Líder de Ratinho evita oposição a Moro e sinaliza diálogo com futuro governo
Hussein Bakri diz que atual base terá postura de “trabalho” e “respeito” e afirma que eventual composição com bancadas será decisão do governador eleito
A derrota da chapa apoiada pelo governador Ratinho Junior nas eleições de domingo já começa a produzir movimentos dentro da Assembleia Legislativa do Paraná. Líder do governo na Casa, o deputado Hussein Bakri evitou nesta terça-feira (6) colocar a atual base governista automaticamente na oposição ao governador eleito Sergio Moro e sinalizou disposição para manter uma relação de diálogo com a futura administração.
Ao discursar na primeira sessão da Assembleia depois das eleições, Bakri afirmou que ainda considera cedo para definir como ficará a reorganização política da Casa a partir da troca de comando no Palácio Iguaçu.
“Alguém me perguntou ali no fundo: como é que vai ser o futuro? Eu disse: olha, é muito cedo. Eu acho que é muito cedo para avaliar o futuro”, declarou.
A manifestação ganha peso porque partiu justamente do parlamentar responsável pela articulação do governo Ratinho Junior no Legislativo. Bakri contou ainda ter sido questionado sobre uma eventual aproximação do governador eleito com as bancadas que atualmente sustentam o governo.
“Me perguntaram, inclusive, se o governador Moro teria interesse em compor com essa, aquela bancada. Eu disse que essa é uma decisão dele, que essa resposta não cabe a mim”, afirmou.
Na sequência, porém, o líder governista deixou claro que a postura do grupo não deverá ser de enfrentamento automático ao próximo governo.
“O que nós podemos garantir é que nós vamos ter uma postura aqui de trabalho, de respeito, em defesa do Paraná”, disse. Em outro momento, desejou sucesso a Moro e afirmou que os deputados estarão dispostos a colaborar institucionalmente com a próxima administração. “Nós aqui, institucionalmente, vamos estar ajudando o Paraná.”
Base terá de se reorganizar
A declaração antecipa uma discussão que deve ocupar os próximos meses na Assembleia: como ficará a composição política da Casa depois da eleição de Moro e da derrota do grupo que atualmente controla o Executivo estadual.
Ratinho Junior construiu ao longo dos últimos anos uma ampla base parlamentar. Com a mudança de governo, deputados e partidos que hoje integram esse bloco terão de definir se permanecem organizados como um grupo político independente, passam para a oposição ou se aproximam da futura administração.
Bakri não antecipou qual desses caminhos será adotado. Ao contrário, fez questão de deixar a definição em aberto e afirmou que uma eventual composição dependerá também do próprio governador eleito.
O discurso ocorreu poucas horas depois de outros integrantes da base de Ratinho começarem a fazer publicamente o balanço da derrota eleitoral. Anibelli Neto, também da base governista, responsabilizou o governador pela escolha de Sandro Alex como candidato à sucessão estadual.
Bakri adotou um tom diferente. Disse ter encerrado a eleição com a “consciência tranquila” por ter seguido integralmente a orientação política do governador durante a campanha.
“Não teve uma propaganda minha, não teve um santinho meu, um pronunciamento meu que fugiu da linha do governador Ratinho Junior para o Senado, para o governo”, afirmou.
“Onda muito forte da direita”
O líder do governo também apresentou sua interpretação para o resultado das urnas. Para Bakri, a eleição foi marcada principalmente por uma forte mobilização do eleitorado de direita.
“Foi uma onda muito forte, bolsonarista. Temos que reconhecer a onda da direita”, declarou.
Ao concluir a avaliação, voltou a defender o legado da atual administração, mas reconheceu que o fenômeno eleitoral se sobrepôs à força política do governo.
“Essa eleição aqui, o trabalho do governador ficou muito claro, ficou muito claro o resultado, as obras, mas, na minha opinião, o que prevaleceu mesmo foi essa onda muito forte da direita e nós não podemos negar. Foi o que prevaleceu”, afirmou.
A reorganização dessa ampla base será agora uma das principais questões políticas da Assembleia durante a transição. E, pelo menos no primeiro pronunciamento do líder de Ratinho depois das urnas, a porta para uma relação com o futuro governo Moro permaneceu aberta.
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