Dinheiro do Master irriga empresas do Grupo Massa e lança sombra sobre entorno de Ratinho
Documentos oficiais enviados à CPI revelam repasses milionários do Banco Master a empresas ligadas à família de Ratinho entre 2022 e 2025. Valores, contratos e contexto comercial levantam questionamentos sobre a relação entre interesses privados e influência política no Paraná.
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Assessoria
A crise envolvendo o Banco Master ganhou contornos ainda mais sensíveis no Paraná após a revelação de que empresas ligadas ao Grupo Massa, da família do apresentador Carlos Roberto Massa, o Ratinho, receberam ao menos R$ 24 milhões em repasses atribuídos à instituição financeira entre 2022 e 2025.
Os dados constam em documentos encaminhados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado e detalham transferências a duas empresas vinculadas ao grupo: R$ 21 milhões para a Massa Intermediação e Assessoria Empresarial e outros R$ 3 milhões para a Gralha Azul Empreendimentos e Participações.
As duas empresas atuam em áreas amplas, como consultoria empresarial e intermediação de negócios. A natureza dos serviços prestados ao banco, no entanto, não aparece detalhada nos registros que vieram a público, o que abre espaço para questionamentos sobre a efetiva contrapartida dos valores movimentados.
O elo temporal também chama atenção. Parte dos repasses coincide com o período em que Ratinho figurava como garoto-propaganda de um produto financeiro vinculado ao próprio Banco Master, o CredCesta, direcionado a servidores públicos. O produto teve operação interrompida em novembro de 2025.
Embora o governador Ratinho Júnior não figure formalmente como sócio das empresas citadas, o vínculo familiar e político com o grupo empresarial coloca o caso sob pressão pública. O próprio grupo reconhece a relação contratual com o banco, mas sustenta que suas operações são regulares e devidamente declaradas.
A ausência de detalhamento sobre os serviços contratados, somada ao volume expressivo de recursos, levanta dúvidas que vão além da contabilidade. No centro do debate está a fronteira — cada vez mais nebulosa — entre publicidade, intermediação de negócios e influência política.
Nos bastidores, o caso já é tratado como potencial vetor de desgaste para o entorno do governo estadual. A combinação entre dinheiro de banco, contratos pouco transparentes e proximidade com figuras públicas cria um cenário que tende a pressionar tanto a CPI quanto órgãos de controle.
A pergunta que se impõe é simples e incômoda: que tipo de serviço justifica R$ 24 milhões em repasses — e qual foi, de fato, o papel do Grupo Massa nessa engrenagem?
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