Assessor relata empréstimo de R$ 66 mil e repasse a rádio em nome da mãe de Sandro Alex
Assessor relata empréstimo de R$ 66 mil e repasse a rádio em nome da mãe de Sandro Alex
Por Gazeta do Paraná
Créditos: Geraldo Bubniak/AEN
A denúncia que chegou ao Ministério Público Federal não deixa margem para interpretações suaves. Um ex-assessor do deputado federal Sandro Alex Cruz de Oliveira afirma ter sido levado a contrair um empréstimo de R$ 66 mil e, na sequência, repassar R$ 52.500 a uma emissora de rádio ligada à família do parlamentar. O destino do dinheiro, segundo o relato, não é genérico nem difuso. A apuração identificou que a empresa citada corresponde à Rádio Mundi Paraná Ltda, registrada em nome de Maria Luiza da Conceição Cruz de Oliveira, mãe do deputado. 
O caso chegou ao Supremo Tribunal Federal e foi analisado pela Procuradoria-Geral da República. O parecer reconhece o teor da denúncia, mas sustenta que os elementos apresentados à época não eram suficientes para a continuidade da investigação, apontando ainda a existência de indicação de devolução do valor. Com isso, o processo foi arquivado, sem prejuízo de eventual reabertura caso surjam novos elementos. 
O arquivamento encerrou a discussão no plano formal, mas não dissipou as dúvidas no campo político. O núcleo da denúncia permanece intacto: um empréstimo de alto valor contratado por um assessor e um repasse direcionado a uma empresa vinculada diretamente ao núcleo familiar do deputado. Não se trata de uma estrutura hipotética. A rádio existe, está ativa e tem como sócia-administradora a mãe do parlamentar. O que o relato descreve, portanto, encontra correspondência concreta fora do papel.
É a partir desse ponto que a história deixa de ser apenas um registro de denúncia e passa a dialogar com outros elementos que orbitam o mandato. A apuração identificou que, nos anos seguintes ao episódio narrado, o deputado manteve relação contratual com a empresa S C de Lima Propaganda, que atua sob a marca Live Propaganda. Notas fiscais indicam pagamentos de R$ 20 mil, em 2017 e 2018, por serviços descritos como manutenção do site institucional, com programação, produção de conteúdo e divulgação da atividade parlamentar.
Os documentos chamam atenção pela repetição de valores e pela padronização da descrição dos serviços. Não há detalhamento técnico ou variação significativa entre um contrato e outro. Os recibos são assinados por Marco Antonio Popielets, responsável pela agência. O próprio site do deputado confirma a atuação da empresa, ao exibir no rodapé a assinatura “Desenvolvido por Live!”. Ainda assim, o portal não apresenta atualização visível desde 2020, o que levanta questionamentos sobre a efetividade e a continuidade dos serviços que motivaram os pagamentos.
A mesma empresa reaparece na campanha eleitoral de 2022. Registros oficiais mostram que a S C de Lima Propaganda recebeu R$ 25 mil por serviços de marketing digital e impulsionamento, além de outros R$ 3.031,15 por publicidade. A atuação também é visível fora dos documentos: a agência produziu peças completas da campanha do deputado, incluindo identidade visual e materiais de divulgação.
Fontes ouvidas pela reportagem, sob condição de anonimato, afirmam que o episódio do empréstimo e a contratação da agência de publicidade estão relacionadas à existência de práticas recorrentes de movimentação de recursos no entorno do gabinete. De acordo com estas fontes, a própria agência de publicidade estaria envolvida nesta lógica de devolução de recursos.
A linha que separa o que foi denunciado do que foi comprovado permanece nítida no plano jurídico. No plano político, essa linha é mais tênue. O empréstimo, o repasse à rádio, a estrutura de comunicação e a atuação da mesma empresa no mandato e na campanha compõem um cenário que ainda carece de explicações mais completas.
Créditos: Redação
