Governo federal trata fim da escala 6×1 como prioridade, afirma Gleisi Hoffmann
Ministra diz que Executivo pode unificar propostas em tramitação no Congresso e aposta em aprovação ainda no primeiro semestre
Créditos: Jefferson Rudy/Agência Senado
O fim da escala de trabalho 6×1 entrou oficialmente no rol de prioridades do Governo Federal. A informação foi confirmada pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, durante entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (28), em Brasília. Segundo ela, o Executivo avalia enviar um projeto para unificar as propostas já em tramitação no Congresso Nacional e acelerar a votação.
De acordo com a ministra, a expectativa do governo é de que a mudança seja aprovada ainda no primeiro semestre deste ano. Para Gleisi, o tema está diretamente ligado à qualidade de vida dos trabalhadores e faz parte de um conjunto de medidas sociais já adotadas pela gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Depois da correção real do salário mínimo, da geração de empregos e da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil, chegou a hora de cuidar da qualidade de vida do povo brasileiro”, afirmou.
A ministra destacou que a escala 6×1 impõe limites excessivos à vida pessoal e familiar dos trabalhadores, sobretudo das mulheres. “Não é razoável que as pessoas tenham apenas um dia na semana para descanso e para resolver questões domésticas e pessoais. Isso afeta diretamente a vida das mulheres. O presidente Lula está determinado a avançar nessa pauta”, disse.
Apoio político e popular
Gleisi Hoffmann avaliou que há ambiente político favorável para o avanço da proposta no Congresso. Segundo ela, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, demonstra disposição em colocar o tema em debate, e cabe ao governo articular para garantir a aprovação.
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Na avaliação da ministra, o apoio da opinião pública tende a pressionar o Parlamento, assim como ocorreu com a aprovação da isenção do imposto de renda para salários mais baixos. “Foi um projeto aprovado por unanimidade nas duas Casas. Quando há respaldo popular e clareza na proposta, o Congresso se mostra sensível”, afirmou, lembrando que setores produtivos, como a indústria, já adotam escalas diferenciadas.
Agenda legislativa de 2026
Com a retomada dos trabalhos legislativos marcada para 2 de fevereiro, o fim da escala 6×1 aparece entre as prioridades do governo para o ano. Gleisi também citou outros temas centrais da agenda do Executivo, como a aprovação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, a regulamentação do trabalho por aplicativos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o projeto de lei antifacção.
Além disso, o governo trabalha pela aprovação de medidas provisórias, entre elas a criação do programa Gás do Povo e do Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter no Brasil (Redata).
Outro ponto citado pela ministra é a articulação para manter o veto do presidente Lula ao projeto conhecido como PL da Dosimetria, aprovado em dezembro pelo Congresso. A proposta reduz penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.
“Nós estamos dialogando com líderes e parlamentares. Nosso objetivo é manter o veto. O processo de responsabilização ocorreu dentro do devido processo legal e tem caráter pedagógico. Qualquer alteração nesse momento seria ruim para a democracia e para o Estado Democrático de Direito”, defendeu.
Combate à violência contra a mulher
Gleisi também anunciou que os Três Poderes devem assinar, no próximo dia 4 de fevereiro, um pacto nacional de enfrentamento ao feminicídio. O combate à violência contra a mulher passou a integrar formalmente a agenda de prioridades do presidente Lula, que tem se manifestado publicamente sobre o tema.
Emendas parlamentares
Ao comentar a relação com o Congresso, a ministra afirmou que a questão das emendas parlamentares está pacificada. O Orçamento de 2026 prevê cerca de R$ 61 bilhões em emendas, sendo aproximadamente R$ 37,8 bilhões em emendas impositivas, de execução obrigatória.
Segundo Gleisi, o governo pretende antecipar o pagamento de pelo menos 65% dessas emendas até julho, especialmente aquelas de transferência fundo a fundo ou direta. “Não há compromisso de execução de emendas que dependam de convênios ou de emendas de comissão”, explicou.
As emendas parlamentares são instrumentos de destinação de recursos do orçamento público por deputados e senadores e seguem sob debate no Supremo Tribunal Federal em relação à transparência, especialmente após a controvérsia do chamado orçamento secreto.
Caso Banco Master
Durante a entrevista, Gleisi Hoffmann também comentou as investigações envolvendo fraudes financeiras no Banco Master. Segundo ela, há uma tentativa da oposição de associar o governo e autoridades federais ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono da instituição.
A ministra citou reportagens que mencionam encontros do presidente Lula com Vorcaro em dezembro de 2024 e afirmou que isso faz parte da rotina institucional do cargo. “O presidente recebe representantes de diversos setores da sociedade. O que importa é que houve orientação para que o caso fosse acompanhado com rigor técnico e dentro da lei”, afirmou.
Sobre o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, Gleisi lembrou que ele atuou como consultor jurídico do Banco Master após deixar o Supremo Tribunal Federal, em abril de 2023, e que encerrou qualquer vínculo ao assumir cargo no governo federal.
“Não há irregularidade em contratos privados de consultoria. Ao assumir o ministério, ele se desvinculhou de todos os contratos, como determina a lei”, disse.
A ministra destacou ainda que foi durante a gestão de Lewandowski no Ministério da Justiça que avançaram as investigações da Polícia Federal, culminando na prisão do presidente do Banco Master. “O governo foi firme. A fiscalização do Banco Central e a atuação da Polícia Federal ocorreram justamente nesse período”, reforçou.
Em novembro de 2025, Daniel Vorcaro foi alvo da Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos falsos pelo Banco Master, inclusive em uma tentativa de compra da instituição pelo BRB. As fraudes apuradas podem chegar a R$ 17 bilhões.
Para Gleisi Hoffmann, a oposição tem mais explicações a dar do que o governo, citando o envolvimento do BRB e suspeitas de operações da Rioprevidência com o Banco Master. Os governadores do Distrito Federal e do Rio de Janeiro, Ibaneis Rocha e Cláudio Castro, respectivamente, fazem oposição ao governo Lula.
