Proibição das bets aguarda comissão no Congresso e terá debate no STF
MP está em vigor desde setembro, mas precisa passar pela Câmara e pelo Senado; prazo inicial termina em 23 de novembro e admite prorrogação
🎧 Ouça esta matéria — narrado por IA
A proibição das bets no Brasil chega ao período após as eleições com uma etapa fundamental ainda pendente no Congresso Nacional. Até esta terça-feira (27), a Medida Provisória 1.394/2026 aguardava a instalação da comissão mista responsável por analisar o texto antes das votações na Câmara dos Deputados e no Senado. O calendário oficial prevê o encerramento do primeiro período de vigência em 23 de novembro.
Editada em 25 de setembro, a medida proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa no território nacional. A restrição alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive os oferecidos por empresas sediadas no exterior a pessoas localizadas no Brasil. As demais modalidades lotéricas autorizadas por lei ficaram fora da proibição.
Embora já tenha força de lei, a MP depende de aprovação parlamentar para que suas regras sejam incorporadas de forma permanente à legislação. A Constituição estabelece vigência de 60 dias, prorrogável uma única vez por igual período se a votação não tiver sido encerrada nas duas Casas. Portanto, 23 de novembro não representa, necessariamente, o fim da proibição.
Comissão ainda precisa analisar o texto
O registro do Congresso mostra que foram apresentadas 99 emendas à medida, com propostas de alteração de diferentes pontos da norma. Algumas foram posteriormente retiradas pelos autores.
O próximo passo é a instalação da comissão mista de deputados e senadores, que deverá emitir parecer antes da análise pelos plenários. Conforme o calendário legislativo, a MP entra em regime de urgência em 9 de novembro. Esse mecanismo dá prioridade à apreciação, mas não garante sua aprovação.
Os parlamentares poderão manter o conteúdo, modificar as regras ou rejeitar a proposta. Também existe a possibilidade de a medida perder eficácia por falta de votação dentro do prazo constitucional.
Fux convoca audiência para novembro
Enquanto a tramitação legislativa permanece pendente, a proibição também é discutida no Supremo Tribunal Federal.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o ministro Luiz Fux convocou para 3 de novembro, às 10h, uma audiência com representantes do governo federal, empresas de apostas e clubes de futebol. O despacho, de segunda-feira (26), manteve a medida em vigor enquanto prossegue a discussão sobre os pedidos de suspensão apresentados ao tribunal.
A audiência poderá subsidiar a análise judicial, mas não substitui a deliberação dos deputados e senadores. São processos distintos: o STF examina os questionamentos jurídicos, enquanto o Congresso decide sobre a conversão da MP em lei.
Perda de validade não significa retorno automático
Se o prazo constitucional se esgotar sem aprovação, a MP perderá eficácia. A Constituição também atribui ao Congresso a responsabilidade de disciplinar, por decreto legislativo, as relações jurídicas decorrentes da medida. A contagem da vigência fica suspensa durante o recesso parlamentar.
Esse cenário pode abrir uma disputa sobre as condições para eventual retomada das atividades. Como a medida determinou a extinção das autorizações de funcionamento, seria impreciso afirmar que todas as plataformas poderiam voltar a operar imediatamente, sem considerar a situação das licenças e eventuais decisões judiciais ou novas regras.
Matérias relacionadas
Flávio Bolsonaro na Justiça: levantamento reúne investigações, processos e disputas eleitorais
Moro questiona Moraes após decisão que impede Flávio Bolsonaro de sair do Brasil
Denúncias de assédio eleitoral quase dobram no Paraná após 2º turno
MP investiga alterações suspeitas em registros de veículos e cobra explicações de Roveda no Detran
Comentários (0)
- Seja o primeiro a comentar.