Créditos: Valdir Amaral/Alep
Alep vai recorrer ao STJ para tentar retomar processo de cassação de Renato Freitas
Presidente da Assembleia, Alexandre Curi, afirma que Casa defenderá independência de poderes após liminar do TJPR suspender julgamento de quebra de decoro em plenário
O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), deputado Alexandre Curi (Republicanos), anunciou nesta segunda-feira (16) que a Casa irá recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que suspendeu a tramitação do processo de cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas (PT).
A medida foi anunciada após decisão do desembargador Rogério Luis Nielsen Kanayama, do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), que suspendeu os efeitos do projeto de resolução nº 7/2026. A proposta, aprovada pelo Conselho de Ética e posteriormente pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), prevê a perda do mandato de Renato Freitas por quebra de decoro parlamentar.
A votação em plenário estava marcada para esta terça-feira (17), mas ficou suspensa por determinação judicial. O conteúdo da decisão tramita sob segredo de Justiça.
Durante entrevista coletiva, Alexandre Curi informou que o recurso deverá ser protocolado até quarta-feira (18). Segundo ele, a Assembleia defenderá que o processo disciplinar possui natureza interna corporis, ou seja, trata de matéria interna do Poder Legislativo e deve ser decidido pelos próprios parlamentares.
"Vamos defender a independência do Poder Legislativo", afirmou o presidente da Alep.
Curi argumentou ainda que a decisão do desembargador não apontou irregularidades na condução do processo disciplinar. De acordo com ele, o magistrado reconheceu a legalidade dos procedimentos adotados tanto pelo Conselho de Ética quanto pela Comissão de Constituição e Justiça.
O presidente da Assembleia também destacou o trabalho realizado pelos colegiados responsáveis pela análise do caso. Segundo ele, o processo foi conduzido dentro dos prazos previstos e com garantia do direito de defesa ao parlamentar.
Entenda o caso
O pedido de cassação teve origem em representação apresentada pelos vereadores de Curitiba Bruno Secco, Eder Borges, Guilherme Kilter e Tathiana Guzella, além dos deputados estaduais Fábio Oliveira (Novo), Ricardo Arruda (PL) e Delegado Tito Barichello (PL).
A denúncia se refere a um episódio ocorrido em novembro de 2025, quando Renato Freitas se envolveu em uma luta corporal com um manobrista na região central de Curitiba. O caso foi registrado por câmeras de segurança e por imagens feitas por celulares.
Durante a tramitação no Conselho de Ética, entre dezembro de 2025 e maio de 2026, foram ouvidas testemunhas indicadas tanto pelo relator quanto pela defesa. Entre elas estavam o manobrista Weslley de Souza Silva e outras pessoas que acompanhavam o deputado no momento da ocorrência.
Em sua defesa, Renato Freitas sustentou que o manobrista teria avançado contra ele e seus acompanhantes e que sua atuação teve como objetivo interromper uma possível agressão e proteger a mãe de sua filha.
Após a fase de instrução, o relator do processo, deputado Márcio Pacheco (Republicanos), concluiu que a perda do mandato seria a penalidade adequada. O parecer foi aprovado pela maioria dos integrantes do Conselho de Ética. O deputado Doutor Antenor (PT) apresentou voto divergente defendendo sanções mais brandas, mas a posição foi derrotada.
Posteriormente, a Comissão de Constituição e Justiça ratificou o entendimento do Conselho de Ética. O parecer do deputado Luiz Fernando Guerra (Novo) concluiu que o procedimento observou os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal.
Com a decisão judicial suspendendo a tramitação do projeto, o julgamento em plenário permanece sem data para ocorrer até que haja nova manifestação da Justiça ou eventual reversão da liminar pelo STJ.
