito, o padrasto praticava atos de violência física e a mãe tinha conhecimento das agressões.

O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou os dois por homicídio triplamente qualificado, tortura e fraude processual. Jairinho responde como autor das agressões, enquanto Monique é acusada de omissão.

Segundo a denúncia, no dia da morte, “Jairo Santos Júnior, com vontade livre e consciente, mediante ação contundente exercida contra a vítima, causou-lhe lesões corporais que foram a causa única de sua morte, tendo a mãe, Monique Medeiros, garantidora legal da vítima, se omitido de sua responsabilidade”.

O MPRJ também aponta que, em pelo menos três ocasiões anteriores, no mês de fevereiro de 2021, Henry foi submetido a violência física e psicológica.

O pai da criança, Leniel Borel, esteve no Fórum de Justiça e falou sobre a expectativa pelo julgamento. “A condenação é o mínimo para aqueles dois monstros. Três pessoas entraram vivas no apartamento. Depois dois adultos e uma criança saíram mortos. O que aconteceu com o meu filho naquele apartamento? Eu acho que eles não vão falar o que ocorreu”, disse.

Para o advogado assistente de acusação, Cristiano Medina da Rocha, as provas reunidas no processo não deixam dúvidas sobre a responsabilidade dos acusados. “Não há dúvida alguma de que Jairo torturou de forma cruel o Henry Borel. Esse crime aconteceu pelo fato de Monique Medeiros ter abdicado do seu dever sagrado de proteger o seu filho”, afirmou.

Os dois foram presos em abril de 2021 e permaneciam detidos até a decisão desta segunda-feira, que colocou Monique em liberdade.

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