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Uruguai libera importação de aves do Brasil após caso de Newcastle

Decisão encerra o último embargo de alcance nacional e permite que as restrições comerciais fiquem concentradas em Santa Catarina

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Frango
Frango — Crédito: SEAB / Divulgação

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O Uruguai retomou a importação de produtos avícolas de todo o Brasil após reconhecer a regionalização sanitária do foco da doença de Newcastle registrado em Santa Catarina. A decisão foi anunciada nesta sexta-feira (6) e encerra a última restrição comercial de abrangência nacional imposta ao setor avícola brasileiro por causa da ocorrência.

Com a liberação, o Brasil conseguiu reverter em 19 dias todos os embargos nacionais aplicados por parceiros comerciais. O prazo é quase quatro vezes menor que o registrado em 2024, quando o país levou 74 dias para recuperar as condições de comércio após um caso da doença no Rio Grande do Sul.

O foco mais recente foi confirmado em 18 de outubro, em uma granja comercial de perus localizada em Nova Itaberaba, no Oeste de Santa Catarina. Desde então, o governo brasileiro intensificou as negociações com autoridades estrangeiras para demonstrar que a ocorrência estava restrita a uma área específica e não comprometia a produção avícola das demais regiões.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), nenhum parceiro comercial mantém atualmente restrições às importações de produtos avícolas provenientes de todo o território brasileiro. Os embargos internacionais que permanecem estão concentrados em Santa Catarina.

“Em 2024, foram 74 dias. Agora, apenas 19. É uma diferença enorme e um resultado que merece ser comemorado”, afirmou o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula.

O secretário de Comércio e Relações Internacionais, Augusto Billi, destacou que o reconhecimento da regionalização permite aos países avaliar separadamente as condições sanitárias de cada região, sem estender automaticamente as restrições a todo o Brasil.

Impacto nas exportações

Com a concentração dos embargos em Santa Catarina, o impacto estimado sobre as exportações brasileiras de produtos avícolas caiu para aproximadamente 15 mil toneladas por mês. O volume equivale a 3% da média mensal embarcada pelo país, de cerca de 500 mil toneladas.

Outros parceiros comerciais também reconheceram a regionalização sanitária. A China, um dos principais destinos da produção brasileira, reviu a decisão de restringir as compras em menos de 24 horas após a confirmação do novo foco.

O histórico recente também inclui a ocorrência registrada em 18 de julho de 2024, em uma granja comercial no Rio Grande do Sul. Naquele episódio, o Brasil só conseguiu reverter todas as restrições nacionais em 30 de setembro do mesmo ano.

Negociações continuam para liberar Santa Catarina

Apesar do fim dos embargos nacionais, o governo brasileiro ainda negocia com 11 países que mantêm restrições às importações de produtos avícolas provenientes de Santa Catarina.

O trabalho envolve as secretarias de Defesa Agropecuária e de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, além do Ministério das Relações Exteriores. As ações incluem investigações epidemiológicas, medidas de contenção, vigilância sanitária e tratativas com autoridades internacionais.

O Brasil mantém suspensas as exportações de produtos provenientes da área de restrição, que abrange os municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. A medida segue os compromissos internacionais relacionados à saúde animal.

A prioridade do governo é convencer os mercados que ainda mantêm restrições a limitar os embargos à área efetivamente afetada, seguindo os princípios da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

O Mapa também informou que os produtos avícolas submetidos à inspeção oficial continuam seguros para o consumo e não apresentam contraindicações.

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