Golpe do INSS usa benefício negado e ameaça de suspensão; veja como se proteger
INSS alerta para fraude com falsa ação judicial, enquanto especialista explica como identificar golpes envolvendo prova de vida, consignado e Pix
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A promessa de recuperar um benefício negado, o aviso de que a aposentadoria será suspensa ou a oferta de um empréstimo consignado podem parecer oportunidades ou alertas importantes para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na prática, essas abordagens também estão entre as estratégias usadas por criminosos para conseguir dados pessoais, senhas e dinheiro das vítimas.
O problema ganhou uma nova forma nos últimos dias. Em 28 de outubro, o INSS alertou para uma tentativa de golpe em que criminosos afirmam existir uma suposta lista de segurados que tiveram pedidos de benefícios negados e oferecem ajuda para entrar com ações judiciais. O alerta surgiu depois que um segurado do Rio de Janeiro descobriu, por meio de um oficial de Justiça, a existência de uma ação em seu nome que ele não havia ajuizado.
Segundo o INSS, o órgão não disponibiliza publicamente uma relação com dados de segurados e benefícios indeferidos que possa ser utilizada por terceiros. Os resultados dos requerimentos são acessíveis aos próprios segurados e a representantes legais cadastrados. O instituto também reforçou que seus serviços são gratuitos e podem ser acessados diretamente pelo Meu INSS, sem a necessidade de intermediários.
O caso mostra como os criminosos podem utilizar informações verdadeiras sobre o sistema previdenciário para criar histórias convincentes. Para a advogada especialista em direito previdenciário Sarita Lopes, um dos principais sinais de alerta está justamente na pressão para que a vítima tome uma decisão imediatamente.
Urgência é um dos principais sinais de golpe
Em entrevista à reportagem da Gazeta do Paraná, Sarita Lopes explica que os golpes mais comuns contra aposentados e pensionistas envolvem falsas mensagens sobre bloqueio ou suspensão da aposentadoria, supostas necessidades de prova de vida, revisão de benefícios, liberação de valores atrasados, devolução de descontos e ofertas fraudulentas de empréstimos consignados.
Também há criminosos que se apresentam como servidores do INSS, representantes de bancos e até advogados. A promessa costuma envolver a liberação de algum benefício ou valor judicial mediante pagamento antecipado.
“Recentemente, o próprio INSS alertou sobre tentativas de fraude envolvendo supostas ações judiciais para reverter benefícios negados, inclusive com utilização indevida de dados dos segurados”, explica a advogada.
Para Sarita, a urgência é uma das principais ferramentas utilizadas pelos golpistas. A vítima pode receber uma ligação ou mensagem dizendo que perderá o benefício se não fornecer imediatamente uma senha, enviar documentos, clicar em um link ou fazer um pagamento.
“O principal sinal de alerta é a urgência. Os golpistas costumam dizer que o aposentado perderá o benefício se não fornecer imediatamente uma senha, enviar documentos, clicar em um link ou realizar um pagamento”, afirma.
A orientação, segundo ela, é simples: diante de uma abordagem inesperada, o aposentado não deve tomar nenhuma decisão financeira naquele momento.
“Minha orientação é simples: nunca tome uma decisão financeira durante uma ligação ou conversa recebida de forma inesperada. Desconfie de ameaças de bloqueio, promessas de dinheiro fácil e qualquer cobrança para liberar benefícios previdenciários.”
INSS pode mandar mensagem pelo WhatsApp?
A resposta exige atenção. Nem toda mensagem relacionada ao INSS ou à Previdência é necessariamente falsa.
Em outubro, o Governo do Brasil informou que beneficiários com a prova de vida vencida ou próxima do vencimento poderiam receber informações pelo WhatsApp oficial do Governo do Brasil e também pela caixa postal do aplicativo gov.br. A mensagem explica as formas de atualização da prova de vida e pode ser identificada pelo selo azul da conta verificada.
O ponto fundamental está no conteúdo da comunicação.
