Acidentes de trânsito custaram R$ 23,5 milhões ao SUS no Paraná em 2025 e lotam hospitais com vítimas jovens
Estado registrou 12,6 mil internações e 2,6 mil mortes no trânsito; motociclistas lideram estatísticas de hospitalizações e óbitos
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Os acidentes de trânsito seguem pressionando o sistema público de saúde no Paraná e gerando impactos milionários aos cofres públicos. Apenas em 2025, o Estado registrou 12.697 internações de vítimas de lesões no trânsito, gerando um custo superior a R$ 23,5 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Os dados foram divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde do Paraná durante a campanha Maio Amarelo 2026, movimento nacional de conscientização sobre segurança viária. Neste ano, a campanha traz o tema “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas”.
Segundo a secretaria, os números revelam um cenário preocupante, principalmente entre homens jovens e motociclistas, que concentram a maior parte das vítimas graves e fatais nas rodovias e vias urbanas do Estado.
De acordo com informações do Sistema de Informações Hospitalares do SUS, os homens representaram 76,5% das internações registradas em 2025. A faixa etária mais atingida foi entre 20 e 39 anos, responsável por praticamente metade dos casos.
As motocicletas aparecem como principal fator de risco nas ocorrências graves. Motociclistas e ocupantes de triciclos responderam por 67,5% das hospitalizações relacionadas ao trânsito no Paraná.
O impacto também aparece nas estatísticas de mortes. Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade apontam que o Paraná registrou 2.660 mortes no trânsito em 2025. Deste total, 82% das vítimas eram homens.
Os motociclistas novamente lideram os números de óbitos, com 904 mortes registradas, o equivalente a 34,3% do total. Na sequência aparecem ocupantes de veículos leves, com 836 mortes, e pedestres, com 424 vítimas fatais.
Assim como nas internações, a faixa etária mais atingida é a de 20 a 39 anos, que concentrou 40% das mortes registradas no Estado.
Dados parciais de 2026 já indicam 579 mortes provocadas por lesões no trânsito em território paranaense.
A Secretaria da Saúde alerta que os números reais podem ser ainda maiores devido à subnotificação de casos. Segundo o órgão, muitos registros hospitalares contabilizam apenas o tipo de lesão sofrida, como fraturas, sem apontar oficialmente a relação com acidentes de trânsito.
O reflexo da violência no trânsito também é sentido diretamente nos atendimentos de urgência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência realizou 67.610 atendimentos relacionados a acidentes de trânsito em 2025 no Paraná.
A colisão entre automóveis e motocicletas foi o tipo de ocorrência mais frequente, com 20.707 chamados. Em seguida aparecem quedas de motocicleta, com 11.166 atendimentos, e colisões entre carros, com 8.295 registros.
Os jovens entre 21 e 30 anos lideram os atendimentos realizados pelas equipes do Samu.
Segundo o secretário estadual da Saúde, César Neves, a maioria dos acidentes está relacionada a comportamentos de risco evitáveis, como excesso de velocidade, uso de celular ao volante, ingestão de álcool e desrespeito às leis de trânsito.
“O esforço mais decisivo precisa acontecer antes da chegada ao hospital. O trânsito é um espaço coletivo e a preservação da vida depende diretamente da prudência e da responsabilidade de quem conduz”, afirmou.
Apesar do cenário atual, o Paraná registra redução histórica nos índices de mortalidade no trânsito. Entre 2011 e 2019, o Estado conseguiu reduzir em 33,1% as mortes provocadas por acidentes viários.
Parte desse resultado é atribuída ao Programa Vida no Trânsito, iniciativa coordenada pela Sesa em parceria com o Detran-PR.
Atualmente, 14 municípios paranaenses participam da estratégia, entre eles Cascavel, Curitiba, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu.
Segundo o governo estadual, os municípios que aderiram ao programa registraram redução de 37,4% na taxa de mortalidade no trânsito entre 2011 e 2025, índice superior à média estadual.
Durante todo o mês de maio, ações educativas, campanhas de conscientização e abordagens em vias públicas serão realizadas em diferentes regiões do Paraná como parte do movimento Maio Amarelo.
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