Toledo registra 20 casos de violência contra mulheres em outubro, aponta levantamento de vereadora
Dados apresentados pela professora Marli na Câmara Municipal também revelam 14 casos de agressão física e sete ameaças de morte; Procuradoria da Mulher realizou 39 atendimentos em seu primeiro ano de atuação
A violência contra mulheres em Toledo voltou a ser debatida na Câmara Municipal após a vereadora Professora Marli (MDB) apresentar, durante a sessão ordinária de terça-feira (3), um levantamento que identificou 20 casos de violência física, verbal e psicológica, incluindo ameaças, registrados pela imprensa local durante o mês de outubro de 2026.
Os dados foram reunidos pela própria parlamentar a partir de notícias publicadas nos veículos de comunicação e não representam, necessariamente, o número total de ocorrências registradas oficialmente pelas autoridades policiais.
Segundo o levantamento, dos 20 casos identificados, 14 envolveram agressões físicas e sete apresentaram relatos de ameaças de morte. Em cinco situações, as vítimas manifestaram interesse em solicitar medidas protetivas.
A vereadora também relatou um caso em que a mulher foi agredida mesmo possuindo uma medida protetiva em vigor e outro em que a violência ocorreu após a revogação da proteção judicial.
Em relação ao vínculo entre vítimas e suspeitos, o levantamento apontou 15 casos envolvendo companheiros atuais e cinco relacionados a ex-companheiros. Em oito situações, as mulheres já haviam sofrido agressões anteriormente, indicando a repetição da violência.
Outros seis episódios apresentaram relatos de envolvimento de bebidas alcoólicas.
Os números apresentados podem incluir situações enquadradas em mais de uma categoria e, por isso, não devem ser somados como ocorrências independentes.
Procuradoria da Mulher completa um ano com 39 atendimentos
A apresentação dos dados ocorreu durante o balanço do primeiro ano de funcionamento da Procuradoria da Mulher da Câmara Municipal de Toledo.
De acordo com Professora Marli, o órgão realizou 39 atendimentos diretos desde sua criação, envolvendo denúncias de violência doméstica na área urbana e nos distritos, além de situações em que servidores públicos foram apontados como possíveis autores de violência.
Entre as mulheres acolhidas estavam vítimas que procuraram orientação e apoio mesmo sem terem registrado boletim de ocorrência.
A parlamentar destacou a atuação conjunta da Procuradoria com a Delegacia da Mulher, a Polícia Militar, a Secretaria da Mulher e os serviços municipais de assistência social.
Também mencionou a implantação de um canal de atendimento pelo WhatsApp e a participação em iniciativas como o projeto Procuradoria com Elas e o programa Mulher Segura.
Apesar dos avanços na estrutura de acolhimento, Marli alertou que os números demonstram a necessidade de ampliar as ações de prevenção e proteção às vítimas.
Vereadora alerta para casos que não chegam às autoridades
Durante o pronunciamento, Professora Marli afirmou que pretende realizar levantamentos mensais sobre a violência contra mulheres em Toledo, buscando dar maior visibilidade ao problema.
A vereadora também defendeu que as medidas de proteção priorizem a segurança das vítimas, evitando que mulheres e crianças sejam obrigadas a abandonar suas residências em razão das agressões.
Ao comentar o trabalho dos órgãos responsáveis pela proteção das mulheres, a parlamentar reconheceu os esforços das equipes, mas avaliou que a demanda supera a capacidade de atendimento da rede.
Segundo ela, os episódios que chegam à imprensa representam apenas uma parcela da violência enfrentada pelas mulheres no município, já que muitas situações não são denunciadas formalmente.
A parlamentar chegou a sugerir que a quantidade real de casos poderia ser significativamente maior do que a identificada no levantamento. A estimativa, entretanto, não foi acompanhada de dados estatísticos oficiais que permitam confirmar essa proporção.
O balanço apresentado reforça a necessidade de acompanhar os indicadores oficiais de violência doméstica em Toledo, além de avaliar a efetividade das medidas protetivas, a reincidência das agressões e a capacidade de acolhimento das vítimas pela rede municipal de proteção.
Mulheres em situação de violência podem buscar orientação pelo Ligue 180, Central de Atendimento à Mulher. Em situações de emergência, a Polícia Militar pode ser acionada pelo telefone 190.
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