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“Levarei ao túmulo”: Flávio Bolsonaro não revela como chegou aos EUA

Em entrevista ao New York Times, senador afirmou que organizou a viagem sozinho e não revelou como chegou aos Estados Unidos

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro — Crédito: Tânia Rego

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que organizou sozinho a viagem para os Estados Unidos, após deixar o Brasil depois da derrota na eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), ele negou ter recebido ajuda de governos estrangeiros e disse que não pretende revelar como chegou ao território norte-americano.

“Fui eu que fiz tudo. Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, afirmou. Questionado sobre os detalhes do deslocamento, o senador respondeu: “Como cheguei até aqui, levarei ao túmulo”.

Segundo Flávio, a decisão de deixar o Brasil foi tomada por iniciativa própria, em conjunto com a mulher. Ele disse que tinha amigos no exterior, mas negou que eles tenham participado da organização da viagem.

A versão apresentada pelo senador contrasta com informações divulgadas anteriormente pelo próprio New York Times. Em reportagem publicada em outubro, o jornal relatou, com base em autoridades norte-americanas, que um funcionário ligado à Casa Branca teria providenciado o avião particular usado no deslocamento até Miami. A publicação também informou que a entrada de Flávio nos Estados Unidos ocorreu com autorização migratória concedida por determinação do presidente Donald Trump. 

Senador afirma que teme ser preso

Durante a entrevista, Flávio disse acreditar que seria preso se permanecesse no Brasil. O senador é alvo de investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção, mas, conforme o relato publicado pelo jornal, não havia sido formalmente acusado de crime.

“Eu já sei que o resultado final será a minha prisão”, declarou.

A saída do país ocorreu depois que autoridades brasileiras solicitaram a entrega dos passaportes do parlamentar no contexto de uma investigação. Flávio deixou o Brasil em 27 de outubro, passou pela Argentina e chegou a Miami no dia seguinte. 

Flávio volta a contestar resultado da eleição

Na conversa com o jornal norte-americano, o senador também voltou a questionar o resultado da eleição presidencial, na qual foi derrotado por Lula. Ele classificou a vitória do petista como “matematicamente impossível”, mas não apresentou provas para sustentar a afirmação.

Flávio afirmou que pretende contestar judicialmente o resultado, embora reconheça que considera pequenas as chances de conseguir uma mudança na decisão eleitoral.

Ao comentar a atuação de Donald Trump, o senador agradeceu ao presidente dos Estados Unidos por permitir sua permanência no país. Também elogiou a postura de Trump por não tomar partido na disputa política brasileira.

“Ele não tomou partido, que é a coisa certa a fazer”, afirmou.

O parlamentar disse ainda que espera que a permanência nos Estados Unidos seja temporária. Segundo a entrevista, ele pretende continuar questionando o resultado eleitoral e manter sua atuação política mesmo fora do Brasil.

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