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Após pesquisa favorável a Sandro Alex, contratos de R$ 2,4 milhões da IRG viram alvo de ação popular

Aditamento protocolado na Justiça amplia questionamentos sobre relação entre o Ipardes e a empresa responsável por levantamento eleitoral que colocou o pré-candidato governista em situação mais favorável do que a apontada por outros institutos

Por Gazeta do Paraná

Após pesquisa favorável a Sandro Alex, contratos de R$ 2,4 milhões da IRG viram alvo de ação popular Créditos: Divulgação

A empresa IRG Pesquisas, responsável pelo levantamento eleitoral que projetou o deputado federal Sandro Alex (PSD) em posição mais competitiva na disputa pelo Governo do Paraná, tornou-se alvo de uma ação popular que agora questiona contratos que somam R$ 2,4 milhões firmados com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

O novo capítulo do caso surgiu nesta quinta-feira (18), quando o advogado Jorge Augusto Derviche Casagrande protocolou um aditamento à ação popular que já questionava a contratação de R$ 583,8 mil firmada entre o Ipardes e a empresa para a realização de uma pesquisa de avaliação e percepção dos usuários dos serviços públicos de saúde e segurança do Paraná.

Na nova petição, Casagrande sustenta que o contrato questionado inicialmente não foi um episódio isolado. Segundo documentos anexados ao processo, a IRG também recebeu uma Solicitação de Serviço nº 02/2025, no valor de R$ 1.330.993,50, para coleta de dados relacionados ao projeto de vulnerabilidade socioambiental e riscos de desastres naturais nos municípios do Paraná, além da Solicitação de Serviço nº 04/2025, no valor de R$ 500,4 mil, destinada à realização de pesquisa de percepção dos usuários dos serviços públicos de saúde e segurança. Somados ao contrato de R$ 583,8 mil firmado neste ano, os valores alcançam R$ 2.415.193,50.

O caso ganhou repercussão após a divulgação de uma pesquisa eleitoral da própria IRG que apresentou um cenário distinto daquele apontado por outros institutos. Enquanto levantamentos divulgados por Veritá e Paraná Pesquisas colocavam Sandro Alex atrás de Sergio Moro, Requião Filho e Rafael Greca, o estudo da IRG apresentou um cenário em que o parlamentar aparecia em segundo lugar quando associado ao apoio do governador Ratinho Junior.

A pesquisa foi rapidamente utilizada por aliados do governo e pelo PSD para sustentar a narrativa de crescimento da candidatura governista. A coincidência temporal entre a divulgação do levantamento e a contratação da empresa pelo Estado motivou questionamentos de deputados estaduais durante sessão da Assembleia Legislativa do Paraná.

Na ação popular, o autor argumenta que a situação exige investigação sobre a finalidade pública dos contratos, os critérios de escolha da empresa e a observância das regras do credenciamento utilizado pelo Ipardes. O aditamento afirma que a relação entre o instituto estadual e a IRG passou a revelar um padrão de contratações sucessivas envolvendo pesquisas e levantamentos de dados em áreas consideradas sensíveis para a avaliação da gestão estadual.

Um dos pontos centrais da controvérsia envolve justamente o sistema de rodízio utilizado pelo Ipardes para convocação das empresas credenciadas. A petição inicial reproduz declarações feitas na Assembleia Legislativa pelo deputado Requião Filho (PDT), segundo as quais a IRG apareceria em posição posterior na ordem de convocação e, ainda assim, teria sido chamada para executar contratos milionários.

A questão já havia sido revelada pela Gazeta do Paraná, que identificou contratos firmados em modalidades nas quais a empresa aparecia em sétimo e nono lugares na lista de rodízio do credenciamento utilizado pelo Ipardes.

Para o autor da ação, a discussão não se resume à divulgação de uma pesquisa eleitoral. Na petição, ele sustenta que a preocupação está na relação contratual mantida entre o Estado e uma empresa que atua simultaneamente no mercado de pesquisas eleitorais e de avaliação de políticas públicas, especialmente após a divulgação de um levantamento que beneficiou a narrativa política do grupo governista.

A ação foi proposta contra o Estado do Paraná, o Ipardes, o presidente do instituto, Jorge Augusto Callado Afonso, e a própria IRG Pesquisas. Até o momento, não há decisão judicial sobre o mérito do caso. As alegações apresentadas na ação popular ainda serão analisadas pela Justiça e submetidas ao contraditório dos envolvidos.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp