De Curitiba a Brasília: Jeffrey Chiquini transforma sessões legislativas em palco de confrontos políticos
Advogado que protagonizou tumulto na Câmara dos Deputados já acumula embates públicos no Paraná, especialmente contra Renato Freitas, e virou personagem recorrente de crises políticas e sessões marcadas por gritaria, acusações e interrupções
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Rodrigo Fonseca/CMC
O tumulto registrado nesta semana no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, em Brasília, colocou novamente no centro de uma crise política o advogado Jeffrey Chiquini, figura já conhecida nos bastidores da política paranaense por protagonizar confrontos verbais, embates públicos e sessões marcadas por tensão institucional.
Desta vez, o episódio ocorreu durante a análise dos pedidos de suspensão dos mandatos dos deputados Marcel Van Hattem, Marcos Pollon e Zé Trovão, acusados de participação na ocupação da Mesa Diretora da Câmara em 2025, durante manifestações ligadas à pauta da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
Chiquini participava da sessão como advogado de defesa de Marcel Van Hattem. O clima já era tenso desde o início da reunião, marcada por acusações de perseguição política feitas pela oposição e discursos duros de parlamentares governistas defendendo punições aos deputados.
A situação saiu do controle durante a fala do deputado federal Chico Alencar, do PSOL. O parlamentar afirmou ter percebido ironias e deboches por parte de Chiquini enquanto discursava. Irritado, Chico chamou o advogado de “rábula”, expressão pejorativa utilizada para desqualificar advogados, insinuando falta de preparo técnico ou atuação antiética.
Chiquini interrompeu imediatamente a sessão para reagir. Pediu questão de ordem e exigiu que a fala fosse registrada em ata. A partir dali, o debate deixou de ser apenas sobre os parlamentares investigados e passou a girar em torno do confronto entre o advogado e deputados da esquerda.
O momento de maior tensão ocorreu quando Chiquini respondeu diretamente a Chico Alencar afirmando que o deputado “tinha sorte de ser idoso”. A frase foi interpretada por parlamentares governistas como ameaça velada.
O deputado federal Reimont pediu imediatamente a retirada do advogado do plenário e afirmou que a Câmara não poderia tolerar “ameaças contra parlamentares”. Deputados do PSOL e do PT passaram a gritar contra Chiquini, enquanto parlamentares da oposição saíram em defesa do advogado.
Marcel Van Hattem levantou-se da bancada e acusou deputados governistas de tentarem constranger sua defesa. Segundo parlamentares presentes, o plenário virou um cenário de gritaria simultânea, com discussões ocorrendo em diferentes pontos da sala.
A Polícia Legislativa precisou se posicionar próxima a Chiquini diante do risco de agravamento do confronto. A sessão acabou suspensa temporariamente pelo presidente do Conselho de Ética para conter os ânimos.
Após a retomada dos trabalhos, deputados da esquerda classificaram a fala do advogado como intimidação política. A deputada Maria do Rosário afirmou que houve “ameaça incompatível com o ambiente democrático”. Já Fernanda Melchionna disse que o episódio representava “violência política e ataque às instituições”.
Do outro lado, deputados da oposição alegaram que Chiquini reagiu após ser ofendido publicamente por Chico Alencar e acusaram governistas de tentar criminalizar a atuação da defesa. Marcel Van Hattem afirmou que esperava um “desagravo” ao advogado.
O episódio rapidamente repercutiu nas redes sociais e nos bastidores do Congresso, mas, para quem acompanha a política do Paraná, o roteiro não chega a ser novidade.
Nos últimos meses, Jeffrey Chiquini passou a ocupar espaço frequente em crises envolvendo o deputado estadual Renato Freitas, na Assembleia Legislativa do Paraná.
Em abril deste ano, durante uma reunião do Conselho de Ética da Alep, Chiquini e Renato protagonizaram um bate-boca semelhante ao ocorrido em Brasília. O advogado chamou o parlamentar petista de “fora da lei” e afirmou que Renato transformava a Assembleia em um “picadeiro”. Renato respondeu chamando Chiquini de “corrupto” durante a sessão.
Na ocasião, deputados chegaram a admitir excessos na condução da reunião. Parlamentares da oposição acusaram o advogado de utilizar o espaço institucional como palco político, enquanto aliados de Renato afirmaram que a presença de Chiquini ampliava deliberadamente o clima de confronto.
Além disso, o advogado também ganhou protagonismo recente no caso envolvendo o manobrista que se envolveu em uma briga de rua com Renato Freitas. Chiquini passou a atuar na defesa do homem e intensificou a pressão política e jurídica contra o deputado estadual, concedendo entrevistas, divulgando vídeos e defendendo publicamente pedidos de cassação.
A repetição dos episódios fez com que Jeffrey Chiquini deixasse de ocupar apenas a posição de advogado nos bastidores para se transformar em personagem recorrente de confrontos políticos tanto no Paraná quanto agora em Brasília.
O que ocorreu no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados acabou funcionando, para muitos parlamentares paranaenses, quase como uma extensão nacional de um estilo de atuação que a Assembleia Legislativa do Paraná já conhece bem.
Créditos: Redação
