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Após Gazeta revelar condenação, assessor deixa Câmara e companheira ganha diretoria na Prefeitura de Foz

Cleverson Olaia foi exonerado cinco dias após reportagem revelar que seguia no gabinete de Paulo Debrito mesmo condenado pela Justiça Federal; 12 dias depois, Rosimara Borges de Godoys, sua companheira e sócia em empresa de bebidas, passou a ocupar cargo DAS-4 no Executivo municipal

Por Gazeta do Paraná

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Após Gazeta revelar condenação, assessor deixa Câmara e companheira ganha diretoria na Prefeitura de Foz Créditos: Reprodução

A exoneração de Cleverson Olaia da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu, ocorrida dias depois de a Gazeta do Paraná revelar que ele permanecia em cargo comissionado mesmo após condenação criminal, ganhou um novo capítulo. Apenas 12 dias depois de sua saída do Legislativo, Rosimara Borges de Godoys, companheira e sócia empresarial de Cleverson, passou a ocupar um cargo de diretoria na Prefeitura de Foz do Iguaçu.

Rosimara foi nomeada pelo prefeito Joaquim Silva e Luna para exercer o cargo comissionado de Diretora de Abastecimento, símbolo DAS-4, subordinado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Agricultura. A Portaria nº 85.133 foi assinada em 17 de julho e determinou que os efeitos da nomeação começassem no dia 20.

A sequência chama atenção pela proximidade das datas. Em 3 de julho, a Gazeta revelou que Cleverson permanecia como assessor parlamentar do presidente da Câmara, Paulo Debrito, apesar de ter sido condenado pela Justiça Federal por contrabando, descaminho e associação criminosa. Na ocasião, ele recebia remuneração bruta superior a R$ 12 mil. 

Cleverson deixou o cargo em 8 de julho, conforme documentação reunida na nova apuração. Doze dias depois, Rosimara passou oficialmente a integrar a estrutura da Prefeitura.

A proximidade temporal não comprova, por si só, que uma nomeação tenha relação com a outra. O episódio, entretanto, abre questionamentos sobre as circunstâncias da indicação de Rosimara para o cargo de confiança e sobre eventual participação política de Debrito na escolha.

 

Condenação foi revelada pela Gazeta

A situação de Cleverson veio a público após levantamento da Gazeta mostrar que ele havia sido nomeado assessor parlamentar, referência PL-5, pela Portaria da Presidência nº 102/2025, assinada pelo próprio Paulo Debrito, com efeitos desde fevereiro de 2025. 

A condenação está relacionada à Ação Penal nº 5000597-69.2023.4.04.7002. Em novembro de 2025, a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) manteve as condenações por contrabando e descaminho e reformou parcialmente a sentença para também condená-lo por associação criminosa. A pena fixada pelo Tribunal foi de 5 anos e 10 meses de reclusão, em regime inicial fechado, considerando a reincidência. 

Quando questionada pela Gazeta em julho, a Câmara informou que a documentação apresentada no momento da nomeação havia sido considerada regular pelo setor de Recursos Humanos. O Legislativo também alegou, naquela ocasião, que ainda não havia recebido documentação oficial que permitisse reavaliar a situação funcional do assessor. 

Cinco dias depois da publicação da reportagem, Cleverson deixou o cargo.

 

Companheira assume diretoria

A movimentação seguinte ocorreu no Executivo municipal.

Em 17 de julho, Silva e Luna assinou a portaria nomeando Rosimara. O ato foi editado em atenção ao Memorando Interno nº 52.041, da mesma data, expedido pelo Gabinete do Prefeito. A nomeação passou a produzir efeitos em 20 de julho.

De acordo com a legislação municipal indicada nos documentos analisados, o vencimento básico previsto para o cargo DAS-4 é de R$ 12.850,11 mensais.

O currículo atribuído a Rosimara e disponibilizado no Portal da Transparência informa formação em Administração pela Unifoz e experiências profissionais anteriores como recepcionista de hotel e vendedora. O material analisado não aponta experiência anterior dela em gestão pública ou na área de abastecimento.

Rosimara e Cleverson são sócios

Outro elemento identificado pela apuração está nos registros empresariais.

Rosimara Borges de Godoys e Cleverson Olaia integram o quadro societário da Olaia Comércio de Bebidas Ltda., empresa sediada em Foz do Iguaçu e inscrita no CNPJ sob nº 61.902.613/0001-09.

A empresa foi constituída em julho de 2025, está registrada como microempresa e possui capital social de R$ 100 mil. 

Os documentos cadastrais indicam participação de R$ 50 mil para Cleverson e R$ 50 mil para Rosimara. Ambos ingressaram na sociedade em 16 de julho de 2025. 

A atividade principal é o comércio varejista de bebidas. Entre as atividades secundárias aparecem minimercado e mercearia, tabacaria, lanchonete e comércio em lojas de conveniência. 

Imagens obtidas pela reportagem relacionam Rosimara à conveniência Smoke Beer. Em perfil atribuído a ela nas redes sociais, “Mara Borges” se apresenta como CEO do estabelecimento.

Registro empresarial levanta outro questionamento

O vínculo empresarial acrescenta uma questão administrativa à nomeação.

No documento cadastral analisado pela reportagem aparece a condição “205 – Administrador”, com início do mandato em 16 de julho de 2025 e término indicado como “indeterminado”.

Já o material legislativo reunido na apuração aponta que o artigo 209, inciso IX, da Lei Complementar Municipal nº 17/1993, Estatuto dos Servidores Municipais, estabelece vedação à participação de servidor na gerência ou administração de empresa privada.

A situação exige, contudo, uma verificação adicional: é necessário confirmar a incidência específica da regra sobre ocupantes exclusivamente de cargos comissionados e se houve alguma alteração societária posterior que tenha retirado Rosimara da administração da empresa antes da posse.

Nos documentos analisados pela Gazeta, não foi localizada informação de encerramento do mandato empresarial, que continua registrado como indeterminado.

 

Sequência de datas

O caso reúne uma sucessão de acontecimentos em um intervalo inferior a três semanas.

Em 3 de julho, a Gazeta publicou a reportagem revelando que Cleverson continuava no gabinete da Presidência da Câmara apesar da condenação criminal. Em 8 de julho, ocorreu sua exoneração. Nove dias depois, em 17 de julho, Silva e Luna assinou a portaria de nomeação de Rosimara. No dia 20, ela passou a ocupar oficialmente a Diretoria de Abastecimento.

Assim, transcorreram apenas 17 dias entre a publicação da primeira reportagem e a entrada da companheira de Cleverson no Executivo municipal.

O intervalo entre a exoneração dele e o início dos efeitos da nomeação dela foi de 12 dias.

A cronologia, somada à relação societária entre os dois, coloca no centro da apuração duas questões ainda sem resposta documental: quem indicou Rosimara para a Diretoria de Abastecimento e quais critérios técnicos e políticos foram utilizados pela Prefeitura para a escolha.

Também cabe ao Executivo esclarecer se tinha conhecimento da participação empresarial da nova diretora e se realizou análise de eventual incompatibilidade antes da posse.

A Gazeta do Paraná mantém espaço aberto para manifestação da Prefeitura de Foz do Iguaçu, da Câmara Municipal, de Paulo Debrito, Cleverson Olaia e Rosimara Borges de Godoys.

Créditos: Redação Acesse nosso canal no WhatsApp