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Consumo nos lares cresce 2,7% no ano apesar de queda em setembro

Alta acumulada até setembro ficou praticamente estável, enquanto consumo recuou 1,46% na comparação com agosto

Gabriel Porta · · 3 min de leitura
Mercado
Mercado — Crédito: Tania Rego/Agência Brasil

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O consumo nos lares brasileiros cresceu 2,70% entre janeiro e setembro de 2026, mas perdeu força em setembro. Na comparação com agosto, o indicador caiu 1,46%, segundo levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Apesar da retração mensal, o resultado acumulado permanece praticamente no mesmo nível registrado até agosto, quando a alta era de 2,71%. Na comparação com setembro de 2025, houve crescimento de 0,59%.

Os dados consideram todos os formatos de supermercados e foram corrigidos pela inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Setembro interrompe sequência de altas

A queda de 1,46% em setembro veio depois de dois meses de avanço. Em julho, o consumo havia crescido 3,01% em relação ao mês anterior. Em agosto, a alta foi de 2,21%.

O recuo de setembro, porém, não é um movimento isolado. O indicador também apresentou resultado negativo no mesmo mês de 2024, quando caiu 1,30%, e em 2025, com retração de 0,94%.

Para Marcio Milan, vice-presidente da Abras, o resultado acumulado mostra que o consumo segue em trajetória positiva ao longo do ano, mesmo com as famílias tendo de dividir o orçamento entre a compra de alimentos e outras despesas.

Emprego e renda ajudam a sustentar consumo

A avaliação da Abras considera também o cenário do mercado de trabalho. Segundo Milan, a taxa de desocupação estava em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, maior número da série histórica.

O rendimento médio real habitual de todos os trabalhos alcançou R$ 3.777, com alta de 3,7% em relação ao mesmo período de 2025. Já a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 385,6 bilhões, crescimento de 4,8% em um ano e recorde da série, de acordo com os dados citados pela entidade.

Milan também mencionou recursos que chegaram às famílias ao longo de setembro. O Bolsa Família destinou R$ 13,04 bilhões a cerca de 19,3 milhões de famílias. O Conselho da Justiça Federal liberou R$ 3,22 bilhões para os Tribunais Regionais Federais pagarem Requisições de Pequeno Valor (RPVs), beneficiando mais de 278 mil pessoas. Houve ainda o pagamento de 521,9 mil restituições do Imposto de Renda.

Cesta básica, impostos e endividamento preocupam

Na avaliação do vice-presidente da Abras, a ampliação da isenção de impostos para produtos da cesta básica, incluindo carnes, frango e peixe, pode contribuir para sustentar o consumo.

Ao mesmo tempo, Milan demonstrou preocupação com os novos impostos que serão definidos para a próxima gestão. Segundo ele, a entidade teme que eventuais aumentos pressionem os preços de outros produtos que fazem parte da alimentação e do consumo das famílias.

O endividamento dos consumidores também foi apontado como um ponto de atenção.

Abras defende manutenção da proibição das bets

Outro tema citado por Milan foi a proibição das apostas eletrônicas. Segundo ele, a manutenção da medida contribuiu para o aumento do consumo nos supermercados.

Dados divulgados pela Abras apontaram crescimento das vendas de alimentos nas semanas posteriores à medida. Entre 5 e 11 de outubro, a alta foi de 6,5% em relação ao mesmo período de 2025. Na semana seguinte, entre 12 e 18 de outubro, o avanço foi de 6,3%.

A entidade também destacou a aprovação do fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho como fatores que exigem atenção do setor.

Para Milan, supermercados e demais segmentos da cadeia de abastecimento precisam se adaptar às mudanças sem comprometer o funcionamento do sistema responsável por levar os produtos até os consumidores.

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