Ar-condicionado em 17°C aumenta a conta de luz? Veja como economizar
Consumo de energia aumenta no calor, e especialista explica como usar o ar-condicionado sem abrir mão do conforto e da economia
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O calor ainda nem chegou oficialmente ao verão, mas já é possível perceber um efeito típico dos meses mais quentes: o aumento no uso de aparelhos de climatização e, consequentemente, o risco de uma conta de luz mais alta.
No Paraná, esse comportamento aparece nos dados da Copel. Entre 2022 e 2025, o consumo médio de energia elétrica das residências aumentou 15% nos meses mais quentes, entre outubro e março, na comparação com o período de abril a setembro. No Oeste do Estado, a alta média chegou a 27%. No Noroeste, foi de 24%, enquanto no Norte ficou em 16%.
O ar-condicionado é um dos principais equipamentos que entram em cena quando as temperaturas sobem. Mas, segundo especialistas, não é necessário abrir mão do conforto para evitar uma conta pesada. O segredo está na forma como o aparelho é utilizado.
Amanda Durante, especialista em energia e CEO da iGreen Energy, explicou, em entrevista à reportagem da Gazeta do Paraná, que pequenas mudanças na rotina podem fazer diferença no consumo.
“O primeiro ponto é entender que não precisamos abrir mão do conforto para economizar energia. Precisamos aprender a consumir de forma inteligente!”, afirma Amanda.
Entre as medidas mais simples estão manter cortinas e persianas fechadas nos períodos de sol mais intenso, evitar a entrada de ar quente e manter portas e janelas fechadas enquanto o ar-condicionado estiver funcionando.
Outra orientação é limpar os filtros regularmente. A sujeira prejudica a circulação do ar e pode fazer o equipamento trabalhar mais para alcançar a temperatura desejada.
O erro de colocar o ar em 17°C
Um dos hábitos mais comuns de quem chega em casa depois de enfrentar altas temperaturas é pegar o controle do ar-condicionado e colocar a temperatura no mínimo.
Para Amanda, porém, essa estratégia não significa necessariamente que o ambiente ficará gelado mais rapidamente.
“Muita gente chega em casa com calor e coloca o ar-condicionado em 17 °C achando que o ambiente vai gelar mais rápido, mas não é assim que funciona na maioria dos aparelhos”, explica.
A especialista recomenda começar com uma temperatura entre 23°C e 24°C, faixa que, segundo ela, costuma oferecer um equilíbrio entre conforto térmico e economia.
O problema de selecionar uma temperatura muito baixa está no esforço necessário para atingir esse objetivo. Quanto maior a diferença entre a temperatura externa e aquela programada no aparelho, maior tende a ser o trabalho exigido do equipamento.
Na prática, colocar o ar em 17°C não significa que ele produzirá frio na mesma velocidade de um aparelho programado para 23°C. A diferença está no tempo e no esforço necessários para alcançar a temperatura estabelecida.
“Quanto maior a diferença entre a temperatura externa e a desejada, maior tende a ser o esforço do equipamento”, afirma Amanda.
A recomendação também aparece em orientações de concessionárias de energia. A Cemig, por exemplo, recomenda temperaturas entre 23°C e 24°C, além de portas e janelas fechadas e limpeza regular dos filtros.
É melhor deixar ligado ou desligar?
Outra dúvida frequente aparece quando o aparelho precisa ser utilizado por várias horas.
É mais econômico desligar o ar-condicionado sempre que possível ou mantê-lo funcionando em uma temperatura estável?
A resposta depende principalmente do período em que o ambiente ficará vazio e da tecnologia do equipamento.
“Se você vai sair por várias horas, o ideal é desligar, porque não faz sentido gastar energia refrigerando um espaço vazio”, explica Amanda.
Por outro lado, em um ambiente ocupado continuamente, especialmente quando o aparelho possui tecnologia inverter, a manutenção de uma temperatura estável pode ser mais eficiente do que desligar e ligar o equipamento repetidamente.
Isso acontece porque os modelos inverter conseguem variar a potência do compressor conforme a necessidade de refrigeração, em vez de trabalhar o tempo todo na capacidade máxima.
Ainda assim, a especialista faz uma ressalva importante: a tecnologia não elimina o desperdício se o equipamento estiver funcionando sem necessidade.
Por isso, recursos como timer e modo econômico podem ajudar a evitar horas de funcionamento desnecessárias.
O próprio Inmetro destaca a importância da eficiência energética na escolha de um condicionador de ar. A nova etiqueta considera o consumo anual do equipamento e facilita a identificação de modelos com melhor desempenho, inclusive aqueles com tecnologia inverter.
Ar-condicionado, ventilador ou climatizador?
Quem quer economizar também pode questionar se vale trocar o ar-condicionado pelo ventilador ou pelo climatizador.
Amanda explica que os três equipamentos têm funções diferentes.
“O ar-condicionado costuma ser o que mais consome energia entre os três, porque ele realmente refrigera o ambiente”, afirma.
O ventilador tem consumo menor, mas não reduz efetivamente a temperatura do ambiente. Ele movimenta o ar e melhora a sensação térmica sobre o corpo.
Já o climatizador normalmente consome menos energia do que um ar-condicionado, mas seu desempenho depende das condições do ambiente. Em locais com baixa umidade, o efeito tende a ser mais favorável.
Por isso, não existe uma resposta única para todas as situações.
Em dias menos quentes, o ventilador pode ser suficiente. Quando a temperatura sobe muito, o ar-condicionado proporciona uma redução efetiva da temperatura interna. O climatizador pode ser uma alternativa intermediária em determinadas condições.
Combinar ventilador e ar-condicionado funciona?
