🗳️ Eleições 2026: confira o resultado final da apuração Acompanhar →
Curitiba
Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Antonio Carlos Kakay Cidinha Marcon Cidinha Marcon Cidinha Marcon Julia Maraschi Julia Maraschi Julia Maraschi Marcos Formighieri Marcos Formighieri Marcos Formighieri Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Oswaldo Eustáquio Roberto Veloso Roberto Veloso Roberto Veloso Sergio Ricardo Sergio Ricardo Sergio Ricardo
Público › Política

Da condenação de Bolsonaro à suspeita de fraude eleitoral: confira quatro declarações de Flávio em live nos EUA

Senador questionou resultados das urnas, criticou investigação do STF e comparou economia atual à crise do governo Dilma. Também afirmou que poderá disputar outra eleição presidencial antes de 2030

Ana Zimermann · · 9 min de leitura
Senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2026, durante live realizada nos EUA, após saída do Brasil.
Senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2026, durante live realizada nos EUA, após saída do Brasil. — Crédito: Reprodução/Instagram Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a questionar o resultado das eleições presidenciais de 2026 durante uma transmissão ao vivo realizada na noite de sexta-feira (30), diretamente dos Estados Unidos. Na manifestação, o candidato derrotado também defendeu o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, criticou decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e afirmou que o Brasil enfrenta uma situação econômica pior do que a registrada durante o governo Dilma Rousseff. Flávio ainda mencionou a possibilidade de disputar novamente a Presidência da República antes de 2030 e anunciou que pretende buscar na Justiça Eleitoral a cassação da chapa eleita, formada por Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice, Geraldo Alckmin. A Gazeta do Paraná reuniu quatro declarações da transmissão e confrontou as alegações com decisões judiciais, informações divulgadas sobre documentos da investigação e indicadores oficiais. As classificações consideram o conteúdo verificável das afirmações, sem confundir opiniões políticas com fatos comprovados.

1. Jair Bolsonaro foi preso sem cometer nenhum crime?

classificação: FALSA QUANTO À INEXISTÊNCIA DE CONDENAÇÃO

O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão, no julgamento da Ação Penal 2668, por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A condenação abrange os crimes de: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A decisão tornou-se definitiva em novembro de 2025, com o encerramento das possibilidades de recurso naquela etapa processual. Em 2026, Bolsonaro passou a cumprir prisão domiciliar humanitária, por determinação judicial. A defesa do ex-presidente contesta a condenação e apresentou pedido de revisão criminal ao STF. Entretanto, a existência de contestação judicial não significa que a condenação tenha sido anulada. Portanto, embora a defesa sustente a inocência de Bolsonaro e questione a legalidade das decisões, não é correto afirmar que ele foi preso sem que houvesse crimes reconhecidos em uma condenação judicial.

2. A eleição presidencial teve situações matematicamente impossíveis?

classificação: SEM COMPROVAÇÃO

Durante a transmissão, Flávio Bolsonaro voltou a levantar suspeitas sobre o resultado do segundo turno, afirmando que teriam ocorrido situações matematicamente impossíveis. No entanto, o senador não apresentou demonstração técnica que comprovasse a existência de fraude na votação ou na totalização dos resultados. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula venceu o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. A diferença foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos. Entre os questionamentos anteriores do senador, estava a prorrogação da votação em determinadas seções eleitorais. Entretanto, os dados divulgados pelo TSE indicaram que aproximadamente 34,3 mil votos foram registrados depois das 17h nas seções abrangidas pela medida. Mesmo que todos esses votos tivessem sido destinados ao mesmo candidato, o número seria insuficiente para alterar o resultado nacional.

É importante observar que essa comparação esclarece apenas a questão da prorrogação da votação. Para examinar outras supostas impossibilidades matemáticas, seria necessário identificar as urnas ou situações específicas mencionadas e confrontá-las com os respectivos boletins de urna. Até o momento, não foram apresentadas evidências verificáveis que sustentem a alegação genérica de impossibilidade matemática no resultado eleitoral.

3. Santander informou que Flávio não tinha vínculo com conta bancária investigada?

classificação: VERDADEIRA COM RESSALVAS

Flávio Bolsonaro afirmou que o Banco Santander havia encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, no domingo da eleição, 25 de outubro, uma resposta negando sua vinculação a uma conta bancária associada ao advogado e empresário Willer Tomaz. A informação encontra respaldo em documentos obtidos e divulgados pela CNN Brasil. Segundo a cronologia publicada pelo veículo, Alexandre de Moraes determinou, em 23 de outubro, o bloqueio de contas de Willer Tomaz e solicitou ao Santander informações sobre eventual vinculação do senador a uma conta relacionada à Alcazar Holding. Na manhã de 25 de outubro, o banco respondeu que Willer Tomaz era o único usuário principal da conta e que Flávio Bolsonaro não aparecia na relação de usuários cadastrados ao longo de sua vigência, nem como usuário principal nem como secundário. Na noite do mesmo dia, após o resultado eleitoral, a Polícia Federal solicitou a apreensão do passaporte de Flávio. O pedido mencionava, entre outros elementos, a suspeita de compartilhamento da conta bancária. Moraes determinou a medida, e o senador foi intimado no dia seguinte. A resposta do Santander, portanto, contraria a suspeita específica de que Flávio figurasse como usuário cadastrado daquela conta.

Isso, entretanto, não permite concluir que todas as linhas da investigação tenham sido descartadas ou que a medida judicial tenha sido necessariamente irregular. Também não significa que o ministro Alexandre de Moraes tenha apresentado uma acusação criminal formal contra o senador apenas por solicitar esclarecimentos ao banco. A documentação bancária descrita pela CNN é relevante para avaliar os fundamentos da investigação, mas sua extensão deve ser examinada em conjunto com os demais elementos do processo.

