Câmara adia programa de prevenção a engasgamento infantil em Cascavel
Com números alarmantes de casos, vereadores pedem mais debate antes de votar proposta de orientação e primeiros socorros
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A Câmara de Vereadores de Cascavel adiou a votação do projeto que institui o Programa Municipal de Orientação e Prevenção de Engasgamento e Primeiros Socorros para recém-nascidos e crianças. A proposta é de autoria dos vereadores Sargento Camargo e Tiago Almeida e recebeu a Emenda nº 1.
O pedido de adiamento foi apresentado pelo vereador Edson Souza (MDB), que defendeu a necessidade de ampliar o debate sobre o tema. A solicitação foi colocada em votação pelo próprio Tiago Almeida e aprovada pelos parlamentares, que entenderam ser necessário mais tempo para esclarecimentos antes da deliberação final.
A decisão ocorre em meio a números considerados preocupantes por especialistas da área de saúde. Dados do Consamu (Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste do Paraná, responsável pelo atendimento de urgência e emergência) mostram que Cascavel registrou 438 ocorrências de engasgamento entre 2024 e o início de 2026, evidenciando a frequência desse tipo de emergência no município.
Em 2024, foram 211 atendimentos, com média de cerca de 17 casos por mês. Em 2025, o número caiu para 181, mas ainda se mantém elevado. Já em 2026, apenas nos primeiros meses, já são 46 ocorrências com destaque para março, que concentrou 21 casos.
Os dados do Corpo de Bombeiros reforçam o alerta. Em 2025, foram registradas 33 ocorrências de obstrução de vias aéreas. No período de 1º de janeiro a 14 de abril daquele ano, já haviam sido contabilizados 10 casos. Em 2026, até o momento, são nove ocorrências.
Para especialistas, o volume de atendimentos indica que o engasgamento é uma ocorrência recorrente e potencialmente fatal, principalmente entre crianças, podendo levar à morte em poucos minutos sem atendimento adequado.
O projeto prevê a criação de um programa permanente de orientação a pais, familiares e profissionais sobre como agir em situações de emergência, com foco na resposta rápida e correta.
Segundo o vereador Tiago Almeida, a proposta tem caráter educativo e preventivo. “A ideia do projeto é ensinar e dar segurança aos pais e familiares, mostrando como agir rápido para salvar a vida de um bebê em situação de emergência”, afirmou.
A iniciativa também prevê capacitação de profissionais da educação e orientações ainda no pré-natal, ampliando o alcance das ações e a disseminação de informações.
Apesar do adiamento, o projeto segue em tramitação. A expectativa é que, após novos debates, a proposta volte à pauta para votação, diante da urgência apontada pelos números registrados no município.
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