Curitiba
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo
Público › Política

Governadores que apoiaram Flávio Bolsonaro defendem diálogo com Lula

Após derrota do senador, aliados nos estados adotam discurso institucional e buscam manter portas abertas para negociar investimentos e dívidas com o governo federal

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Sergio Moro, Zucco e Jorginho Mello apoiam Flávio no 2º turno
Sergio Moro, Zucco e Jorginho Mello apoiam Flávio no 2º turno — Crédito: Divulgação

🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA

Governadores eleitos ou reeleitos que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial defendem uma relação de diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no próximo mandato. Mesmo alinhados à oposição no cenário nacional, os chefes dos Executivos estaduais afirmam que pretendem manter uma relação institucional com o governo federal para garantir investimentos e enfrentar dificuldades fiscais.

A postura contrasta com a reação de Flávio após a derrota eleitoral. O senador publicou uma carta em que se apresentou como “líder do Brasil” e questionou o resultado das eleições. Nenhum dos 15 governadores que apoiaram sua candidatura no segundo turno manifestou apoio público ao documento, segundo levantamento citado pelo UOL.

Entre os aliados, o discurso predominante é de respeito ao resultado das urnas e de prioridade à administração dos estados. Reeleito em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou, após a divulgação da carta, que o caminho é respeitar a decisão dos eleitores e “olhar para a frente”.

A movimentação também aparece nas redes sociais. Um levantamento do UOL sobre publicações feitas entre 28 de outubro, data em que a carta foi divulgada, e 7 de novembro não identificou menções a Flávio nos perfis de Tarcísio, Sergio Moro (PL), do Paraná, Luciano Zucco (PL), do Rio Grande do Sul, Douglas Ruas (PL), do Rio de Janeiro, e Celina Leão (PP), do Distrito Federal.

As publicações dos governadores trataram principalmente de assuntos administrativos, como transição de governo, escolha de secretários e entregas de obras.

Dívidas e investimentos pressionam governadores

Em Minas Gerais, o governador eleito Cleitinho (Republicanos) terá de negociar uma dívida estadual estimada em R$ 180 bilhões com a União. A previsão de déficit no orçamento mineiro para 2027 é de R$ 10 bilhões.

Apesar de ter apoiado Flávio, Cleitinho tem defendido o fim da polarização política e a pacificação do país, sinalizando disposição para manter o diálogo com o governo federal.

No Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), eleito em primeiro turno com apoio de Flávio, afirmou que pretende construir uma relação institucional com a administração de Lula.

“Um relacionamento que traga para o Rio de Janeiro os investimentos necessários para obras e políticas sociais que o povo fluminense deseja”, declarou.

No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) também defendeu que os interesses estaduais devem prevalecer sobre as diferenças partidárias.

“Buscaremos uma relação institucional de diálogo com o governo federal, esperando a mesma disposição e reciprocidade diante dos desafios do nosso Estado”, afirmou.

O governador eleito citou a situação fiscal gaúcha como um dos principais desafios da gestão. A dívida do estado com a União supera R$ 100 bilhões. O pagamento está suspenso desde maio de 2024, após as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, mas a suspensão tem previsão de terminar em abril de 2027.

O governo estadual também negocia a adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que oferece condições para a renegociação dos débitos com a União.

Moro promete oposição em nível nacional

No Paraná, Sergio Moro (PL), eleito governador em primeiro turno, afirmou ao UOL que pretende concentrar esforços na administração estadual, sem abrir mão da posição de oposição ao governo federal.

“A eleição passou e o foco é fazer um bom governo pelo Paraná”, disse.

Sobre a relação com Lula, Moro afirmou que haverá cooperação em pautas consideradas positivas e oposição nas demais.

“Em nível nacional, teremos uma relação republicana com o Governo Federal, de cooperação nas boas causas e de oposição nas demais. É bom lembrar que a oposição cresceu, com vitórias importantes para governos estaduais e ampliando as bancadas na Câmara e no Senado. Continuaremos na oposição”, declarou.

Celina Leão busca solução para crise do BRB

No Distrito Federal, a governadora reeleita Celina Leão (PP) também enfrenta desafios financeiros. Desde maio, ela busca apoio do governo federal para encontrar uma solução para o Banco de Brasília (BRB), que atravessa uma crise após a tentativa de compra do Banco Master.

Em entrevista à TV Globo depois da reeleição, Celina afirmou estar disposta a dialogar com Lula sempre que necessário. Em setembro, porém, o presidente declarou publicamente que o governo federal não destinaria recursos ao BRB.

A necessidade de negociar questões fiscais, obter investimentos e buscar soluções para problemas estaduais tem levado governadores que apoiaram Flávio Bolsonaro a defender uma relação institucional com o Palácio do Planalto, mesmo mantendo posições de oposição no cenário nacional.

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.