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Hangar ligado a Flávio Bolsonaro tinha sala secreta com máquina de contar dinheiro, diz PF

Compartimento oculto tinha máquina de contar cédulas e malas vazias; PF diz que estrutura poderia ter sido usada para guardar valores

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
PF encontra sala secreta com máquina de dinheiro em hangar ligado a amigo de Flávio
PF encontra sala secreta com máquina de dinheiro em hangar ligado a amigo de Flávio — Crédito: Vittor Sales/Divulgação pré-campanha

A Polícia Federal encontrou um compartimento oculto em um hangar no Aeroporto Internacional de Brasília utilizado por empresas de aviação do advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No espaço, os investigadores localizaram uma máquina de contar cédulas, malas vazias e uma estrutura preparada para o armazenamento de valores.

A descoberta ocorreu durante uma operação de busca e apreensão realizada em agosto, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A investigação apura suspeitas de ocultação de patrimônio relacionadas ao senador Weverton Rocha (PDT-MA).

Segundo relatório da PF obtido pelo Estadão, a equipe policial deixou o hangar após cumprir as diligências previstas inicialmente, mas recebeu uma denúncia anônima sobre a existência de um espaço escondido que poderia ser utilizado para guardar dinheiro vivo.

Os investigadores retornaram ao local no mesmo dia para verificar a informação. O compartimento estava atrás de uma estrutura de madeira e de uma porta metálica. Segundo a PF, foi necessário superar o obstáculo para chegar ao ambiente reservado.

Apesar da suspeita, nenhuma quantia em dinheiro foi encontrada dentro da sala.

A PF, porém, afirma ter identificado sinais de que o espaço já teria sido utilizado para guardar e transportar valores. O relatório cita malas vazias, uma máquina de contagem de cédulas e uma estrutura interna dividida para a custódia de dinheiro.

O que diz o advogado

Willer Tomaz nega que a sala tenha sido utilizada para esconder dinheiro de origem não declarada. Em nota, afirmou que o espaço e os equipamentos fazem parte da estrutura utilizada na prestação de serviços para empresas de transporte de valores.

Segundo o advogado, a sala-cofre está localizada nos hangares das empresas de aviação e seria necessária para atender clientes desse segmento. Ele classificou como “fantasiosa e ridícula” a hipótese de que o ambiente tenha sido usado para contar ou armazenar recursos não declarados.

A PF solicitou perícia papiloscópica no compartimento para tentar identificar quem teve contato com o espaço. Os investigadores também consideraram a possibilidade de que algum valor tenha sido retirado antes do retorno da equipe policial ao hangar.

Aeronaves também foram apreendidas

A operação ocorreu em 7 de agosto e teve como um dos alvos os hangares 36 e 37 da área executiva do Aeroporto Internacional de Brasília, ocupados por duas empresas de Willer.

Durante a ação, os policiais apreenderam quatro aeronaves: um helicóptero Robinson R66, fabricado em 2012; um Cessna 550 Bravo, de 2001; um helicóptero Helibras AS 350 B2, de 2007; e uma aeronave Cessna Aircraft, de 2000.

Os aviões e helicópteros permaneceram nos próprios hangares, sob responsabilidade de uma funcionária da empresa.

A PF também recolheu cópias das listas de passageiros e dos diários de bordo das aeronaves utilizadas nos últimos anos. O objetivo é identificar quem utilizava os aviões, que também eram disponibilizados para serviços de táxi aéreo.

Para os investigadores, a descoberta do compartimento oculto reforça a hipótese de que as aeronaves poderiam ter sido utilizadas para transporte de dinheiro vivo.

PF também apreendeu imagens de rancho

Outro alvo da operação foi um rancho de Willer Tomaz em Planaltina de Goiás (GO). O local ficou conhecido após uma fotografia mostrar o advogado ao lado de Weverton Rocha e outros políticos em uma piscina da propriedade.

A estrutura do rancho também chamou a atenção dos investigadores. No relatório, a PF descreveu o imóvel como uma propriedade de grande porte e apontou elementos que, segundo os policiais, indicariam expressiva capacidade patrimonial.

Entre as estruturas encontradas estão uma praia artificial, um lago com píeres, construções próximas à água, motos aquáticas e um túnel que liga áreas da propriedade separadas pela via pública.

Durante a busca, os policiais apreenderam equipamentos responsáveis pelo armazenamento das imagens do sistema de segurança do rancho. Segundo o relatório, o material poderá ajudar a identificar a movimentação de pessoas, veículos e bens no local durante o período relacionado à investigação.

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