Outra possibilidade é utilizar os dois equipamentos ao mesmo tempo.
A estratégia pode funcionar, mas não significa que simplesmente ligar mais um aparelho produzirá economia.
Segundo Amanda, a circulação do ar proporcionada pelo ventilador pode melhorar a sensação térmica e permitir que o ar-condicionado seja regulado para uma temperatura um pouco mais alta.
“O ventilador pode melhorar a sensação térmica e permitir que o aparelho trabalhe em uma temperatura um pouco mais alta”, explica.
Mas existe uma condição: a redução no esforço do ar-condicionado precisa compensar o consumo adicional do ventilador.
Ou seja, ligar dois aparelhos automaticamente não significa economizar. A vantagem aparece quando a combinação permite reduzir suficientemente o funcionamento do equipamento de maior consumo.
Filtro sujo também pesa na conta
Entre os erros que parecem pequenos, mas podem afetar o funcionamento do aparelho, está a falta de limpeza dos filtros.
Com sujeira acumulada, a circulação de ar fica prejudicada. O equipamento pode precisar trabalhar mais para alcançar a temperatura escolhida.
“Não adianta investir em um aparelho moderno e econômico se os nossos hábitos continuam desperdiçando energia”, alerta Amanda.
A manutenção, portanto, não deve ser vista apenas como uma questão de conservação do equipamento. Ela também está relacionada ao desempenho e ao consumo.
O Ministério de Minas e Energia recomenda a manutenção periódica dos equipamentos como uma das medidas de eficiência energética e orienta os consumidores a escolher aparelhos com boa classificação de eficiência.
Tamanho do aparelho também faz diferença
Outro ponto destacado pela especialista é o dimensionamento.
Um equipamento precisa ser compatível com o tamanho e as características do ambiente em que será instalado. Um aparelho inadequado pode ter dificuldade para refrigerar o espaço ou trabalhar além do necessário.
A instalação da unidade externa também merece atenção.
“Uma unidade externa instalada em um local sem ventilação adequada pode aumentar bastante o consumo”, explica Amanda.
Isso significa que a economia começa antes mesmo de o aparelho ser ligado pela primeira vez. A escolha do modelo, a capacidade adequada, o local de instalação e a manutenção influenciam diretamente o desempenho.
A Copel também orienta os consumidores a dimensionarem corretamente o aparelho e a darem preferência a equipamentos com selo de eficiência energética.
No Paraná, o calor já aparece na conta de energia
O comportamento observado pela Copel ajuda a dimensionar o problema para quem vive no Estado.
Entre 2022 e 2025, o consumo residencial paranaense foi, em média, 15% maior entre outubro e março do que entre abril e setembro. No Oeste, região que inclui cidades como Cascavel, Toledo e Foz do Iguaçu, a diferença chegou a 27%.
A explicação está justamente na necessidade de climatização durante os períodos mais quentes.
Quando as temperaturas sobem, os aparelhos de ar-condicionado permanecem ligados por mais tempo. Ventiladores também passam a funcionar durante períodos maiores, enquanto geladeiras e outros equipamentos de refrigeração precisam trabalhar mais para manter as temperaturas internas.
O fenômeno não é exclusivo do Paraná.
Dados da Empresa de Pesquisa Energética mostram que o consumo residencial de eletricidade no Brasil aumentou 7% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O consumo total de eletricidade do país cresceu 3,7% no mesmo período.
A EPE também apontou que as temperaturas acima da média e ondas de calor contribuíram para ampliar o uso de equipamentos de climatização nas residências em 2025.
Bandeira verde não significa conta baixa
Outro fator que pode confundir o consumidor é a bandeira tarifária.
Em outubro, a Aneel estabeleceu bandeira verde, o que significa que não há cobrança adicional sobre a tarifa em razão do sistema de bandeiras. A decisão foi favorecida pelas condições de geração e pela recuperação dos níveis dos reservatórios em parte das principais bacias hidrográficas.
Isso, porém, não significa que o consumidor possa aumentar o uso dos aparelhos sem impacto na fatura.
As bandeiras representam apenas uma parcela do custo da energia. A conta final também depende da quantidade de eletricidade efetivamente consumida.
Além disso, a bandeira de novembro de 2026 será anunciada pela Aneel em 30 de outubro. A definição de dezembro está prevista para 27 de novembro, enquanto a bandeira de janeiro de 2027 será divulgada em 23 de dezembro.
Por isso, mesmo em meses sem cobrança adicional da bandeira, reduzir o desperdício continua sendo uma das formas mais diretas de controlar a conta.
Como economizar no verão
Para Amanda, o consumidor não precisa escolher entre conforto e economia. A principal mudança é fazer com que o equipamento trabalhe de maneira eficiente.
A primeira medida é evitar a entrada de calor no ambiente. Cortinas e persianas devem ser utilizadas nos períodos de maior incidência solar.
Durante o funcionamento do ar-condicionado, portas e janelas devem permanecer fechadas.
A temperatura pode começar entre 23°C e 24°C, evitando a tentativa de refrigerar o ambiente para temperaturas muito baixas.
Os filtros precisam ser limpos regularmente e o equipamento deve passar por manutenção.
Quem estiver comprando um aparelho novo deve observar a etiqueta de eficiência energética do Inmetro e verificar se o modelo é adequado ao tamanho do ambiente.
Também vale utilizar timer e outros recursos de economia para evitar que o aparelho permaneça ligado quando não há ninguém no cômodo.
A ideia central, segundo Amanda, é simples: não se trata de deixar de usar o ar-condicionado, mas de evitar que ele trabalhe mais do que precisa.
“A economia começa nas pequenas decisões do dia a dia”, resume a especialista.
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