Moro questiona Moraes após decisão que impede Flávio Bolsonaro de sair do Brasil
Governador eleito do Paraná criticou o momento da decisão de Alexandre de Moraes, tomada um dia após Flávio Bolsonaro perder a eleição presidencial para Lula
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O governador eleito do Paraná, Sérgio Moro (PL), questionou nesta terça-feira (27) a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL) de deixar o Brasil e determinou a entrega de seus passaportes.
Em publicação nas redes sociais, Moro criticou o momento em que a medida foi tomada, um dia depois do segundo turno da eleição presidencial, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Em que tipo de país o candidato da oposição à presidência, que teve 59 milhões de votos, tem o seu passaporte apreendido no dia seguinte à eleição?”, escreveu Moro.
Na sequência, o governador eleito afirmou: “O Brasil segue longe da normalidade institucional”.
A decisão de Moraes foi tomada no âmbito de uma investigação que envolve Flávio Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. O caso apura suspeitas de lavagem de dinheiro e tramita sob sigilo.
Flávio não entregou os passaportes
A ordem judicial determinou que Flávio entregasse seus passaportes à Polícia Federal em até 24 horas e proibiu o senador de deixar o território nacional. A medida também impede o contato dele com Willer Tomaz.
O prazo terminou na manhã desta terça-feira, mas Flávio não apresentou os documentos. Diante do descumprimento, a Polícia Federal informou que cancelou os passaportes do senador em seus sistemas e comunicará o fato a Alexandre de Moraes.
A PF também apura se Flávio deixou o país. Até o momento, não foi identificado registro formal da saída do senador pelos sistemas migratórios brasileiros.
As suspeitas sobre uma possível saída ganharam força após informações de que Flávio teria atravessado a fronteira com a Argentina para seguir aos Estados Unidos. O governo argentino, porém, informou não ter encontrado registro de entrada do senador no país.
Investigação envolve Flávio e Willer Tomaz
A decisão de Moraes está relacionada ao inquérito que investiga suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz.
Segundo informações divulgadas sobre o caso, a investigação também envolve negócios relacionados ao setor de apostas. Flávio e Tomaz negam irregularidades.
Flávio afirmou anteriormente que a decisão de Moraes teria relação com uma declaração feita pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, que defendeu que ele deixasse o Brasil caso perdesse a eleição.
Na segunda-feira (26), ao comentar a ordem judicial, Flávio disse que entregaria os passaportes e que pretendia se defender da decisão.
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