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Aliados de Flávio Bolsonaro defendem resultado da eleição e se afastam de senador

União Brasil, MDB, Tarcísio e nomes da direita reconheceram a vitória de Lula e defenderam o respeito ao resultado das urnas

Gabriel Porta · · 4 min de leitura
Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro — Crédito: Joe Raedle/Getty Images

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A postura de Flávio Bolsonaro após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições passou a receber críticas de aliados e antigos aliados do senador. Enquanto Flávio se recusou a reconhecer o resultado e deixou o Brasil, diferentes nomes da direita e partidos que participaram de sua campanha afirmaram que a decisão das urnas deve ser respeitada.

Os posicionamentos ganharam força depois da ida do senador aos Estados Unidos e da divulgação de uma carta na qual ele se apresentou como presidente eleito, líder do Brasil e da oposição.

O movimento expôs uma divisão dentro do campo político que apoiou a candidatura de Flávio. Partidos e lideranças que estiveram ao lado do senador durante a campanha passaram a defender publicamente a legitimidade da eleição.

Partidos reconhecem vitória de Lula

O União Brasil, que integrou a base de apoio da campanha de Flávio, publicou uma nota assinada pelo presidente nacional da legenda, Antonio Rueda. O partido afirmou que a democracia é um valor inegociável e que o resultado das urnas precisa ser respeitado independentemente de quem tenha vencido ou perdido.

A legenda também declarou que a eleição realizada em 25 de outubro transcorreu com lisura.

O MDB adotou posição semelhante. Em uma publicação nas redes sociais, o partido reafirmou a confiança no sistema eleitoral brasileiro e na legitimidade do resultado do pleito. Parte das lideranças da legenda havia apoiado Flávio durante a campanha presidencial.

Até mesmo o PL, partido de Flávio Bolsonaro e de outros integrantes de sua família, reconheceu oficialmente a vitória de Lula.

Outro nome importante da oposição, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, afirmou que não existem provas de fraude no segundo turno.

Tarcísio pede responsabilidade

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), também se manifestou sobre a situação. Aliado de Flávio, ele afirmou compreender a indignação do senador, mas defendeu uma mudança de postura depois do fim da eleição.

Para Tarcísio, o momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou.

A mensagem de Tarcísio reforça uma posição que passou a aparecer em diferentes setores da direita: a de que a oposição ao governo Lula deve continuar, mas dentro do resultado definido pelas urnas.

Líder religioso também defende resultado

Até o bispo JB Carvalho, líder da Comunidade das Nações, igreja de Brasília frequentada por Flávio, publicou uma mensagem em defesa do encerramento do processo eleitoral.

Nas redes sociais, o pastor afirmou que as eleições terminaram e descartou a possibilidade de um novo turno político.

“As eleições terminaram. Não tem terceiro turno. Vida que segue!”, escreveu.

Na mesma publicação, JB Carvalho pediu que seus seguidores não alimentassem previsões de caos e afirmou que Deus daria a cada um segundo suas obras.

Ex-candidato critica oposição feita dos EUA

A estratégia adotada por Flávio também foi criticada por Renan Santos (Missão), que disputou a Presidência da República.

Renan questionou a decisão do senador de conduzir a oposição a partir dos Estados Unidos e afirmou que a iniciativa não traz benefícios ao Brasil. Para ele, Flávio tenta reproduzir o modelo de Juan Guaidó, que se apresentou como presidente interino da Venezuela, embora o cenário brasileiro seja diferente e o PL continue funcionando normalmente no país.

“Ele optou por não lutar aqui, e a verdade precisa ser dita: quando você acredita em algo, você luta na tua terra. Ele não quis lutar, a nossa terra não era boa o suficiente, ele vai lutar direto da Flórida”, afirmou Renan.

O ex-candidato disse não acreditar que a estratégia represente um risco institucional, mas classificou a atuação de Flávio no exterior como uma espécie de “oposição EAD”.

“Eu sou oposição natural ao governo Lula, mas o Brasil não ganha em nada com esta oposição EAD sendo feita lá dos Estados Unidos para atender no fundo ao interesse americano aqui. Eu estou aqui, vou lutar daqui e vou pagar as consequências das minhas ações”, declarou.

As manifestações mostram que, enquanto Flávio Bolsonaro mantém uma postura de contestação após a derrota eleitoral, parte significativa das forças políticas que estiveram próximas de sua candidatura passou a defender o reconhecimento do resultado e a continuidade da disputa política dentro do país.

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