Ministro do TCU diz que Brasil pode não ter dinheiro para aposentadorias
Ministro do TCU relacionou o risco ao déficit da Previdência e aos gastos fora do Orçamento e comparou cenário às “pedaladas fiscais”
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes afirmou que o Brasil poderá enfrentar dificuldades para pagar aposentadorias no futuro caso o atual cenário das contas públicas permaneça. A declaração foi publicada por ele nas redes sociais na quarta-feira (21).
Ao comentar o déficit da Previdência, Nardes afirmou que o rombo já supera R$ 404 bilhões. Segundo o ministro, os gastos realizados fora do Orçamento também chegaram a R$ 326 bilhões.
“Como está, não haverá aposentadoria porque não temos mais economia suficiente para pagar nem os aposentados hoje e quem dirá futuramente”, declarou.
Nardes relacionou o cenário à chamada “desorçamentação”, expressão usada por ele para se referir a despesas realizadas fora do Orçamento. Na avaliação do ministro, o volume desses gastos dificulta a atração de investidores internacionais e pode comprometer a economia brasileira.
“A situação se torna cada vez mais grave porque foi feita uma desorçamentação. Ou seja, gastar por fora”, afirmou.
Relação com as ‘pedaladas fiscais’
Durante a declaração, Nardes comparou o cenário atual com as contas do governo da ex-presidente Dilma Rousseff, período marcado pelas chamadas pedaladas fiscais.
Em 2015, ele foi relator no TCU do processo que analisou as manobras contábeis relacionadas a atrasos nos repasses do governo a bancos públicos.
Nardes voltou a citar aquele episódio ao criticar o que considera uma repetição de problemas na gestão das contas públicas.
“Tomei uma decisão muito importante em 2015, fui o relator das pedaladas fiscais, que foram recursos utilizados dos fundos de Previdência sem autorização do Congresso Nacional”, afirmou.
O ministro também disse que houve manipulação das contas públicas naquele período e que, em sua avaliação, situações semelhantes voltaram a ocorrer.
Nardes deixará o TCU em dezembro
Nardes já anunciou que pretende antecipar sua aposentadoria do TCU para o fim de 2026. A saída está prevista para dezembro, antes da aposentadoria compulsória aos 75 anos.
Em 2022, o ministro também esteve no centro de uma controvérsia após o vazamento de um áudio no qual comentava articulações em setores das Forças Armadas depois da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições.
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