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Gilmar propõe súmula para barrar ‘pautas-bomba’ e ampliar controle sobre gastos públicos

Ministro do STF quer consolidar entendimento que considera inconstitucionais leis que criem despesas ou concedam benefícios fiscais sem estimativa de impacto e compensação financeira; proposta surge em meio a embates entre Congresso e equipe econômica

Por Gazeta do Paraná

Gilmar propõe súmula para barrar ‘pautas-bomba’ e ampliar controle sobre gastos públicos Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Gilmar Mendes encaminhou ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, uma proposta de súmula destinada a consolidar o entendimento da Corte sobre a responsabilidade fiscal na elaboração de leis. O texto prevê que normas que criem despesas obrigatórias, concedam benefícios fiscais ou provoquem renúncia de receitas sem estimativa prévia de impacto orçamentário e financeiro e sem medidas compensatórias sejam consideradas inconstitucionais.

A iniciativa surge em um momento de crescente preocupação da equipe econômica com a aprovação, pelo Congresso Nacional, de projetos capazes de produzir forte impacto nas contas públicas. A proposta foi apresentada após reunião entre Gilmar, Fachin e o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, que levou ao STF preocupações relacionadas às chamadas “pautas-bomba” aprovadas pelo Legislativo.

Na prática, Gilmar pretende transformar em súmula vinculante uma jurisprudência que o próprio Supremo já vem consolidando ao longo dos últimos anos. O texto sugerido estabelece que o artigo 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias deve ser aplicado à União, estados, Distrito Federal e municípios, tornando inconstitucional qualquer medida que gere impacto fiscal sem a devida compensação prevista na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Caso seja aprovada pelo plenário, a súmula terá efeitos muito além dos processos em tramitação no STF. Como instrumento vinculante, ela passará a orientar decisões judiciais em todo o país e servirá de parâmetro para a atuação dos Poderes Executivo e Legislativo em todas as esferas federativas. Na prática, governadores, prefeitos, assembleias legislativas e câmaras municipais também ficarão submetidos ao entendimento consolidado pela Corte.

A movimentação ocorre em meio a uma disputa cada vez mais intensa entre a busca por equilíbrio fiscal e a pressão política por medidas de impacto social ou econômico. Um dos exemplos recentes foi a aprovação, pelo Senado, de um programa de renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos e geopolíticos. Segundo estimativas citadas durante o debate, a medida pode representar impacto de até R$ 140 bilhões ao longo de uma década.

Embora apresentada sob o argumento da responsabilidade fiscal, a proposta também reacende uma discussão mais ampla sobre os limites da atuação do Judiciário em temas orçamentários. Críticos poderão argumentar que uma súmula vinculante desse tipo fortalece ainda mais o papel do STF na fiscalização de decisões tomadas pelo Congresso, enquanto defensores sustentam que a medida apenas consolida exigências já previstas na Constituição e na Lei de Responsabilidade Fiscal.

Nos bastidores de Brasília, a iniciativa é vista como uma resposta institucional ao avanço de projetos que ampliam gastos públicos sem indicar claramente de onde sairão os recursos necessários para financiá-los. Se aprovada, a súmula poderá se tornar uma das mais relevantes ferramentas de controle fiscal já produzidas pelo Supremo, criando uma barreira jurídica permanente contra propostas legislativas que aumentem despesas ou reduzam receitas sem a correspondente compensação financeira.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp