Santiago Peña é transferido para unidade militar
Ex-presidente deixou a prisão domiciliar em Assunção por segurança; segundo o ABC Color, um comissário ficou ferido em confronto
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O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi transferido para uma unidade militar na virada de sexta-feira (06) para sábado (07), depois que manifestantes entraram em confronto com policiais em frente à casa onde ele cumpria prisão domiciliar, em Assunção. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, a mudança ocorreu por motivos de segurança.
Peña foi levado ao Regimento de Escolta Presidencial, unidade das Forças Armadas que protege o presidente, a família dele, os ex-presidentes e autoridades estrangeiras em visitas oficiais. O deslocamento aconteceu pouco antes da meia-noite de sexta-feira, com pelo menos quatro caminhonetes. Na saída do comboio, moradores atiraram ovos contra os veículos e gritaram insultos ao ex-presidente.
Protesto terminou em confronto
Os manifestantes se reuniram diante da residência para cobrar que Peña fosse levado a uma prisão em regime fechado, em vez de ficar em casa. De acordo com o ABC Color, houve confronto entre o grupo e os policiais responsáveis pela segurança do imóvel. Um comissário foi atingido por um projétil, e a polícia alertou para a possível presença de infiltrados entre os participantes.
A transferência foi feita depois que os agentes não conseguiram controlar a movimentação de pessoas perto da casa.
Segundo as informações divulgadas até agora, não há confirmação de que a mudança tenha sido autorizada pela Justiça ou pelo Ministério Público. Também não foram divulgadas as condições em que Peña ficará na unidade militar.
A crise do Ueno Bank
A prisão domiciliar foi determinada pelo Ministério Público na sexta-feira (06), depois que o Senado aprovou o impeachment. Peña é investigado por suspeitas de irregularidades ligadas à crise do Ueno Bank, banco cuja liquidação foi iniciada pelo Banco Central paraguaio.
A instituição pertence ao Grupo Vázquez e tinha cerca de 3 milhões de clientes. A intervenção veio depois que foram identificados problemas de solvência, ou seja, dificuldade de honrar compromissos, ligados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao próprio banco.
Peña foi acionista do grupo controlador até março de 2025. A oposição o acusa de conflito de interesses e de interferir na fiscalização do banco. Ele nega ter cometido irregularidades. A crise também levou à saída do então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que igualmente é investigado.
A queda e a posse de Alliana
O Senado destituiu Peña na sexta-feira (06), por 44 votos a favor e uma abstenção. O processo seguiu em frente mesmo depois de ele ter anunciado a renúncia, na quinta-feira (05). O então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência e deve concluir o mandato, previsto para terminar em 2028.
O Ministério Público ainda analisa as provas para definir as acusações contra Peña. Entre os possíveis crimes investigados estão abuso de confiança e tráfico de influência.
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