O Governo do Brasil afirma que não solicita dados pessoais, cobranças ou pagamentos pelo WhatsApp para esse procedimento. Também não envia links para uma suposta regularização da prova de vida. A situação pode ser consultada diretamente pelo Meu INSS ou pela Central 135.
Sarita reforça que o INSS não pede senhas do Meu INSS ou do gov.br, códigos de autenticação, transferências bancárias ou pagamentos para liberar benefícios.
“Se o aposentado receber uma ligação ou mensagem solicitando essas informações, deve encerrar o contato e não clicar em nenhum link”, orienta.
Segundo a advogada, o segurado deve acessar diretamente os canais oficiais para confirmar qualquer informação. Entre eles estão o aplicativo e o site Meu INSS, a caixa postal do gov.br e a Central 135.
Outro cuidado é não confiar apenas na aparência da mensagem.
“Mesmo quando uma mensagem apresenta logotipo oficial, nome completo ou CPF do aposentado, isso não comprova sua autenticidade. Os criminosos podem utilizar dados pessoais obtidos indevidamente para tornar a abordagem convincente.”
Falsa prova de vida usa medo de perder o benefício
A prova de vida é uma das principais iscas utilizadas pelos criminosos porque explora uma preocupação legítima dos aposentados: a continuidade do pagamento.
Em setembro, o INSS alertou que beneficiários estavam recebendo mensagens falsas informando que precisariam atualizar a prova de vida sob ameaça de suspensão do benefício.
A situação é particularmente perigosa porque a mensagem pode criar a impressão de que existe um prazo muito curto para resolver o problema.
Na prática, o beneficiário deve interromper a conversa e conferir diretamente sua situação. O Meu INSS permite consultar a situação da prova de vida, enquanto a Central 135 também pode esclarecer dúvidas.
A regra é não clicar em links recebidos inesperadamente para “regularizar” o benefício.
Criminosos também podem se passar por servidores
O golpe não acontece apenas pelo celular.
O próprio INSS alerta para situações em que pessoas mal-intencionadas se apresentam como servidores da Previdência e vão até a casa de beneficiários. Nesses casos, os criminosos podem solicitar fotos, documentos e informações pessoais. O instituto orienta que os segurados não forneçam os dados e não atendam falsos representantes.
A recomendação também vale para mensagens eletrônicas. O INSS cita entre as modalidades de fraude o chamado phishing, em que criminosos enviam mensagens ou e-mails falsos para induzir a vítima a clicar em links e fornecer informações pessoais ou senhas.
Desconto desconhecido exige reação rápida
Outro problema comum é o aparecimento de descontos que o aposentado não reconhece no benefício.
Nesses casos, a primeira providência recomendada por Sarita é consultar o Meu INSS. O segurado deve verificar tanto o extrato de pagamento quanto o extrato de empréstimos consignados.
Se o desconto estiver relacionado a uma mensalidade associativa que não foi autorizada, a orientação é contestar pelos canais oficiais e verificar a possibilidade de ressarcimento.
Já quando aparece um empréstimo consignado que o beneficiário afirma não ter contratado, é necessário procurar imediatamente a instituição financeira responsável. O aposentado deve solicitar uma cópia do contrato, contestar a contratação e pedir a suspensão dos descontos e a devolução dos valores indevidamente cobrados, quando cabível.
A advogada também recomenda registrar boletim de ocorrência diante de indícios de fraude e guardar todos os documentos relacionados ao caso.
“Também recomendo registrar boletim de ocorrência quando houver indícios de fraude, guardar extratos, contratos, mensagens e protocolos e apresentar reclamação ao Procon ou aos canais oficiais de defesa do consumidor”, explica.
Se o problema não for resolvido, o caso pode ser levado à Justiça. Dependendo das circunstâncias, podem ser discutidos o reconhecimento da inexistência do contrato, a suspensão dos descontos, a restituição dos valores e eventual indenização por danos morais ou materiais.
Benefício pode ser bloqueado para novos empréstimos
Uma medida preventiva também pode reduzir o risco de contratação de crédito não autorizada.
Quando não pretende contratar empréstimos consignados, o aposentado pode solicitar o bloqueio do benefício para novos empréstimos por meio do Meu INSS.
