Paraná perde 60 mil alunos e rede pública atinge menor nível em uma década
Dados do Censo Escolar 2025 mostram redução de 3,3% na rede pública paranaense. Ensino Médio é a etapa mais afetada, com queda de quase 20% na última década
Créditos: Lucas Fermin/SEED
O Paraná registrou em 2025 um dos menores números de matrículas na educação básica da última década. Os dados fazem parte do Censo Escolar divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira e indicam que o estado perdeu mais de 60 mil alunos em relação ao ano anterior.
Segundo o levantamento, o sistema educacional paranaense contabilizou 2.438.428 matrículas na educação básica em 2025. O número é inferior ao registrado em 2024, quando havia 2.498.963 estudantes matriculados em escolas públicas e privadas. Na prática, houve uma redução de 60.535 matrículas em apenas um ano.
Na série histórica recente, o resultado só é superior ao registrado em 2021, período marcado pelos efeitos da pandemia de Covid-19, quando o Paraná teve 2.371.191 estudantes matriculados.
O recuo também aparece quando comparado a anos anteriores. Em 2018, por exemplo, o estado tinha mais de 2,6 milhões de alunos na educação básica, totalizando 2.601.677 matrículas.
A queda observada no Paraná acompanha uma tendência nacional. Em todo o país, o número de matrículas na educação básica caiu de 47,08 milhões em 2024 para 46,01 milhões em 2025.
De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, dois fatores principais ajudam a explicar a redução: a diminuição da população em idade escolar nos últimos anos e a queda nos índices de repetência, com mais estudantes sendo aprovados consecutivamente nas etapas de ensino.
Segundo o Ministério da Educação, apesar da diminuição nas matrículas, o acesso à escola segue ampliado, com menos crianças e adolescentes fora do sistema educacional.
Rede pública perde alunos e registra menor número da década
Os dados do Censo Escolar mostram que a redução de matrículas no Paraná ocorre principalmente na rede pública.
Em 2024, as escolas estaduais e municipais somavam 2.022.554 estudantes na educação básica. Em 2025, o número caiu para 1.955.665 alunos.
A redução de 66.889 matrículas representa uma queda de 3,3% em apenas um ano e levou a rede pública ao menor número de estudantes em pelo menos uma década. O resultado ficou inclusive abaixo do registrado em 2021, quando havia 1.971.376 alunos.
Escolas particulares seguem em crescimento
Enquanto a rede pública perde estudantes, as escolas particulares apresentam movimento oposto.
Em 2024, o ensino privado no Paraná registrava 476.409 matrículas. Em 2025, esse número subiu para 482.763, um aumento de 6.354 alunos.
O resultado representa o maior número de estudantes da rede particular desde pelo menos 2015.
Antes da pandemia, as matrículas em escolas privadas variavam entre 446 mil e 455 mil alunos. Durante a crise sanitária houve queda, chegando a 399.815 matrículas em 2021.
Desde 2022, no entanto, a rede privada voltou a crescer. Foram 442.802 matrículas em 2022, 470.188 em 2023, 476.409 em 2024 e agora 482.763 em 2025.
Ensino médio tem maior queda em dez anos
Entre as etapas da educação básica, o ensino médio foi o que registrou a maior redução de estudantes no Paraná na última década.
Em 2015, essa etapa tinha 474.267 matrículas no estado. Em 2025, o número caiu para 389.656 alunos, uma redução de 17,8%. Na prática, o ensino médio perdeu quase um quinto dos estudantes nesse período.
A queda também aparece na comparação mais recente. Entre 2024 e 2025, o ensino médio paranaense perdeu 28.180 alunos, o que representa uma redução de 6,7%.
No Brasil, a queda nessa etapa foi de 5,4%, passando de 7.790.396 para 7.370.879 matrículas.
Entre todas as unidades da federação, apenas São Paulo, Roraima e Acre registraram retrações mais acentuadas no ensino médio do que o Paraná.
Educação infantil cresce
No recorte de dez anos, apenas a educação infantil apresentou crescimento no estado.
Em 2015, eram 416.440 crianças matriculadas nessa etapa. Em 2025, o número chegou a 540.462, um avanço de 29,8%.
Nos anos iniciais do ensino fundamental (1º ao 5º ano), houve leve redução de 2,2%, com as matrículas caindo de 810.726 para 792.894.
Já nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a queda foi mais expressiva, de 12,5%, passando de 651.748 para 570.567 estudantes.
