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Temor de bolha da inteligência artificial derruba bolsas globais; Coreia do Sul aciona circuit breaker

Dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em IA e receio de novas restrições nos Estados Unidos pressionam mercados; bolsas do Japão e da Coreia do Sul fecharam com perdas próximas de 6%

Repórter Gazeta do Paraná · · 3 min de leitura
Temor de bolha da inteligência artificial derruba bolsas globais; Coreia do Sul aciona circuit breaker
— Crédito: Divulgação

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O temor de que os investimentos bilionários em inteligência artificial (IA) não tragam o retorno esperado provocou uma onda de vendas nos mercados financeiros internacionais nesta sexta-feira (6). Depois de fortes perdas em Wall Street na véspera, as bolsas asiáticas fecharam em queda acentuada, enquanto os principais índices europeus também operavam no vermelho durante a manhã.

Na Coreia do Sul, a desvalorização do índice Kospi chegou a 8,8% durante o pregão e acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos. As operações ficaram suspensas por 20 minutos. Após a retomada, o índice recuperou parte das perdas, mas encerrou o dia em baixa de 6,02%, aos 5.059 pontos.

No Japão, o Nikkei recuou 5,96%, aos 57.434 pontos. Taiwan também registrou queda expressiva, de 4,51%. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 1,27%, enquanto a bolsa de Xangai recuou 1,10%.

Europa acompanha onda de perdas

Na Europa, os principais mercados também registravam baixas. Por volta das 9h15, o índice pan-europeu STOXX 600 caía 1,80%. O DAX, da Alemanha, recuava 2,35%; o FTSE 100, do Reino Unido, perdia 2,29%; e o CAC 40, da França, apresentava queda de 1,79%.

O movimento acompanha o desempenho de Wall Street na quinta-feira (5), quando os principais índices americanos tiveram perdas expressivas. O S&P 500 caiu 4,4%, aos 7.353,73 pontos, no pior resultado desde abril de 2025. O Dow Jones recuou 3,4%, enquanto o Nasdaq, concentrado em empresas de tecnologia, perdeu 5,5%.

Investidores questionam investimentos em IA

As ações de tecnologia lideraram as perdas nos Estados Unidos. Investidores demonstram preocupação com o custo elevado dos centros de dados, estruturas que concentram servidores e equipamentos necessários ao funcionamento de sistemas de inteligência artificial, e com a possibilidade de os investimentos não gerarem receitas suficientes para justificar os valores aplicados.

Entre as empresas mais afetadas na quinta-feira, a AMD caiu 17,3%, a Nvidia recuou 9,3%, a CoreWeave perdeu 9,8% e a GE Vernova teve baixa de 7,5%.

Com o tombo, o Nasdaq ficou 11,9% abaixo do recorde registrado no mês passado. No mercado financeiro, uma queda superior a 10% em relação ao pico recente é classificada como correção.

Outro fator de incerteza é o resultado das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que deram aos democratas o controle do Congresso. Investidores temem que a nova maioria amplie a fiscalização e avance sobre regras mais rígidas para a construção de centros de dados, especialmente diante das preocupações com o consumo elevado de energia dessas instalações.

Bolsas chinesas fecham a semana em alta

Apesar das perdas desta sexta-feira, os principais índices da China e de Hong Kong terminaram a semana no positivo. O CSI 300 acumulou alta de 1,7%, enquanto o índice de Xangai avançou 1,4%. Em Hong Kong, o Hang Seng subiu 5,1% e o Hang Seng Tech, que reúne empresas de tecnologia, teve valorização de 8,6%.

Durante o pregão, investidores aproveitaram a queda para buscar ações que ficaram mais baratas, em meio também a medidas de apoio ao mercado adotadas pelo governo chinês.

Ainda assim, empresas chinesas ligadas à inteligência artificial também foram atingidas pela pressão sobre o setor. A Zhongji Innolight caiu 9,2%, enquanto a Eoptolink Technology recuou 7,3%.

Analistas acompanham o risco de uma eventual correção mais ampla nas empresas de inteligência artificial dos Estados Unidos, que poderia afetar também companhias chinesas ligadas ao segmento.

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