Fachin dá 15 dias para PGR analisar indiciamento de Vorcaro no caso Master
Polícia Federal aponta prejuízo de R$ 2,7 bilhões ao BRB em operações com carteiras de crédito irregulares do Banco Master
O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu prazo de 15 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisar o relatório da Polícia Federal que indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e outras 14 pessoas por suspeita de envolvimento em fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB).
O mesmo prazo foi concedido para que a PGR se manifeste sobre o pedido da Polícia Federal para prorrogar as investigações por mais 60 dias. Fachin é o relator do caso no Supremo.
O relatório parcial da primeira fase da Operação Compliance Zero foi concluído na semana passada. Segundo os investigadores, Vorcaro teve participação direta e recorrente nas operações com carteiras de crédito consideradas irregulares, que teriam provocado prejuízos ao BRB.
De acordo com a Polícia Federal, o dano financeiro já identificado chega a aproximadamente R$ 2,7 bilhões.
Investigação aponta carteiras de crédito inexistentes
Uma parte do prejuízo teria origem em carteiras de crédito inexistentes, atribuídas à Tirreno. A empresa é apontada pelos investigadores como uma estrutura de fachada operada pelo Banco Master, que realizou transações com o BRB.
No relatório de indiciamento, a PF descreveu a atuação de Vorcaro nas operações como uma participação “pessoal, reiterada e diretiva”.
O ex-banqueiro foi preso em março de 2026 e permanece custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal.
Defesa contesta indiciamento
Após a conclusão parcial do inquérito, a defesa de Daniel Vorcaro criticou o trabalho da Polícia Federal. Os advogados afirmaram que os investigadores repetiram argumentos anteriores e não apresentaram avanços na apuração.
A defesa também contestou a existência de prejuízo nas operações envolvendo as carteiras da Tirreno. Segundo os advogados, o negócio não foi concluído e os créditos foram substituídos por outros ativos.
Na avaliação da defesa, a substituição demonstraria que as operações entre o Banco Master e o BRB tiveram resultado positivo para o Banco de Brasília. Os representantes de Vorcaro também afirmaram que nenhuma perícia oficial identificou prejuízo financeiro.
Com a decisão de Fachin, a Procuradoria-Geral da República deverá avaliar o relatório da PF e o pedido de ampliação do prazo das investigações.
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