Após vitória de Lula, deputado de SC defende separação do Sul do Brasil
Bruno Souza (PL-SC) afirmou que pretende mobilizar deputados da região para discutir uma consulta sobre a permanência do Sul na Federação
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O resultado da eleição presidencial de 2026 levou o deputado estadual eleito Bruno Souza (PL-SC) a defender uma ideia que mexe com o mapa político do país: um plebiscito para consultar a população sobre a separação da Região Sul do Brasil.
A proposta foi publicada nas redes sociais depois da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo Souza, a diferença entre a votação no Sul e no restante do país revela divergências de prioridades, valores e preferências políticas.
“Como deputado eleito em Santa Catarina, vou cumprir a promessa de campanha: convocar um plebiscito para o povo catarinense (e do Sul) votar se ainda quer fazer parte desta Federação. As diferenças de preferências, prioridades e valores desejados mais uma vez nesta eleição. O Sul merece ser livre!”, escreveu.
Souza foi eleito deputado estadual em Santa Catarina com 40.327 votos, o equivalente a 0,94% dos votos válidos.
O que diz a Constituição
A ideia defendida pelo parlamentar não encontra respaldo na Constituição Federal. O artigo 1º estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela “união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal”.
A própria Constituição também protege a forma federativa do Estado. O artigo 60 determina que não pode ser objeto de deliberação uma proposta de emenda constitucional que tenha como objetivo abolir esse modelo.
A Constituição permite que estados sejam incorporados, subdivididos ou desmembrados para formar novos estados ou territórios, desde que sejam cumpridos requisitos específicos, incluindo plebiscito e aprovação do Congresso Nacional. A regra, porém, não prevê a saída de um estado ou região da Federação brasileira.
Deputado diz que quer mobilizar outros políticos
Em outra publicação, Souza afirmou que pretende reunir deputados do Paraná e do Rio Grande do Sul interessados em discutir uma mudança na relação da região com a União.
O parlamentar disse defender a separação de forma “conciliadora” e “voluntária”, sem violência ou conflito armado.
“Eu acredito na secessão do Sul. Mas defendo que ela seja feita de forma conciliadora, voluntária e com o acordo das partes”, escreveu.
Souza também argumentou que o Brasil já teve sete Constituições e afirmou que cada uma delas surgiu em momentos de mudanças nas condições políticas, econômicas ou sociais do país.
Na avaliação apresentada pelo deputado, o fato de a forma federativa ser uma cláusula pétrea não impediria a população de discutir o tema.
Flávio venceu no Sul
A proposta foi apresentada após Flávio Bolsonaro (PL) perder a eleição presidencial para Lula no segundo turno.
Nos três estados do Sul, porém, o senador terminou à frente. Em Santa Catarina, Flávio recebeu 69,42% dos votos válidos. No Paraná, chegou a 62,58%. No Rio Grande do Sul, teve 57,84%.
É justamente essa diferença regional que Souza usa como argumento para defender uma consulta sobre a permanência do Sul na Federação.
A discussão sobre a separação da região não é nova. Em 2025, deputados do PT pediram à Procuradoria-Geral da República (PGR) que investigasse uma declaração do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), relacionada à possibilidade de separação do Sul do restante do Brasil.
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