Fortepar entra em lista de inadimplentes e recebe prazo extra para quitar dívida de R$ 5,6 milhões com Portos do Paraná
Empresa ligada a denúncias trabalhistas, questionamentos no TCE e controvérsias fundiárias no litoral paranaense foi incluída na relação oficial de devedores da autoridade portuária e, dias depois, obteve mais 30 dias para pagar o débito milionário
Por Gazeta do Paraná
Créditos: AEN
A empresa que se tornou um dos principais símbolos da expansão portuária privada no Paraná enfrenta um novo episódio de desgaste. Documentos obtidos pela Gazeta do Paraná revelam que a Fortepar Operações Portuárias S.A. foi incluída na lista oficial de inadimplentes da Portos do Paraná após deixar de pagar uma parcela de R$ 5.499.766,45 referente ao Contrato de Arrendamento nº 024/2023.
Com a incidência de multa e juros, o valor devido alcançou R$ 5.637.260,61. Um comunicado interno da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), datado de 17 de junho, informa que a empresa acumulava 15 dias de atraso e estava sujeita à aplicação de restrições operacionais previstas pela autoridade portuária.

Poucos dias depois, no entanto, a situação ganhou um novo capítulo. Em despacho assinado pelo diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia da Silva, a Fortepar obteve uma prorrogação de 30 dias para quitar a dívida. A decisão manteve a cobrança de juros, multa e correção monetária, mas deu fôlego à empresa para regularizar o débito milionário.
O novo episódio se soma a uma sequência de controvérsias que cercam a arrendatária e o grupo empresarial ao qual está ligada.
Nos últimos meses, empresas vinculadas ao grupo FTSpar foram alvo de denúncias na Justiça do Trabalho envolvendo atrasos de salários, supostas irregularidades no recolhimento do FGTS e problemas relacionados ao pagamento de benefícios aos trabalhadores.
Ao mesmo tempo, o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) analisa uma representação que questiona o contrato da Fortepar no Porto de Paranaguá. A denúncia aponta possível ampliação da área originalmente arrendada sem nova licitação e a realização de intervenções além dos limites previstos no contrato firmado com a autoridade portuária.
A expansão da empresa também foi associada a áreas que figuram em investigações fundiárias no litoral paranaense. O relatório final da CPI da Ocupação Fundiária de Pontal do Paraná descreve um histórico de sobreposição de matrículas, disputas pela titularidade de terrenos e suspeitas de grilagem justamente em regiões que hoje concentram projetos de expansão portuária.
Paralelamente, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) analisou neste ano uma operação financeira envolvendo a Fortepar, que buscou utilizar direitos creditórios decorrentes do contrato de arrendamento como garantia em uma operação de financiamento. Embora a agência tenha considerado a operação admissível do ponto de vista regulatório, fez ressalvas expressas para preservar a continuidade das operações do terminal.
A sucessão de fatos chama a atenção. Uma empresa que vem acumulando questionamentos trabalhistas, administrativos e fundiários agora aparece oficialmente na lista de devedores da própria Portos do Paraná, com uma dívida superior a R$ 5,6 milhões.
Os documentos obtidos pela reportagem deixam uma série de perguntas em aberto. A dívida já foi quitada? As restrições operacionais chegaram a ser aplicadas? A busca por operações de financiamento está relacionada a dificuldades de caixa? E, sobretudo, como uma empresa que se apresenta como protagonista da nova fase de investimentos portuários do Paraná acabou ingressando na relação oficial de inadimplentes da autoridade portuária?
Por enquanto, os documentos revelam mais uma peça de um quebra-cabeça que se torna cada vez mais complexo. A Fortepar, que nos últimos meses já havia sido associada a denúncias trabalhistas, controvérsias fundiárias e questionamentos sobre sua expansão no Porto de Paranaguá, agora também carrega o rótulo de devedora da própria autoridade portuária paranaense.
Créditos: Redação
