GCAST
Plantio da cevada atinge 44% da área e Paraná projeta safra histórica Créditos: Jaelson Lucas / AEN

Plantio da cevada atinge 44% da área e Paraná projeta safra histórica

Boletim do Deral divulgado nesta quinta-feira (11) aponta que área cultivada de cevada deve crescer 21%; técnicos monitoram impactos do El Niño e avanço do milho

O plantio da cevada já alcançou 44% da área prevista para a safra 2026 no Paraná, impulsionado pelas condições climáticas favoráveis e pela boa umidade do solo. Os dados constam no Boletim Conjuntural divulgado nesta quinta-feira (11) pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

O avanço da semeadura reforça a expectativa de uma safra histórica no Estado. A projeção é de que a área cultivada alcance 126 mil hectares neste ano, um crescimento de 21% em relação aos 104 mil hectares colhidos em 2025. Com isso, a produção estadual deverá superar 550 mil toneladas, conforme estimativas apresentadas pelo Deral no mês passado.

Apesar do cenário positivo para o plantio, os técnicos acompanham com atenção os efeitos do fenômeno El Niño, cuja formação foi confirmada nesta semana por organismos internacionais. A previsão de chuvas acima da média durante a primavera pode afetar a qualidade dos grãos no período da colheita.

O Paraná segue como o maior produtor de cevada do Brasil. O Rio Grande do Sul ocupa a segunda posição nacional, com produção estimada em cerca de 100,4 mil toneladas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção brasileira da cultura deve alcançar 678,7 mil toneladas em 2026, alta de 7,2% em comparação ao ano anterior.

De acordo com o engenheiro agrônomo e analista do Deral, Carlos Hugo Godinho, o avanço dos trabalhos ocorreu principalmente por causa do tempo mais seco registrado nos últimos dias.

Segundo ele, embora maio tenha sido marcado por chuvas frequentes, a precipitação foi importante para garantir a umidade necessária ao desenvolvimento inicial da cultura e favorecer as operações de plantio.

Milho segue com expectativa de safra robusta

O boletim também destaca o desempenho da segunda safra de milho no Paraná. A estimativa atual aponta para uma produção de 17,5 milhões de toneladas na safra 2025/26.

A colheita começou de forma pontual em algumas regiões, principalmente no Oeste do Estado, principal polo produtor do cereal. Até o momento, aproximadamente 14 mil hectares foram colhidos, o que representa menos de 1% dos 2,9 milhões de hectares cultivados.

Segundo o analista do Deral, Edmar Gervasio, cerca de 24% das lavouras já se encontram em estágio final de desenvolvimento e praticamente não apresentam risco de perdas provocadas por geadas. Os demais 76% ainda exigem monitoramento das condições climáticas.

Exportações de carne de peru crescem

O levantamento mostra ainda o avanço das exportações de carne de peru, segmento em que o Paraná possui participação relevante no mercado nacional.

Em 2025, o Estado respondeu por 22,61% das exportações brasileiras da proteína, totalizando 14.875 toneladas embarcadas. O resultado supera os números de 2024, quando a participação paranaense foi de 21,3%, com 8.692 toneladas exportadas.

No total, o Brasil exportou carne de peru para 88 países ao longo do ano passado. As Américas concentraram 63,05% dos embarques, enquanto os países africanos responderam por 31,15% do volume comercializado.

Maior oferta reduz preço do brócolis

No setor de hortaliças, o boletim aponta queda nos preços do brócolis em função do aumento da oferta no mercado.

A região de Curitiba, responsável por 75,6% da produção estadual, registrou crescimento sazonal das colheitas, pressionando as cotações para baixo.

Na segunda semana de junho, o preço mais frequente praticado no mercado atacadista da Capital ficou em R$ 8,33 por quilo. O valor representa uma redução de 28,6% em relação ao registrado no mesmo período de maio.

Balança comercial de lácteos segue deficitária em receita

O setor leiteiro apresentou saldo positivo em volume comercializado no primeiro quadrimestre de 2026. Entre janeiro e abril, o Paraná exportou 4,3 mil toneladas de produtos lácteos e importou 3,1 mil toneladas.

Apesar do resultado positivo em quantidade, a balança comercial permaneceu deficitária em valores. As exportações geraram receita de US$ 8,1 milhões, enquanto as importações somaram US$ 11,4 milhões.

Segundo o Deral, essa diferença ocorre porque os produtos exportados pelo Estado possuem menor valor agregado, como a manteiga, enquanto as importações concentram itens de maior valor comercial, especialmente queijos.

Boletim Informativo

Inscreva-se em nossa lista de e-mails para obter as novas atualizações!