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Gaeco cumpre 304 mandados de prisão contra facção criminosa que atua a partir de presídios

Deflagrada pelo MPPR, a Operação Panóptico mobilizou cerca de mil policiais em 35 municípios paranaenses, incluindo Cascavel, para desarticular organização ligada a presídios

Gaeco cumpre 304 mandados de prisão contra facção criminosa que atua a partir de presídios Créditos: Divulgação / Gaeco

Uma operação coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR), cumpriu nesta segunda-feira (16) centenas de ordens judiciais contra integrantes de uma organização criminosa com atuação nacional. A Operação Panóptico teve como alvo o Primeiro Comando da Capital (PCC), que segundo as investigações, continua comandando atividades criminosas a partir de unidades prisionais.

Ao todo, foram expedidos 304 mandados de prisão e 255 mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. A ação mobilizou cerca de mil policiais e contou com a participação de equipes da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica.

Grande parte das medidas judiciais foi cumprida no Paraná, onde as ordens alcançaram 35 municípios, entre eles Cascavel, Curitiba, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Paranaguá, Guarapuava, Umuarama, Ponta Grossa, São José dos Pinhais e Telêmaco Borba. Também houve diligências em Naviraí (MS), Joinville (SC), Bauru (SP) e Itapecerica da Serra (SP).

Segundo o MPPR, a operação é resultado de investigações conduzidas pelos dez núcleos regionais do Gaeco no Estado desde o final do ano passado. O objetivo é responsabilizar integrantes da facção, reunir novas provas e impedir a continuidade das atividades criminosas.

Presídios concentraram parte das ações

Dos 304 mandados de prisão expedidos, 176 foram direcionados a pessoas que já estavam presas e foram cumpridos integralmente dentro de estabelecimentos penais. Já entre os 128 mandados destinados a investigados em liberdade, 97 haviam sido cumpridos até a divulgação do balanço parcial da operação.

Os 255 mandados de busca e apreensão também foram executados, sendo 92 deles em unidades prisionais.

Drogas, armas e dinheiro foram apreendidos

Durante as diligências, as equipes apreenderam aproximadamente 1,2 quilo de cocaína, 670 gramas de crack e 700 gramas de maconha.

Também foram recolhidas oito armas de fogo, entre elas duas pistolas calibre 9 milímetros, uma pistola calibre 7.65, uma pistola calibre .22, uma espingarda calibre 36 e três revólveres calibre .38. Os policiais ainda apreenderam três carregadores de pistola.

Além disso, cerca de R$ 12 mil em dinheiro foram encontrados durante a operação.

Em Curitiba, os agentes localizaram um imóvel utilizado para preparação e manipulação de entorpecentes. No local havia uma prensa e materiais usados no processamento das drogas. Também foi encontrado um equipamento destinado ao bloqueio de sinais de tornozeleiras eletrônicas.

Prisões em flagrante e confrontos

Durante a operação, foram registradas quatro prisões em flagrante por tráfico de drogas e duas por obstrução à Justiça, em casos relacionados à destruição de aparelhos celulares.

Dois confrontos com suspeitos também foram registrados.

Em Cambé, um homem que possuía dois mandados de prisão em aberto, um por tráfico de drogas e outro por roubo associado ao tráfico, morreu após reagir à abordagem policial. Na mesma ocorrência, um policial militar foi atingido por um disparo na mão e sofreu lesão ocular. Ele recebeu atendimento médico e não corre risco.

Já em Nova Londrina, outro suspeito investigado por participação na organização criminosa também morreu após reagir à ação policial.

Nome faz referência à vigilância constante

De acordo com o Ministério Público, o nome da operação faz referência ao conceito de "panóptico", termo derivado do grego que significa "aquilo onde tudo é visto". A expressão foi popularizada pelo filósofo Michel Foucault na obra Vigiar e Punir, ao descrever estruturas que permitem monitoramento permanente de uma ampla área.

Operação integra estratégia nacional

A Operação Panóptico integra as diretrizes do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que reúne os Gaecos de todo o país.

Criado em 2002, o grupo atua de forma integrada com forças policiais e órgãos de inteligência para combater organizações criminosas que operam em diferentes estados brasileiros.

Segundo o MPPR, os números divulgados são preliminares e podem ser atualizados à medida que as equipes concluam as diligências em andamento.

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