Créditos: Claudio Neves/Portos do Paraná
Exportações do Brasil para os EUA sobem 12,1% em agosto
Vendas aos Estados Unidos chegaram a US$ 3,19 bilhões em agosto, mas volume exportado caiu 3,1%; na União Europeia, embarques cresceram 46,4% no mês
As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,19 bilhões em agosto, primeiro mês de vigência das novas tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. O valor representa alta de 12,1% em relação a agosto de 2025, quando as vendas chegaram a US$ 2,845 bilhões.
Segundo Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o crescimento foi impulsionado principalmente pela valorização dos produtos exportados para o mercado norte-americano.
“Esse aumento das exportações brasileiras no mês está calcado pelo crescimento de preços da exportação para os Estados Unidos, de 8,6%”, afirmou Brandão ao apresentar os dados da balança comercial de agosto.
Entre os produtos que mais contribuíram para o aumento do valor exportado estão aeronaves e outros equipamentos, carne bovina, produtos inacabados de ferro ou aço, cal, cimento e materiais de construção, tubos de ferro ou aço, celulose e café.
Aeronaves e carne bovina estão entre os produtos que ficaram fora das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos.
Volume exportado aos EUA cai 3,1%
Apesar do aumento de 8,6% no preço médio dos produtos vendidos aos Estados Unidos, o volume exportado pelo Brasil caiu 3,1% em agosto.
No acumulado de janeiro a agosto, a redução chega a 13,6% no volume embarcado. Em valor, as exportações recuaram 9,7% e somaram US$ 24,105 bilhões no período.
As importações brasileiras de produtos norte-americanos também diminuíram nos oito primeiros meses do ano. Foram US$ 27,316 bilhões, queda de 8,6% em comparação com o mesmo período de 2025.
Com exportações menores que as importações, o Brasil acumulou déficit comercial de US$ 3,211 bilhões com os Estados Unidos entre janeiro e agosto.
Somente em agosto, as compras brasileiras de produtos dos Estados Unidos cresceram 1,1%, para US$ 4,014 bilhões. O resultado gerou déficit de US$ 824 milhões no comércio entre os dois países no mês.
Brandão afirmou que as oscilações no comércio bilateral são esperadas diante das diferentes interferências que afetam as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
“Dadas as múltiplas interferências no comércio com os Estados Unidos, temos observado uma grande oscilação nesse fluxo, então, é esperado que tenham essas oscilações, por conta dessas interferências, não só dados os produtos diretamente afetados, quanto pelas incertezas que essas interferências geram nos agentes da economia”, avaliou.
De acordo com o Mdic, pouco mais de 20% do comércio brasileiro com os Estados Unidos foi afetado pelas tarifas.
O diretor também afirmou que ainda é cedo para avaliar se as mudanças vão provocar um redirecionamento das exportações brasileiras para outros mercados.
“Nós precisamos de um pouco mais de tempo para falar com mais segurança sobre esse efeito do redirecionamento”, disse.
Exportações para União Europeia avançam 46,4%
Enquanto as vendas para os Estados Unidos registraram oscilações, as exportações brasileiras para a União Europeia tiveram forte crescimento em agosto.
O Brasil exportou US$ 5,82 bilhões para o bloco no mês, alta de 46,4% em relação a agosto do ano passado. O volume embarcado cresceu ainda mais, 30,3%.
Petróleo, cobre, soja, óleos combustíveis, café, tabaco e carne bovina estão entre os principais produtos vendidos pelo Brasil aos países europeus.
Para Brandão, o resultado é explicado por uma combinação de fatores, incluindo as condições do mercado internacional e os efeitos do acordo entre Mercosul e União Europeia.
“São produtos que o Brasil é muito competitivo e que tem uma demanda internacional crescente”, afirmou.
O diretor também citou os possíveis efeitos do acordo entre os blocos.
“São vários fatores. Temos relatos de exportadores que já estão se beneficiando do acordo [Mercosul-UE] nesse período, mas também tem as condições de mercado e de oferta influenciando”, explicou.
Entre os fatores de mercado mencionados por Brandão estão o aumento da demanda por combustíveis provocado pelo conflito no Oriente Médio e a maior procura por cobre relacionada ao crescimento do setor de tecnologia.
Ele ponderou, no entanto, que ainda não há dados completos fornecidos pelos importadores europeus para medir com precisão o impacto do acordo entre Mercosul e União Europeia sobre as exportações brasileiras.
Brasil registra superávit de US$ 7,39 bilhões em agosto
A balança comercial brasileira fechou agosto com superávit de US$ 7,39 bilhões, crescimento de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025.
Entre os principais parceiros comerciais do Brasil, os Estados Unidos foram o único país ou bloco a registrar resultado negativo para o Brasil em agosto. O déficit chegou a US$ 824 milhões.
No acumulado de janeiro a agosto, o Brasil registrou superávit comercial de US$ 55,32 bilhões, alta de 28,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