A recomendação é especialmente importante para quem não utiliza esse tipo de crédito. O objetivo é evitar que uma contratação fraudulenta seja realizada utilizando os dados do beneficiário.
Caiu em um golpe? O que fazer depois do Pix
Mesmo quando a vítima percebe o golpe somente depois de transferir o dinheiro, ainda existem medidas que podem ser tomadas.
Segundo Sarita, quem fez um Pix para criminosos deve procurar imediatamente o banco e solicitar o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED.
O Banco Central informa que o pedido pode ser registrado em até 80 dias após a transferência em casos de fraude, golpe ou crime. O mecanismo permite que as instituições financeiras tentem bloquear recursos que ainda estejam nas contas envolvidas e, quando a fraude é confirmada e há dinheiro disponível, realizar a devolução integral ou parcial.
O Banco Central orienta que a vítima entre em contato com a instituição financeira o mais rapidamente possível e, paralelamente, registre um boletim de ocorrência.
A rapidez é importante porque o dinheiro pode ser movimentado pelos criminosos.
Sarita ressalta, porém, que o acionamento do MED não significa que o dinheiro será automaticamente recuperado.
“Sim, existe a possibilidade de recuperar o dinheiro, mas isso depende das circunstâncias da fraude e da rapidez com que a vítima agir”, afirma.
A vítima deve guardar comprovantes de transferência, conversas, números de telefone, dados bancários e links utilizados pelos criminosos.
Se também tiver fornecido senhas ou permitido algum tipo de acesso ao celular, a orientação é trocar imediatamente as senhas, comunicar o banco e proteger as contas digitais.
Família pode ajudar sem tirar a autonomia
A prevenção também pode envolver familiares, principalmente quando o aposentado tem dificuldade para identificar mensagens ou movimentações financeiras suspeitas.
Mas Sarita chama atenção para um ponto importante: ajudar não significa assumir o controle do dinheiro do idoso.
“O primeiro passo é conversar abertamente sobre os golpes mais comuns, explicar como identificar mensagens falsas e orientar o idoso a nunca fornecer senhas, códigos de segurança ou dados bancários por telefone e WhatsApp”, explica.
Os familiares podem acompanhar, com autorização do titular, os extratos do INSS, verificar descontos desconhecidos, conferir empréstimos e ajudar a identificar comunicações suspeitas.
Uma regra simples pode ser estabelecida dentro de casa: nenhuma transferência solicitada por telefone ou mensagem deve ser realizada antes de uma confirmação por outro canal.
“Mas ajudar não significa controlar o dinheiro ou retirar a autonomia do aposentado. O ideal é oferecer orientação, criar mecanismos de segurança e permitir que ele continue participando das decisões sobre seus próprios recursos”, afirma Sarita.
Para a advogada, a combinação entre informação, acompanhamento familiar e respeito à autonomia financeira é o caminho mais seguro para reduzir os riscos.
Como se proteger
A principal recomendação é não agir por impulso diante de uma mensagem ou ligação inesperada.
O aposentado ou pensionista deve:
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desconfiar de ameaças de bloqueio imediato do benefício;
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nunca fornecer senha do Meu INSS ou gov.br;
-
nunca informar códigos de autenticação recebidos por SMS;
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não clicar em links enviados para suposta regularização do benefício;
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não pagar valores para liberar aposentadoria, pensão ou supostos atrasados;
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confirmar informações diretamente pelo Meu INSS ou pelo telefone 135;
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consultar regularmente o extrato de pagamento;
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verificar o extrato de empréstimos consignados;
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manter o benefício bloqueado para novos empréstimos quando não pretende contratar crédito;
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guardar mensagens, documentos e comprovantes diante de uma suspeita de fraude;
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procurar o banco imediatamente se houver transferência via Pix para um golpista;
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registrar boletim de ocorrência quando houver indícios de crime.
O princípio, segundo Sarita, é evitar que a pressão imposta pelo criminoso determine a reação da vítima.
“Não tome decisões financeiras durante uma ligação ou conversa recebida de forma inesperada”, reforça.
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