Zanin e Gilmar recebem íntegra de dados do celular de Daniel Vorcaro
Ministros do STF haviam pedido acesso ao material apreendido com o ex-banqueiro antes de julgamento sobre mensagens atribuídas a Vorcaro e Alexandre de Moraes
Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os gabinetes dos ministros Cristiano Zanin e Gilmar Mendes confirmaram nesta segunda-feira (14) que receberam da Polícia Federal (PF) a íntegra do material extraído do celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master.
A entrega ocorreu depois de os dois ministros enviarem ofícios à PF solicitando acesso aos dados. O pedido foi feito após o ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), resistir à liberação integral do material aos demais integrantes da Corte.
No sábado (13), Mendonça afirmou que a divulgação dos dados poderia colocar em risco investigações em andamento e "somente contribuiria para tumultuar" o julgamento sobre a relação entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Zanin e Gilmar haviam solicitado o acesso integral na semana passada. Os dois ministros argumentaram que precisam analisar todas as mensagens enviadas por Vorcaro, e não apenas o recorte selecionado pelos investigadores da PF, antes de participar do julgamento.
Moraes também pediu a Edson Fachin, presidente do STF, que determinasse o envio do espelhamento do celular de Vorcaro a todos os ministros. Segundo Moraes, "não cabe ao relator escolher quais os documentos acessíveis ao colegiado para realizar seu julgamento".
Mendonça, por outro lado, afirmou que o acesso ao material não seria necessário para a sessão. O ministro disse ter acesso "exatamente do mesmo conjunto de elementos de informação franqueado aos demais pares que irão participar da referida sessão".
Julgamento no STF
O plenário do STF tem sessão marcada para esta terça-feira (15) para analisar um relatório da Polícia Federal sobre mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Segundo o documento da PF, Vorcaro enviou 52 mensagens ao ministro entre 2023 e 17 de novembro de 2025, data em que o ex-banqueiro foi preso preventivamente. O conteúdo das mensagens indica, segundo o relatório, uma relação próxima entre os dois.
Em uma das conversas, Vorcaro teria enviado a Moraes um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Em outro trecho, o ex-banqueiro teria buscado informações sobre uma operação que poderia resultar em sua prisão.
Moraes nega qualquer contato com Vorcaro. A Polícia Federal informou que as respostas atribuídas ao interlocutor do ex-banqueiro não puderam ser recuperadas.
Ainda não foi definido pelo Supremo qual será o rito do julgamento nem se Moraes e Mendonça participarão da sessão.
A Constituição Federal e o regimento interno do STF estabelecem que cabe ao plenário da Corte processar e julgar ministros do Supremo, mas não detalham como deve ser conduzido um julgamento envolvendo integrantes do próprio tribunal.
O que está em discussão
O plenário deverá analisar se será aberta uma investigação sobre a relação entre Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
Os ministros também deverão avaliar um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para anular o relatório produzido pela Polícia Federal. A PGR sustenta que a produção do documento ocorreu de forma irregular porque Mendonça não comunicou a presidência do Supremo nem submeteu previamente a questão ao plenário antes de autorizar o avanço das investigações envolvendo outro ministro da Corte.
Depois de retirar o sigilo do relatório da PF que menciona Moraes, Mendonça pediu que o plenário decidisse sobre a abertura de uma investigação contra o ministro.
Moraes reagiu e encaminhou a Fachin um documento que classificou como "relatório de inteligência" da Polícia Federal. Segundo Moraes, o material indicaria que Mendonça poderia estar direcionando as investigações da Operação Compliance Zero para atingir adversários políticos.
O documento, porém, não é assinado e não apresenta o timbre da Polícia Federal. Na capa, há um alerta de que o conteúdo foi produzido como conjectura e "sem valor probatório".
Moraes pediu a Fachin a abertura de uma investigação contra Mendonça por suspeita de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O presidente do STF marcou a análise desse pedido para 23 de setembro.