4. A economia brasileira está muito pior do que durante o governo Dilma, em 2014 e 2015?

classificação: IMPRECISA

Flávio Bolsonaro comparou o cenário econômico brasileiro atual ao período de crise enfrentado durante o governo Dilma Rousseff, especialmente entre 2014 e 2015. A afirmação, entretanto, depende dos indicadores utilizados. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a economia brasileira cresceu apenas 0,5% em 2014 e sofreu retração de aproximadamente 3,5% em 2015, quando o país entrou em uma recessão profunda. A inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), encerrou 2014 em 6,41% e alcançou 10,67% em 2015. Em 2026, os indicadores disponíveis até a data da transmissão apresentavam um quadro diferente. O PIB registrou crescimento de aproximadamente 2% no segundo trimestre, em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a inflação acumulada em 12 meses até setembro ficou abaixo de 5%. O mercado de trabalho também apresentava taxas de desemprego inferiores às observadas durante a crise iniciada em 2015.

Isso não significa que a economia brasileira esteja livre de problemas. A situação fiscal, o endividamento público, os juros e as dificuldades enfrentadas por diferentes setores continuam sendo aspectos relevantes para avaliar o cenário econômico. Entretanto, os dados de crescimento, inflação e emprego não sustentam, isoladamente, a conclusão de que a economia atual seja muito pior do que a registrada durante a recessão de 2015. Além disso, eventuais previsões de agravamento da crise devem ser tratadas como projeções, e não como fatos já ocorridos.

Flávio poderá disputar uma nova eleição presidencial antes de 2030?

Ao encerrar a transmissão, Flávio Bolsonaro também afirmou que poderá voltar a disputar a Presidência da República antes de 2030. O senador declarou que pretende questionar judicialmente o resultado eleitoral e buscar a cassação da chapa vencedora. A Constituição Federal prevê situações excepcionais em que pode haver uma nova eleição presidencial antes do calendário regular. Entretanto, a simples contestação do resultado ou a apresentação de uma ação judicial não provoca automaticamente uma nova votação. O artigo 81 da Constituição estabelece que, na hipótese de vacância simultânea dos cargos de presidente e vice-presidente da República, deve ser realizada uma nova eleição. Se as duas vagas surgirem nos primeiros dois anos do mandato, a eleição será direta, com participação dos eleitores, e deverá ocorrer em até 90 dias após a abertura da última vaga. Caso a dupla vacância aconteça nos dois últimos anos, a eleição será indireta, realizada pelo Congresso Nacional em até 30 dias. Em ambos os casos, os eleitos completarão apenas o período restante do mandato dos antecessores.

Há também regras específicas para a cassação de uma chapa pela Justiça Eleitoral. O artigo 224 do Código Eleitoral disciplina a realização de novas eleições em determinadas hipóteses de invalidação do resultado de eleições majoritárias, incluindo a cassação do diploma ou a perda do mandato dos eleitos. A Constituição, em seu artigo 14, parágrafo 10, também permite a impugnação de mandato eletivo por abuso de poder econômico, corrupção ou fraude, mediante apresentação de provas e observância do prazo legal. Portanto, uma eventual nova eleição dependeria de circunstâncias jurídicas concretas, como uma decisão da Justiça Eleitoral que invalidasse a eleição ou a ocorrência de dupla vacância dos cargos, observadas as regras aplicáveis a cada hipótese.

A saída de Lula da Presidência, isoladamente, não levaria necessariamente a uma nova eleição, uma vez que o vice-presidente é seu sucessor constitucional. Assim, a possibilidade mencionada por Flávio Bolsonaro existe no ordenamento jurídico brasileiro, mas não há convocação automática de uma nova eleição nem garantia de que o senador possa disputá-la. Uma eventual candidatura dependeria do cumprimento dos requisitos de elegibilidade e da inexistência de impedimentos legais.

Fontes utilizadas nas checagens:

STF — portal oficial para consulta da Ação Penal 2668. Processo referente à condenação de Jair Bolsonaro e demais acusados.

STF Notícias — comunicados oficiais sobre condenação, prisão e decisões posteriores.

Código Penal brasileiro. Contém os dispositivos penais aplicáveis a parte das condutas examinadas.

TSE — Portal de Dados Abertos. Repositório de boletins de urna, votação por seção e arquivos de totalização.

TSE — resultados oficiais das eleições. Consulta aos resultados dos turnos.

TSE — Eleições 2026. Informações, normas e documentos eleitorais.

Lei nº 4.737/1965 — Código Eleitoral.

CNN Brasil — cronologia da investigação e reprodução do documento do Santander. 

IBGE — painel oficial de indicadores econômicos. PIB, desemprego, inflação, indústria e outros indicadores.

SIDRA/IBGE — séries históricas e tabelas oficiais. Permite comparar 2014, 2015 e 2026.

IBGE — Contas Nacionais e PIB.

IBGE — IPCA e séries históricas de inflação.

IBGE — PNAD Contínua, emprego e desemprego.

Banco Central — juros, dívida pública, crédito e estatísticas fiscais.

Constituição Federal de 1988 — especialmente os artigos 14, 79, 80 e 81.

Código Eleitoral — artigo 224 — novas eleições em hipóteses de invalidação de eleições majoritárias.

Lei Complementar nº 64/1990 — inelegibilidades e ações eleitorais relacionadas a abuso de poder.

Lei nº 9.504/1997 — normas gerais das eleições.

 

Compartilhar: f X W T

Comentários (0)

  • Seja o primeiro a comentar.