Brasileiros no Paraguai podem sentir efeitos da crise do Ueno Bank
Cerca de 270 mil brasileiros vivem no país vizinho, onde estudantes e empresas nacionais movimentam setores importantes da economia
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A crise do Ueno Bank, instituição financeira que teve a liquidação determinada pelo Banco Central do Paraguai, pode atingir brasileiros que vivem, estudam ou mantêm negócios no país vizinho. A comunidade brasileira é estimada em aproximadamente 270 mil pessoas, segundo dados do Senado Federal. Além disso, empresas nacionais têm participação expressiva na indústria paraguaia, principalmente por meio do regime de maquila.
O Paraguai tem pouco mais de 7 milhões de habitantes, conforme levantamento de 2025 do Banco Mundial. Nesse cenário, os brasileiros formam uma das principais comunidades estrangeiras do país e estão presentes em atividades como educação, comércio e indústria.
Um dos motivos que levam brasileiros ao Paraguai é a possibilidade de cursar o ensino superior, especialmente Medicina, por um custo menor do que o praticado no Brasil.
Uma reportagem publicada pelo jornal paraguaio ABC Color, em outubro de 2025, apontou que o país tinha 45.872 estudantes de Medicina. Desse total, 35.273 eram brasileiros, o equivalente a 76,9% dos alunos matriculados no curso.
A presença brasileira é ainda mais expressiva na região de fronteira. O departamento de Alto Paraná concentrava 15.389 desses estudantes, mais de 33,5% do total de brasileiros matriculados em Medicina no Paraguai.
Mensalidades mais baixas atraem estudantes
O custo da formação é um dos principais fatores que explicam a procura pelas universidades paraguaias. Segundo os dados apresentados no levantamento, a mensalidade média de Medicina no país gira em torno de 3 milhões de guaranis, aproximadamente R$ 2.645.
No Brasil, os valores mensais citados variam entre R$ 9,5 mil e R$ 11,5 mil, diferença que ajuda a explicar a presença de milhares de estudantes brasileiros no país vizinho.
A movimentação também alcança outros setores da economia. A estimativa apresentada no levantamento é de que os estudantes estrangeiros movimentem cerca de US$ 20 milhões por mês no Paraguai. O cálculo considera despesas com mensalidades, moradia, alimentação, transporte e serviços.
Depois da graduação, muitos brasileiros retornam ao país de origem para tentar validar o diploma. Para exercer a Medicina no Brasil, quem se formou no exterior precisa passar pelo Revalida, exame que permite a revalidação do diploma e o posterior registro profissional, conforme as exigências legais.
Empresas brasileiras têm presença na indústria paraguaia
A participação do Brasil na economia do Paraguai também aparece no setor industrial. Um dos principais atrativos é a Lei de Maquila, regime que oferece incentivos fiscais a empresas que produzem no país para exportar.
Segundo os dados apresentados no material, 232 empresas brasileiras se instalaram no Paraguai por meio desse modelo desde 2007. Elas representam cerca de 70% das companhias estrangeiras que operam no regime e são responsáveis por aproximadamente 25 mil empregos locais.
Entre as empresas brasileiras com investimentos no país estão JBS, Karsten, Lupo, Kidy, Efisa e Fiasul. De acordo com o levantamento, essas companhias investiram mais de US$ 182 milhões em operações paraguaias entre 2025 e 2026.
O setor têxtil concentra parte importante dessa presença, com 89 das 232 empresas brasileiras enquadradas no regime de maquila. A busca por custos menores de produção, incentivos fiscais e maior competitividade está entre os fatores que motivam a transferência de operações para o país vizinho.
Quantos brasileiros podem ter sido afetados pelo Ueno Bank?
Ainda não há dados oficiais públicos sobre o número de brasileiros que mantinham contas no Ueno Bank e foram atingidos pela crise. Por isso, não é possível determinar quantos integrantes da comunidade brasileira tiveram recursos bloqueados ou enfrentaram dificuldades para acessar serviços financeiros.
O levantamento apresenta uma estimativa de 108 mil a 162 mil brasileiros potencialmente afetados. O cálculo considera uma proporção de 40% a 60% de clientes do Ueno em relação à população paraguaia e aplica o mesmo percentual ao total de brasileiros que vivem no país.
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