Denúncias de assédio eleitoral quase dobram no Paraná após 2º turno
MPT-PR recebeu 198 denúncias até esta terça-feira; em Cascavel, vereador relata ameaças de demissão ligadas ao voto e promete levar casos às autoridades
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O número de denúncias de assédio eleitoral no ambiente de trabalho quase dobrou no Paraná entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2026. O Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT-PR) recebeu 75 denúncias até o dia 4 de outubro. No fim do segundo turno, em 25 de outubro, o número havia chegado a 142.
As denúncias continuaram chegando mesmo depois do fim da votação. Até as 14h desta terça-feira (27), o MPT-PR contabilizava 198 registros no Estado.
Entre os relatos estão ameaças de demissão relacionadas à posição política dos trabalhadores, além de outras formas de pressão e intimidação ligadas ao voto. O órgão afirma que os casos continuam sendo registrados após a divulgação do resultado das eleições.
Em Cascavel, o vereador Edson Souza afirmou ter recebido relatos de trabalhadores que estariam sendo ameaçados no emprego por não terem votado em Flávio Bolsonaro (PL). Em vídeo publicado nas redes sociais, ele disse que pretende encaminhar as denúncias e disponibilizar apoio jurídico aos trabalhadores que procurarem o gabinete.
Vereador relata ameaças em Cascavel
Edson Souza afirmou que recebeu “vários relatos” de pessoas que estariam sendo pressionadas ou ameaçadas no trabalho por causa do voto.
Segundo o vereador, haveria empresas em que patrões estariam ameaçando funcionários por não terem apoiado Flávio Bolsonaro. Ele também afirmou que pretende divulgar informações sobre pessoas que, segundo ele, estariam orientando esse tipo de conduta.
“Isso é crime, isso é crime, não pode. O voto de cabresto, o voto direcionado, ele não pode, não pode, é crime e a gente vai denunciar esses crimes”, afirmou.
O vereador orientou trabalhadores que estejam passando por situações semelhantes em Cascavel a procurar o gabinete ou entrar em contato pelas redes sociais. Segundo ele, advogados serão disponibilizados para auxiliar na formalização das denúncias.
Edson também afirmou que pretende levar os casos às autoridades responsáveis e divulgar informações sobre os envolvidos.
As afirmações sobre ameaças em empresas de Cascavel foram feitas pelo vereador. O material divulgado por ele não apresenta, até o momento, detalhes sobre quais empresas ou empregadores estariam envolvidos nem documentos que comprovem os casos relatados.
MPT aponta aumento após a eleição
O crescimento das denúncias também aparece nos dados do MPT-PR. Foram 75 registros até o encerramento do primeiro turno, em 4 de outubro. Até o fim do segundo turno, em 25 de outubro, o total havia subido para 142.
Em apenas dois dias após a eleição, outros 56 registros foram contabilizados, levando o número a 198 até as 14h desta terça-feira.
Para o procurador do Trabalho Daniel Carvalho Oliveira, coordenador regional da Coordenadoria Nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), o crescimento pode estar relacionado a mais de um fator.
Entre eles, o procurador cita o maior conhecimento da população sobre a ilegalidade do assédio eleitoral e o ambiente de polarização política durante as eleições, especialmente na disputa presidencial.
“O MPT está atento aos casos denunciados e tem atuado prontamente para inibir essa prática nefasta e garantir a liberdade de voto e manifestação política dos trabalhadores”, afirmou.
Pressão pode continuar depois da eleição
O MPT-PR alerta que o encerramento da eleição não impede a apresentação de denúncias.
As reclamações podem envolver situações ocorridas durante a campanha ou represálias depois da divulgação do resultado, como ameaças de demissão, recusa de contratação e outras medidas motivadas pela preferência política do trabalhador.
As condutas também podem ocorrer pela internet, por meio de mensagens, redes sociais e outros canais de comunicação.
O órgão orienta trabalhadores que sofreram ou presenciaram ameaças, constrangimentos, intimidações ou outras formas de pressão relacionadas ao voto a registrar denúncia.
O procedimento pode ser feito de forma sigilosa pelo canal online do MPT-PR, disponível 24 horas por dia. Também é possível procurar presencialmente uma das sete unidades do Ministério Público do Trabalho no Paraná, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h.
Como denunciar
Quem sofreu ou presenciou assédio eleitoral pode registrar uma denúncia pelo site do MPT-PR. O órgão também recebe relatos sobre possíveis represálias ocorridas depois do resultado das urnas.
As denúncias podem envolver ameaças de demissão, pressão para votar em determinado candidato, recusa de contratação motivada por posição política ou outras formas de constrangimento no ambiente de trabalho.
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