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Diretora de escola registra boletim de ocorrência e relata intimidação do prefeito de Foz do Iguaçu

Prefeito teria reagido de maneira exaltada, elevando o tom de voz, cerrando os punhos e se aproximando de forma considerada intimidatória após comentário da professora

Por Gazeta do Paraná

Diretora de escola registra boletim de ocorrência e relata intimidação do prefeito de Foz do Iguaçu Créditos: Christian Rizzi

Uma diretora da rede municipal de ensino de Foz do Iguaçu registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil após relatar ter sido intimidada, coagida e ameaçada pelo prefeito Joaquim Silva e Luna. O episódio teria ocorrido na manhã da última quinta-feira (29), em uma praça em frente à Escola Municipal João da Costa Viana, no bairro Três Lagoas.

Segundo informações repassadas a Gazeta do Paraná, a diretora, servidora pública concursada há 25 anos, teria se aproximado do prefeito acompanhada de outra servidora para cumprimentá-lo e convidá-lo a visitar a unidade escolar. A conversa teria começado de forma cordial, mas mudou de tom após a diretora comentar que a gestão da educação no município estaria enfrentando dificuldades.

Ainda conforme o relato, o prefeito teria reagido de maneira exaltada, elevando o tom de voz, cerrando os punhos e se aproximando fisicamente de forma considerada intimidatória. Ela afirma ainda que qualquer tentativa de explicação foi interrompida por frases rispidas do prefeito.

O relato aponta também que Silva e Luna teria feito uma ameaça relacionada à função da diretora, ao dizer: “eu nem sei se você vai ficar aí nessa escola”. A servidora afirma que se sentiu humilhada, constrangida e temerosa de possíveis represálias funcionais, mesmo ocupando cargo efetivo.

Confira a nota:


O Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi) vem a público manifestar o posicionamento histórico que tem de repúdio a qualquer forma de violência, em qualquer circunstância. 

Desde ontem (29), estamos acompanhando o caso que envolve uma diretora de unidade escolar da rede pública municipal de Foz do Iguaçu e o prefeito Joaquim Silva e Luna com a devida cautela.

Como legítimo representante dos profissionais da educação da rede municipal de Foz do Iguaçu, oferecemos toda nossa solidariedade à diretora, aos familiares dela e aos colegas de trabalho. Informamos também que a assessoria jurídica do sindicato está prestando o atendimento necessário à profissional.

O sindicato seguirá atento aos desdobramentos, dentro de suas atribuições institucionais, sempre pautado pelo respeito, pela responsabilidade e pelo compromisso com a categoria que representa.


Sinprefi - unidos e mais fortes.


A Gazeta do Paraná entrou em contato com a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Foz do Iguaçu, que se manifestou por meio de nota sobre a situação:


"A Prefeitura de Foz do Iguaçu recebeu solicitações de informação por parte de veículos de imprensa a respeito de um fato ocorrido recentemente em espaço público do município. Após apuração interna, com a oitiva de servidores presentes no local, secretários e diretores, a administração municipal vem a público prestar os devidos esclarecimentos.

Na ocasião, o prefeito Joaquim Silva e Luna realizava, na Praça das Três Lagoas, o acompanhamento dos serviços de zeladoria e manutenção do espaço, atividade que integra a rotina da gestão municipal com foco na recuperação e valorização dos espaços públicos.

Durante o acompanhamento dos trabalhos, o prefeito concedia entrevista ao repórter Leandro, da Rádio Cultura, que permaneceu no local durante toda a situação. Neste momento, uma servidora municipal se aproximou e se identificou como diretora de uma escola da rede pública. Houve um breve diálogo, no qual a servidora mencionou a escola onde atua e convidou o prefeito a conhecê-la, convite que foi acolhido de forma cordial, inclusive com referência informal a um café no local.

Instantes depois, ainda na presença de servidores e do profissional de imprensa, a servidora retornou e passou a manifestar críticas relacionadas à área da educação e à gestão, com comentários de cunho político-administrativo, de forma mais enfática.

O diálogo ocorreu em um ambiente com intenso ruído de máquinas e equipamentos utilizados nos serviços de poda e limpeza, circunstância que, conforme relatos colhidos no local, pode ter dificultado a adequada compreensão das falas.

Segundo os relatos apurados, tratou-se de uma divergência de opiniões, situação comum e legítima no ambiente democrático, especialmente em espaços públicos. Não houve qualquer contato físico ou ato de violência, tudo presenciado por servidores e pelo profissional de imprensa que acompanhava a entrevista no local.

A administração municipal considera importante esclarecer que acusações mais graves divulgadas por alguns meios, especialmente aquelas que mencionam episódios de violência, não encontram respaldo nos fatos.

Ressalta-se que esta gestão implantou políticas públicas estruturantes voltadas à proteção das mulheres, como a criação da Secretaria Municipal da Mulher, o início da construção da Casa da Mulher de Foz do Iguaçu, além da adequação e funcionamento de uma Casa Abrigo para acolhimento de mulheres vítimas de violência. Soma-se a isso o fortalecimento da atuação da Patrulha Maria da Penha, que tem apresentado resultados relevantes no atendimento, orientação e proteção de mulheres em situação de vulnerabilidade.

Com o devido cuidado no tratamento das informações, a Prefeitura de Foz do Iguaçu reafirma seu compromisso com a transparência, com o respeito aos servidores públicos e com o direito da população de ser informada de forma correta, equilibrada e responsável.

A Prefeitura de Foz do Iguaçu segue à disposição para prestar esclarecimentos adicionais por meio de seus canais oficiais de comunicação."


O caso segue em apuração pelas autoridades competentes.

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